A mulher dona de sua história

por Sarah Viana

As estruturas de ferro carregam junto enormes fotografias que mostram, de longe, mulheres. Andando pela exposição O que não nos disseram,  é possível enxergar e analisar as histórias, até então desconhecidas, de mulheres que foram vítimas de violência. Usando a interatividade como aliada, além das lindas fotografias, pode-se conhecer os mais diversos tipos de violências: a sexual, patrimonial, psicológica, física e moral.  

A exposição O que não nos disseram. Foto: Sarah Viana.

As fotografias foram produzidas por importantes nomes do cenário fotográfico cearense, como Delfina Rocha, Camila Almeida, Lia de Paula, Natália Marxx, Natália Rocha, Andréa Peixoto, Caroline Sousa, Marcella Elias, Tay Moreira e Roberta Martins. Todas mulheres que retrataram a alma de outras mulheres em fotografias únicas e simbólicas, que apesar de suas grandezas e belezas, carregam dentro de si a superação de uma etapa de suas histórias que ficarão marcadas para sempre em suas memórias.

A Lei Maria da Penha acolhe todas as mulheres que passaram pela violência doméstica, sejam elas negras, brancas, trans ou cis, pobres ou ricas. Em uma sociedade que oprime o gênero feminino, que tira a liberdade de ir e vir e vive em constante insegurança, a jornalista Andressa Meireles conseguiu trazer para o público histórias de mulheres fortes e transformar a abordagem da violência contra a mulher. “A gente, infelizmente, tem um estereótipo da mulher vítima de violência e acha que só acontece na casa do vizinho, esse vizinho morando num bairro bem distante”, comenta.

A idealizadora do projeto e jornalista Andressa Meireles. Foto: Sarah Viana.

A idealizadora do projeto descreve a exposição como uma espaço para dar voz e informação, mas também um espaço de educação social. Com a frase “Nos disseram que a violência contra a mulher é crime, mas não nos disseram o que é violência”, Andressa propõe para o projeto a informação sobre a violência e a sobrevivência. Vivendo em um país onde as mulheres são violentadas a todo momento, sem a consciência de que estão, em que há 536 casos por hora no Brasil, de acordo com o levantamento do Datafolha feito em fevereiro de 2019 encomendada pela ONG Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), a exposição se faz mais que necessária. 

A jornalista, que também foi vítima de violência doméstica, queria que as fotografias se tornassem um espaço de troca e de acolhimento. “É para além da violência, eternizada em um lugar de força, de beleza, de informação, de liberdade”, comenta. O público que passa por lá, além de conhecer as histórias de 14 mulheres, conhecem mais sobre a Lei Maria da Penha, viabilizando também a violência contra mulheres trans e mulheres que passaram por isso em relacionamentos homoafetivos. “Isso não é mimimi, isso não é briga de casal, isso é crime. E se a gente não entender o que é violência, a gente não entende o que é crime”, explica. 

Pesquisa feita em 2019. Fonte: ONG Fórum Brasileiro de Segurança Pública e Datafolha. Infográfico por Diuly Moreira.

A exposição “O que não nos disseram” está desde o dia sete de março e encerrará na próxima terça-feira, 17, no Shopping Rio Mar Fortaleza. Além do shopping, as pessoas podem ver a exposição na Defensoria Pública do Estado do Ceará, que deve ficar até o fim do mês de Março.

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