Modernização estrutural dos clubes cearenses rende resultados positivos

Por Gabriel Lopes

A modernização dos clubes de futebol no Brasil é uma tendência nos dias atuais, com cada vez mais times buscando uma excelência na estrutura e na organização, como o Palmeiras e o São Paulo, que são referências nacionais no quesito organizacional. Os clubes cearenses também seguem essa inclinação, com investimentos pontuais em diversos setores, como melhorias na estrutura física, nas divisões médicas e em serviços especializados.

Novo refeitório do Ceará, um dos investimentos da diretoria na infraestrutura do clube. Foto: Ceará Sporting Club

Exemplos disso são a inauguração do novo ginásio do Ceará, a construção do novo campo adicional do Fortaleza e a implementação do setor de nutrição do Ferroviário. Essas melhorias estruturais têm como consequência um crescimento no rendimento dessas equipes em campo. Por exemplo, o Ceará se encontra na Série A, o Fortaleza lidera a Série B e o Ferroviário é o atual campeão da Série D.

Tais resultados eram pouco prováveis há um tempo atrás, visto que o Ferroviário se encontrava na segunda divisão do Campeonato Cearense, em 2016, enquanto Fortaleza estava na Série C e o Ceará na Série B do Brasileirão, em 2017.

Jogadores do Ferroviário comemoram o título da Série D do Brasileirão, em 2018. Foto: CBF

Newton Pereira, 42, vice-presidente do Ferroviário, acredita que, quando o clube fornece uma estrutura de qualidade, o atleta pode desenvolver seu máximo potencial. “À medida que o clube proporciona boas condições estruturais, o atleta terá condições de desenvolver seu trabalho, sem outras preocupações, mantendo o foco somente na competição que está disputando”, explica.

Já Fuscão Freitas, 54, treinador das categorias de base do Fortaleza, elogiou as melhorias do clube e acredita que elas influenciam diretamente no crescimento do desempenho da equipe em campo. “Na parte do futebol amador, nós estamos muito bem. Conseguimos uma estrutura melhor, o que não tinha antes. Nós temos uma assistente social, uma psicóloga, temos um analista de desempenho só para a base. Antes nós não tínhamos nada”, comenta.

André Almeida, 25, jornalista esportivo, acredita que as gestões dos clubes cearenses são responsáveis e com uma visão ampla, que buscam uma estruturação de forma profissional dos clubes em todos os setores. “Com esse suporte, tendo melhores condições, é claro que os resultados aparecerão dentro de campo. Todo jogador sempre fala que o clube que oferece todas as condições é muito melhor de trabalhar”, discorre.

Prova disso é o sucesso esportivo dos clubes que têm os melhores centros de treinamento do mundo, de acordo com o portal europeu Celebreak, que colocam os CT’s de Real Madrid-ESP, Manchester City-ING, Barcelona-ESP, Sporting-POR e Manchester United-ING como os 5 melhores.

Influências externas na modernização

Por estarem dentro de um processo de modernização, os clubes cearenses utilizam referências de outros estados. Segundo os entrevistados, o Ceará busca dialogar sempre com o Atlético Paranaense-PR e com a Chapecoense-SC, enquanto o Fortaleza se inspira no Palmeiras-SP, no São Paulo-SP e no Cruzeiro-MG. Já o Ferroviário, que possui menos recursos, vê no CSA-AL um bom exemplo.

A estrutura do Palmeiras é referência para muitos clubes do Brasil. Foto: Fábio Menotti/Palmeiras

O jornalista André Almeida vê a presença de Ceará e Fortaleza na primeira divisão como fundamental para o avanço do processo de profissionalização desses clubes. “A maneira que eu penso que eles possam evoluir ainda mais, para chegar mais perto das equipes dos grandes centros, Rio-São Paulo e Sul, é permanecendo na primeira divisão, onde eles poderiam ter mais visibilidade, ter maiores patrocínios, ter maiores cotas televisivas. Isso vai permitir que o clube faça maiores investimentos”, disserta.

Aspectos para melhorar

Centro de Treinamento Ribamar Bezerra, projeto de modernização do Fortaleza para o futuro. Foto: Fortaleza Esporte Clube

Eduardo Gurgel, 42, diretor administrativo do Ceará, vê os investimentos estruturais do clube como uma aplicação no sucesso futuro. “A construção do ginásio é uma fonte de renda futura, que vai nos dar condições de buscar futuros atletas. Hoje, o futsal do clube já fornece atletas para a base do campo. São os investimentos que o clube tem feito em prol de uma melhoria geral do esporte do clube”, analisa.

Já o vice-presidente do Ferroviário, Newton Pereira, acredita que o clube necessita de mais aplicações na sua estrutura para obter sucesso no futuro. “No Ferroviário, especificamente, precisamos ainda avançar na construção de mais um campo adicional. Melhorias no departamento médico e de fisioterapia. Além de buscarmos um crescimento tecnológico na fisiologia”, avalia.

Enquanto isso, o jornalista André Almeida crê que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Federação Cearense de Futebol (FCF) deveriam ter uma participação mais ativa na modernização dos clubes cearenses, com investimentos relevantes. “Eles deveriam sim ter maior preocupação com isso, maiores investimentos, uma parcela da arrecadação poderia ser destinada aos clubes, de forma a estimular o desenvolvimento, não só dos clubes grandes, mas também dos clubes pequenos, que não têm muito suporte. Eu acho que eles deveriam ter um papel mais ativo”, reivindica.

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