Unifor foca formação de jornalistas baseada no pensamento crítico e no compromisso com a verdade

Por 05/06/2026
Unifor foca formação de jornalistas baseada no pensamento crítico e no compromisso com a verdade

O coordenador Wagner Borges explica como o curso de Jornalismo alia verificação digital, interdisciplinaridade e prática em laboratórios para enfrentar a desinformação

Por Redação NewsLink

A desinformação deixou de ser um problema periférico para se tornar um dos maiores desafios do século XXI. Em um ecossistema digital inundado por notícias falsas, algoritmos opacos e discursos de ódio, formar jornalistas exige mais do que ensinar técnicas de apuração e redação. Exige forjar profissionais capazes de atuar como instituições de verificação, munidos de pensamento crítico e compromisso inegociável com a verdade factual. É com essa convicção que o Curso de Jornalismo da Universidade de Fortaleza estrutura sua proposta pedagógica. Sob a coordenação do professor Wagner Borges, a graduação aposta no que ele chama de “incentivo metódico da dúvida” como pilar central da formação.

Confira, a seguir, a entrevista exclusiva:

NewsLink: Em um cenário de desinformação e pós-verdade, quais competências o Curso de Jornalismo da Unifor prioriza para formar profissionais com senso crítico e responsabilidade social?

Wagner Borges: O Curso de Jornalismo da Unifor, que chamamos de Jornalismo Unifor, obviamente está comprometido institucional e programaticamente com o senso crítico e a responsabilidade social que transgridem, no bom sentido, o ensino ético técnico de apuração e redação.

Entre os vários desafios do jornalismo profissional, o cenário de pós-verdade alimenta o Jornalismo Unifor no compromisso de formar profissionais éticos, analíticos e capazes de atuar criticamente no ecossistema digital. Para isso trabalhamos algumas habilidades e competências, inclusive de vida, como o pensamento crítico e epistemológico da informação onde a capacidade de questionar fontes, dados e narrativas, compreender os mecanismos de produção, circulação e recepção da informação, dominar o que é verdade, fato e interpretação, tudo alicerçado no incentivo metódico da dúvida que basicamente é verificar antes de publicar e refletir antes de opinar.

Nessa construção, investimos, e muito, na alfabetização midiática e informacional onde é fundamental identificar manipulações, enquadramentos e vieses cognitivos e assim compreender como funcionam os algoritmos das plataformas e seu impacto na opinião pública. Como entendemos que o jornalismo é uma instituição, contribuímos para educar o público para o consumo crítico de notícias. Isso se realiza por meio de competências técnicas e muita verificação digital. Nesse campo estamos alicerçados no NewsLink que é o espaço de prática e extensão do Jornalismo Unifor onde nossos profissionais em formação aprendem a dominar técnicas de checagem de fatos (fact-checking) e OSINT (Open Source Intelligence) usando ferramentas de verificação de imagens, vídeos e dados e desafiados a lidar com grandes volumes de informação.

Como inspiração e destino, a ética e responsabilidade social do Jornalismo balizam as discussões sobre dilemas contemporâneos, como discurso de ódio, desinformação e IA generativa. O esteio desses debates está na compreensão do papel social do Jornalismo como serviço público vocacionado para a formação de uma consciência cidadã e comprometida com a pluralidade democrática. Nesse caldeirão temos como base uma educação interdisciplinar e cultural que se articula integrada com áreas como Filosofia, Sociologia, Ciência Política, Psicologia Cultural e muita tecnologia que ajudam no entendimento do contexto histórico e cultural das narrativas. E tudo isso por meio de muita leitura crítica das representações sociais e dos discursos de poder.

Como resultado, nosso egresso domina uma comunicação empática, diversa que valoriza a escuta ativa e o diálogo desenvolvendo sensibilidade para narrativas inclusivas e representativas, o que gera um capital de confiança em contextos polarizados.

Wagner Borges, coordenador do curso de Jornalismo da Universidade de Fortaleza | Foto: Zé Vitor ASCOM/TJCE

A formação vai muito além da sala de aula. Na Unifor, a técnica caminha lado a lado com uma compreensão profunda do papel institucional do Jornalismo. Essa base se desdobra em outro fenômeno que chama a atenção: o crescente interesse de profissionais já consolidados em outras áreas, que enxergam no Jornalismo uma segunda graduação estratégica para ampliar seu impacto social e sua capacidade de comunicar o conhecimento adquirido ao longo da carreira.

NL: Nos últimos anos, temos visto profissionais de áreas muito distintas se ingressando por Jornalismo como segunda graduação. A que você atribui esse movimento e como o curso da Unifor acolhe esse perfil de aluno mais maduro e multidisciplinar?

