Encontro reuniu autoridades para debater ética, IA, deep tech e cooperação internacional a partir de experiências da Alemanha, Suíça, Finlândia e Bél
Encontro reuniu autoridades para debater ética, IA, deep tech e cooperação internacional a partir de experiências da Alemanha, Suíça, Finlândia e Bélgica no Ceará
Por Leonardo Piccinini

“A diplomacia científica amplia o diálogo entre os povos e aproxima a sociedade civil, acadêmica e política em torno do desenvolvimento humano”. Com estas palavras, o reitor Randal Pompeu, da Universidade de Fortaleza (Unifor), destacou a importância da mesa redonda Jornada de Diplomacia Científica e Cooperação Internacional na tarde desta segunda-feira, 20.
Centrada na inovação, ética e sustentabilidade, o tema faz parte da programação da 3ª Semana da Internacionalização da Unifor. A mesa redonda foi composta por Marlene Pinheiro Gonçalves (Cônsul Honorária da Alemanha), Monika da Silva Marte (Cônsul Honorária da Suíça), Ricardo Bacelar Paiva (Cônsul Honorário da Bélgica) e Henrique Colin de Soárez (Cônsul Honorário da Finlândia).
Ao abrir as apresentações, Marlene relatou a experiência alemã na construção de uma sociedade baseada na justiça animal dentro da ética constitucional. Segundo a Cônsul, o país passou de uma visão puramente antropocêntrica para um reconhecimento do valor intrínseco da vida animal.
“Esta evolução reflete uma profunda mudança na Grundgesetz (Lei Fundamental Alemã)”, afirma. Marlene explica que, ainda no Século IX, a proibição de crueldade pública foi instaurada. Entre outros marcos, em 1994 o país declarou proteção dos fundamentos naturais da vida.
Em 2002, uma simples reforma, cuja mudança pode ser definida em três palavras, definiu a Lei Fundamental. “Proteção dos fundamentos naturais da vida… e os animais”.
A Cônsul da Suíça, Monika Marte, diz ser um produto da educação de seu país natal. “Uma sociedade igualitária, baseada na segurança, no ensino e na pesquisa, que atrai os melhores cérebros do mundo”, define.
Monika explica que a produção avançada, especialmente em áreas como biotecnologia, robótica e engenharia, e trabalhadores altamente qualificados, fizeram com que a Suíça se tornasse uma líder global em deep tech. “Impulsiona startups a gerar mais de US$100 bilhões. Somos uma combinação única de fatores educacionais, econômicos e políticos”, finaliza.
Com muito bom humor, Ricardo Soárez, trouxe um breve resumo histórico da Finlândia, destacando o Período Sueco e o Grão-ducado no Império Russo, até definir o que é o país atualmente: “Um pequeno que pensa grande”.
O Cônsul destaca a meta nacional de investimento em Pesquisa e Desenvolvimento até 2030. “Diante da escassez de recursos naturais, o conhecimento tornou-se o principal ativo de projeção internacional da Finlândia”, disserta.
Soárez trouxe, ainda, a estratégia de IA do país, baseada no conhecimento de massa. “A Finlândia percebeu que a IA precisava ser democratizada, e investiu mais de 25 milhões de euros na difusão do conhecimento para o mundo inteiro.
“Trata-se do maior programa de alfabetização em IA do planeta. Participantes em mais de 170 países, e traduzido para todos os idiomas oficiais da União Européia (UE)”, detalha.
Por fim, o Cônsul Honorário da Bélgica, Ricardo Bacelar, trouxe a potencialidade da relação com o Brasil, ainda mais tratando-se do território neutro belga. “No novo contexto geopolítico, a cooperação internacional é cada vez mais importante”, afirma.
O Cônsul ressaltou o respeito e a pluralidade presente em todo o território belga. “Três regiões distintas, completamente diferente uma das outras, que, contrariando a lógica mundial, se entendem e conseguem formar um novo governo a cada quatro anos”, explica.

COMMENTS