Uso crescente do Pix movimenta comércio de ambulantes na Universidade de Fortaleza

Por 14/02/2025
Uso crescente do Pix movimenta comércio de ambulantes na Universidade de Fortaleza

Os comerciantes aceitam este meio de pagamento; alguns destacam o quanto ele já é indispensável e tende ampliar-se. Nos últimos quatro anos, a movimentação bancária chegou  a uma cifra de 60 trilhões de reais

Por Aloísio Martins

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), aproximadamente, 39 milhões de trabalhadores brasileiros vivem na informalidade contábil, e mesmo, na bancária, pois usam contas de terceiros. A finalização destes dados ocorreu em dezembro de 2024, mas o órgão federal tornou-as públicas em 12 de fevereiro de 2025.

E mais: muitos, até poucos anos, eram “desbancarizados”, estavam ausentes do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), mantido pelo governo federal e não recolhiam contribuições ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). O Pix e os bancos digitais, entretanto, modificaram tal quadro e abriram novas possibilidades de organização comercial.

Na Universidade de Fortaleza (Unifor), o Pix é fundamental. O retorno das aulas em 1º de fevereiro manteve inalterada a movimentação se comparado a 2024, e até registra-se aumento. Para Francisco Daniel Menezes de Araújo, vendedor de guloseimas e pipocas, de 45 anos, que desde os sete anos já auxiliava o pai-ambulante na Unifor, e está com 22 anos de labuta perto do Teatro Celina Queiroz, houve um aumento próximo de 50% no uso do Pix.

Antônio Quirino do Vale, 82 anos, 25 anos de Unifor, concorda com Daniel: o Pix trouxe uma facilidade até então inexistente, atraiu mais clientes, principalmente, os masculinos e facilitou nas negociações, pois ficou sem a preocupação de ter dinheiro “trocado”, quando vende cigarros, biscoitos e café. Os homens costumam consumir mais cigarros que as mulheres, destacou “seu Antônio”.

Para José Nascimento Souza, 54 anos, 10 anos de trabalho próximo à praça de alimentação do campus, o Pix continua com bastante “saída”. Ele, ainda, utiliza-se das “tecnologias modernas”: as máquinas de crédito e de débito, porém, reclamou das “altas” taxas cobradas pelas administradoras das “maquinetas”, entretanto, o “Zé” acredita na continuidade desta forma de pagamento, pois como os demais ambulantes, afirmou ser mais uma forma de atrair o público jovem às vendas de café, água, chocolates e bolos industrializados.

José Aires de Sousa, 62 anos e 44 anos a serviço da Unifor, disse que trabalhou, de início, no restaurante e na segurança da universidade, depois passou à condição de vendedor. Nela está há 20 anos e, sempre, no bloco do curso de Direito. Como os demais, aceitam o Pix e optou pelas “maquininhas”. E, assim, como José Nascimento é contra a “grande” cobrança das taxas das administradoras de cartão, para disponibilizar o acesso à “modernidade” financeira.

Ao criar em novembro de 2020 o Pix (Pagamento Instantâneo), o Banco Central do Brasil (Bacen) incluiu no sistema financeiro formal os sem bancos, mas também os colocou no radar de observação da Receita Federal. Dos entrevistados, apenas José Aires de Sousa pretende se registrar como Microempreendedor Individual (MEI), e ficar “tranquilo” caso venha a ser fiscalizado.

O Bacen divulgou, em 12 de fevereiro de 2025, as transferências por Pix. atingindo nos últimos quatro anos R$60 trilhões, cifra nunca alcançada por outro meio de transferência bancária. Os dados envolvendo pessoas físicas e pessoas jurídicas mostram que há dois anos 26% das transferências eram de pessoas físicas para empresas e 64%, entre pessoas físicas.

Em 2024, as transações tornaram-se quase equivalentes: 45% entre pessoas físicas e 42% de pessoa física para pessoa jurídica. Registros do Bacen destacam os setores com maiores volumes recebidos via PIX no ano passado: comércio varejista, comércio por atacado (exceto comércio de veículos e motocicleta), serviços de pagamentos bancários e serviços de escritório e cartoriais.

Fotos: Aloísio Martins

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