Evento promove a luta por direitos femininos

Por Carolina Meneses 

 

O curso de Jornalismo da Universidade de Fortaleza trouxe, na manhã de ontem (11/03), o Papo Debate intitulado “Ser mulher”, sob a responsabilidade da professora Ana Paula Farias e estudantes como parte das atividades da disciplina de Jornalismo Comunitário. O evento contou com a participação das convidadas Gabi Dourado, jornalista e pós-graduada em Moda e Comunicação, atuando hoje como editora temática da área de cultura e entretenimento e professora pós-graduada da Unifor; Lana Nóbrega, doutora em Ciências Sociais, mestre em Psicologia, jornalista e pesquisadora nas áreas de gênero, psicologia e literatura; e a cantora e atriz  Adna Oliveira.

Da esquerda para direita: Gabi Dourado, Adna Oliveira, Ana Paula Farias e Lana Nóbrega

O objetivo é enfatizar a luta das mulheres por seus direitos focando na união, força e na diferença que elas podem fazer na sociedade. Ana Paula pensou o evento  para passar essa ideia aos alunos e exemplificando o que cada mulher, com sua maneira de pensar e sua sede de mudança, poderia contribuir para o crescimento das estudantes em relação ao empoderamento e formação de uma mentalidade de igualdade de gênero.

Março é um mês que debate e trata questões sobre direitos das mulheres por meio de figuras públicas atuantes e ativistas na pauta que usam de suas experiências de vida para gerar reflexões nas pessoas. A insegurança causada pelo sistema e como a união pode ser feita mesmo com a diversidade de pensamentos foram dúvidas das ouvintes. 

O professor Alejandro Sepúlveda, do curso de Jornalismo, esteve presente ao evento e disse que considerou o debate oportuno. “É  um tema que ainda precisa ser amplamente tratado pela nossa sociedade. Em um ambiente universitário, com maior razão devemos criar oportunidades para refletir sobre a situação da mulher na nossa sociedade contemporânea.”

“Ser mulher: gratificante em se ver pelo o olhar do outro !” 

É com essa frase que a jornalista Gabi Dourado iniciou o debate. Quando chega o dia 08/03, Dia Internacional da Mulher, a sociedade tenta representar o significado da data de muitas formas, como em quadrinhos, eventos, ações sociais, esquecendo a importância de antes e depois deste dia. Nas suas colunas, Gabi foca no significado da mulher, sem esquecer dos preconceitos dos leitores em relação aos padrões de beleza exigidos pela sociedade. Ao trabalhar no Zoeira, coluna de entretenimento, moda e arte do veículo de notícias Diário do Nordeste, sua missão é passar a real imagem feminina, e para ela, isso vai bem além do que  apenas a beleza. Ao cobrir uma semana de moda em São Paulo, evidenciou várias personalidades, como a de uma idosa de maiô, por exemplo. Gabi valoriza a individualidade de cada uma em seus trabalhos. 

“O que eu espero é que cada mulher compartilhe o que já sabe, pois a experiência nos ensina. Fazendo uma rede poderosa de transformação, seja social, emocional e criando outros espaços. Valorizar e reconhecer o nosso valor, e que jamais saiamos dos locais que estamos, e sim conquistar novos !”, afirma Gabi Dourado.

Lana Nóbrega iniciou sua fala abordando que cada corpo passa por narrativas, ocupando espaços e contando histórias, sendo perspectivas que nos definem. Aos 29 anos de idade, Lana assumiu a sua homossexualidade e investiu em um blog  que a ajudou a lidar com a sociedade, recebendo muitos e-mails de muitas mulheres que estavam na mesma situação que ela. “Por que o feminino tem que ser achatado pelo masculino? Até um profissional especializado em sexualidade feminina, passa por problemas”, afirma Lana exaltando que as mulheres devem lutar por seus direitos. 

“Um evento como este é importante, pois precisamos discutir o feminino na sociedade visto que somos atravessadas por séries de elementos sociais que nos oprimem e limitam. A união do debate feminino à comunidade acadêmica se torna frutífero” – Lana Nóbrega. 

Adna Oliveira começou relembrando seu passado. Ela teve uma infância precária, mas a teimosia e a curiosidade a ajudaram na busca por educação. Tinha o pai como referência, pois gostava muito de ler. Na adolescência, Adna não queria ser igual às mulheres do seu entorno. Para isso, estudou e alfabetizou pessoas em sua casa. Sua principal influência foi a cantora Elza Soares,  uma figura forte e que não abaixa a cabeça. 

Adna cantou um pouco da música opinião, de Zé Keti, pois disse ser uma música importante na sua trajetória de vida e profissão, já que tinha problemas em aceitar a sua voz. A música trata de resistência, o que inspirou Adna a acreditar em seu potencial, esquecendo a timidez e as limitações impostas pela sociedade. Hoje, ao cantar, suas músicas abordam o universo feminismo com um clima de esperança. “Precisamos estar unidas, aprender a nos amar e dar a mão de verdade para outras, esquecendo todos os estereótipos e olhar para o ser mulher”, enfatiza. 

“Se não tem água

Eu furo um poço

Se não tem carne

Eu compro um osso

E ponho na sopa

E deixa andar”

 

Zé Keti.

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