Intervenção artística no Dragão do Mar pode se tornar permanente

Por Letícia Serpa

Um público eclético é atraído pelo Centro Cultural Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza, lugar que reúne cultura, diversão, arte e festas. O local vinha sendo visto como um ambiente perigoso, afetado pelo tráfico de drogas e pela presença de assaltantes. Além disso, a área não era restaurada há anos e estava ficando saturada pelos frequentadores do espaço.

Intervenção artística no Dragão do Mar. Foto: reprodução.

Com o apoio da Iniciativa Bloomberg de Segurança Viária, a Prefeitura de Fortaleza deu início, no dia 4 de agosto, ao Projeto “Cidade da Gente”, que permanece até hoje e consiste em uma restauração dos arredores do Centro Cultural. “O objetivo principal da intervenção é mostrar que as vias do espaço público podem ser utilizadas de uma outra forma. Ao invés de priorizar os veículos, priorizar os pedestres”, explica Dante Rosado, consultor da Iniciativa Bloomberg e um dos coordenadores da intervenção.

Rosado relata que a transformação trouxe uma série de atividades que ativaram os espaços restaurados e que mostraram como podem ser ocupados. “Ali já é uma região com certa quantidade de atividades culturais e de lazer, entretanto, o espaço viário não era adequado para acomodar essas pessoas. Então nós alteramos o desenho urbano daquela via, com o objetivo de dar mais segurança aos pedestres. Dessa forma, eles naturalmente passaram a ter preferência nas travessias”, ressalta.

O projeto prolongou as calçadas e diminuiu a quantidade de faixas na rua, com o intuito de os veículos passarem a transitar com menos velocidade. O consultor garantiu que, para a realização da intervenção, só foram necessários baldes de tinta, jarros para plantas e muita disposição dos voluntários. “O projeto foi realizado de forma manual por voluntários. A tinta foi doada pela Hidracor e pela Prefeitura junto com a Iniciativa Bloomberg e com uma série de parceiros”, relata.

Helena Débora, frequentadora do Dragão do Mar. Foto: arquivo pessoal.

O consultor afirma que os próprios comerciantes locais elogiaram o projeto e a maioria dos visitantes se encantou com a mudança na estética do espaço, que adquiriu muito mais representatividade. “A gente fez pesquisa no local e os resultados preliminares foram bastante positivos, nós colocamos um totem no local onde as pessoas podiam opinar e a grande maioria entendeu que o pedestre tem que ser priorizado naquela região”.  

A assistente, Helena Débora, 19, frequentadora assídua do ambiente, foi uma destas pessoas. Ela visitou o local nos primeiros dias da intervenção e admitiu que a renovação do espaço foi muito importante para o turismo, comércio, lazer e, consequentemente, para a segurança. “Muita gente estava deixando de frequentar o espaço por causa da criminalidade e desorganização”, afirma.

Órbita Bar

Para o coordenador Dante Rosado, o projeto contribuiu para segurança local, pois a circulação de pessoas, ativa o espaço e põe frequentadores na região. O consultor afirma que ali já era um local com bastante fluxo de pessoas, por causa das boates e do Centro Cultural, mas muito específicos. “Com as atividades, a gente conseguiu trazer pessoas em vários horários, muita gente foi visitar somente para conhecer a intervenção, isso, de certa forma, traz segurança para o local, porque quanto mais gente circulando, menos ocorrência de determinados tipos de delitos”, esclarece.

Evento “Órbita no ‘mei’ da rua”. Foto: reprodução.

Um exemplo disso, foi a casa noturna Órbita Bar que utilizou a intervenção como forma de estimular o seu espaço. A boate fez a intervenção “Órbita no ‘mei’ da rua” que ampliou a área do local, tornando a calçada, dos arredores da casa, parte de seu ambiente. Desta forma, o lugar abriu suas portas e promoveu muitos eventos durante esta intervenção, como, shows de bandas locais gratuitos e fez uma parceria com a hamburgueria “El Chancho” que se fixou no local durante o projeto.

Permanência

Dante Rosado, consultor da Iniciativa Bloomberg e um dos coordenadores da intervenção. Foto: arquivo pessoal

Segundo o consultor, o desafio agora é tornar a medida fixa. “Nós estamos vendo meios com a Prefeitura e recebemos a missão de estudar formas e o custo dessa intervenção para torná-la permanente, mas precisamos fazer alguns ajustes”, admite. Dentre eles, Dante cita a necessidade de conversões nas esquinas, onde veículos de grande porte, como, ônibus e caminhões trafegam diariamente. Para isso, o desenho urbano do lugar deve ser alterado, para não atrapalhar a circulação de veículos.

Outro ajuste necessário, é o tráfego de veículos pesados, que vêm do porto do Pecém e não podem seguir pela Monsenhor Tabosa. “Eles descem na Avenida Almirante Barroso, pegando a Abolição e indo até o Porto do Pecém, então nós também estamos estudando uma forma de desviar esses veículos pesados de lá, além disso, durante à noite, a operação de embarque e desembarque também não está funcionando direito”, comenta.

Expansão

Rosado fala sobre a possibilidade de expandir a intervenção, por causa da grande repercussão do projeto até a área do Estoril. “Dentro dessa solicitação de tornar o projeto permanente, também nos foi solicitado uma forma de expandir e fazer com que esse projeto chegasse com a mesma identidade até a Praia de Iracema, conectando as intervenções”, explica.

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