WB: A partir dos relatos que tenho de ex-alunos, hoje colegas, uma segunda graduação costuma ser uma experiência transformadora para quem já vem de uma trajetória consolidada em outra área, justamente porque o Jornalismo atua na interseção entre conhecimento técnico, reflexão ética e leitura crítica da sociedade e isso se dá em três dimensões: técnica, ética e crítica, de como essa formação pode ampliar o olhar e a atuação profissional que vem de outras áreas, como Direito, Educação, Tecnologia, Artes, Esportes, Estratégia, Meio Ambiente, História, ou mesmo Marketing e Administração. Ou seja, repertórios especializados.

O Jornalismo oferece ferramentas para traduzir esse conhecimento para o público com clareza, rigor e responsabilidade, primeiro pela competência adquirida que é o domínio da linguagem jornalística, ou seja, o texto, som, imagem e dados. Acrescento a capacidade de transformar saber técnico em narrativa compreensível e socialmente útil. Como exemplo, um arquiteto que aprende técnicas de reportagem pode explicar questões ambientais ou urbanas com mais profundidade e sensibilidade social no seu ambiente laboral e entorno.

O que digo, em síntese, é que uma segunda graduação em Jornalismo ensina a comunicar o saber, não apenas a detê-lo e isso é um posicionamento ético aderentes ao Jornalismo porque oferece um novo eixo moral para quem já atua profissionalmente. Aprende-se que informar é também um ato político e social, e que cada escolha de pauta, fonte, imagem ou palavra molda percepções coletivas e cidadãs. No jornalismo profissional molda-se o sensível para os efeitos das narrativas no espaço público. O discente passa a refletir sobre como sua atuação, seja em que área for, contribui para o bem comum, a justiça e a transparência. Cito, à guisa de exemplo, uma servidora ou gestora pública ou mesmo uma pesquisadora que aprende princípios jornalísticos para repensar como prestar contas à sociedade e combater a desinformação institucional. Ou seja, o Jornalismo refina o senso de responsabilidade pública.

O que move esses profissionais não é apenas o desejo de uma nova carreira, mas a vontade de tornar visível o conhecimento que antes ficava restrito aos bastidores de suas áreas. É uma busca por voz pública, por impacto, por sentido. Essa dimensão técnica, ética e crítica, que transforma a segunda graduação em Jornalismo em uma experiência de ampliação de olhar.

NL: Como a segunda graduação em Jornalismo pode ampliar o olhar de quem já tem uma trajetória consolidada em outra área, seja pela técnica, pela ética ou pela leitura crítica da realidade?

WB: Eu entendo que muitos profissionais já consolidados buscam mais do que a especialização técnica da sua área original. Eles desejam comunicar, impactar, ter uma voz pública ou tornar visível algo que antes ficava “nos bastidores”. O Jornalismo oferece esse canal de expressão, narrativa e mediação entre o saber técnico e o público. Uma outra perspectiva é uma necessidade natural de fazer a ponte entre o conhecimento especializado e a sociedade. Vindos de áreas como Saúde, Tecnologia, Direito, Psicologia, Engenharia ou Ciências Sociais, há um repertório técnico que pode ser potencializado de forma acessível, aplicada ou com impacto social.

E, claro, a possibilidade de uma carreira híbrida ou complementar, plasmando o que se conhece por “dual skill” que a expertise da primeira área mais a capacidade de apuração, redação, mídia, narração de histórias. Esse perfil “multidisciplinar” valoriza-se muito em ambientes digitais, de assessoria de imprensa, de comunicação corporativa ou de jornalismo especializado.

Eu destaco que o Jornalismo Unifor acolhe e foi pioneiro em nosso mercado a oferecer perfil mais maduro e multidisciplinar por meio de atributos que me parecem especialmente favoráveis para quem vem de outra área como acreditação do Ministério da Educação (MEC), o maior HUB de laboratórios integrados de jornalismo e comunicação, convênios internacionais e integração com prática, o que favorece quem traz bagagem de outras áreas e quer uma formação mais ampla e sobretudo, um currículo que aposta na interdisciplinaridade e aplicação prática que permite ao nosso profissional em formação aplicar conhecimentos prévios, no caso, de sua área original, em contextos jornalísticos enfatizando a formação ética para a pesquisa e a extensão o que também potencializa a valorização da bagagem anterior. A própria concepção do curso como “jornalismo para múltiplas plataformas e contextos” favorece uma entrada de perfis diversos.

Wagner Borges, coordenador do Curso de Jornalismo da Universidade de Fortaleza, professor pesquisador do NEPCE Unifor e consultor em Comunicação Corporativa | Foto: Acervo pessoal

O Jornalismo Unifor aposta na solidez da formação crítica como diferencial. Mais do que preparar para o mercado, o curso reafirma seu papel na construção de um jornalismo que escuta, verifica e se responsabiliza pelo que publica em qualquer plataforma ou contexto, e que segue sendo a base de uma comunicação a serviço do interesse público.

Veja também