Coronavírus: a vida no isolamento italiano

por Yasmim Rodrigues 

Yasmim Rodrigues no Coliseu, um dos principais pontos turísticos de Roma.

O novo coronavírus mudou drasticamente o clima na Itália nos últimos dias. O país, que é o  mais afetado pela doença originária da China, adotou medidas extremas de prevenção para tentar conter o avanço exponencial do vírus no País. Na noite de segunda-feira, 9 de Março, o primeiro ministro da Itália, Giuseppe Conte decretou que todo o país estaria em zona vermelha e portanto, a circulação entre as cidades italianas e as aulas em escolas e universidades estavam suspensas até o dia 15 de Março. 

O decreto expressa a preocupação do governo com a pandemia que, até o momento de produção desta matéria, já deixou mais de mil mortos em toda a Itália, sendo em sua maioria idosos. Com o agravamento da situação, o decreto foi estendido até o dia 3 de Abril e somente tem autorização para permanecer abertos os supermercados e as farmácias. Desde então, a atitude das pessoas, mesmo nas cidades menos afetadas, mudou de forma perceptível.

 

Cidade Fantasma

Fila de pessoas esperando para entrarem no supermercado em Roma. Foto: Yasmim Rodrigues.

Em Roma, há 62 casos confirmados de Coronavírus, dos quais 18 se encontram em terapia intensiva. Em toda região do Lazio, onde fica localizada a capital italiana, são 144 casos confirmados. Mesmo não sendo a região mais afetada, desde o início do decreto, é possível encontrar filas para entrar em supermercados, que, em alguns casos, já estão com prateleiras vazias. “No supermercado só podia entrar 15 pessoas por vez. Passei duas horas esperando para entrar. Lá dentro, algumas pessoas estavam agindo como se fosse o apocalipse e compravam comida para estocar,” conta Lara Ferreira, 19, brasileira, estudante de intercâmbio em Roma.

Na capital italiana, restaurantes, bares e salões de beleza não podem abrir para evitar aglomerações de pessoas. Parques, jardins e os museus do Vaticano estão fechados e as missas canceladas. As ruas e os pontos turísticos estão vazios, os transportes públicos circulam com restrições e a recomendação é que todos devem permanecer em suas casas, exceto casos de trabalho ou emergências. Desse modo, quem é pego desrespeitando o decreto pode acabar sendo punido com uma multa ou ainda, preso. “Eu acho que a situação está bem complicada, sendo uma intercambista, a minha família não está aqui e sair com os amigos se tornou o centro da minha vida, e agora tenho medo de sair e ser multada. Entendo o porquê da multa, mas acho muito severa, ninguém quer pagar 250 euros por sair de casa.” desabafa a finlandesa Ella Siltanen, 20, estudante de intercâmbio em Roma.

Dificuldades para sair do país

Apesar da zona vermelha, é possível sair da Itália se apresentada uma justificativa. O retorno ao país natal é uma das razões aceitas para deixar o país. Porém, conseguir a autorização para ir embora, não significa que esteja sendo fácil voar para longe do problema.

Voos estão sendo cancelados a todo momento e países como Estados Unidos, Áustria e Portugal não estão mais recebendo voos da Itália. Além disso, outras nações como Sérvia, Polônia e Espanha estão suspendendo voos ou limitando o acesso dos que vem do país. “Eu tinha um voo para Madrid e foi cancelado, pois a Espanha fechou a fronteira. Então, mudei o voo para Lisboa-Madrid e houve outro cancelamento porque Portugal fechou a fronteira. Tive que comprar um voo para Paris – Madrid – Assunção.” relata Javier Veras, 18, estudante de intercâmbio em Roma que escolheu voltar para casa mais cedo.

O epicentro do caos

As cidades mais afetadas pela Covid-19 estão localizadas no Norte e principalmente na região da Lombardia, onde 4427 casos estão confirmados. A região foi a primeira a decretar emergência, o Carnaval de Veneza foi cancelado e cidades como Florença e Milão estão com restrições para locomoção há mais tempo do que o resto do país. De acordo com o brasileiro Anderson Montenegro, 21, estudante de intercâmbio em Milão, a situação da cidade já está complicada desde o início do mês de Março.

Ruas estão vazias em Roma. Foto: Yasmim Rodrigues.

“As escolas, universidades, museus e baladas foram fechados, mas o comércio estava normal, a gente estava na expectativa que as coisas fossem voltar ao normal no meio do mês de Março. Mas, teve o decreto e os hospitais já estão todos sobrecarregados e não tem condição de receber nenhum paciente doente.” O estudante conta ainda que, atualmente, o comércio está fechado e há muita polícia na rua fiscalizando os motivos pelos quais as pessoas estão saindo de casa “A cidade está parada” afirma.

Impacto econômico

Toda a situação da Itália mudou rapidamente e a economia foi um dos campos mais afetados pela pandemia. Com a chegada da primavera no dia 20 de Março, esperava-se que o turismo no país aumentasse e por conta do novo coronavírus, o país enfrenta risco de recessão.

Além disso, o preço de certos utensílios estão aumentando. Máscaras e álcool em gel, quando são encontrados, são vendidos a preços altos. O governo italiano anunciou que irá injetar 28,3 bilhões de euros para tentar aliviar o impacto econômico, número que aumentou desde a semana passada, quando o valor anunciado era de 7,5 bilhões.

Apesar do pânico que paira no ar das cidades italianas atualmente, a maior parte das pessoas acredita que a situação estará sob controle em breve e torcem para que a rotina volte ao normal “Eu quero voltar pra Roma para terminar meus estudos, espero que o governo libere as aulas somente quando a situação estiver sob controle” explica a estudante polonesa Karolina Drobisz, 24, que escolheu retornar à Polônia até a situação da Itália se normalizar.

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