Suspensão unilateral de frotas do Sindiônibus aquece debate na Câmara Municipal de Fortaleza  

Por 30/09/2025
Suspensão unilateral de frotas do Sindiônibus aquece debate na Câmara Municipal de Fortaleza  

Parlamentares demonstraram insatisfação com a decisão arbitrária que afeta diretamente dez mil e quatrocentos usuários do transporte coletivo e exigem soluções urgentes

Por João Xavier

A Câmara municipal de Fortaleza recebeu nesta terça-feira, 30, o presidente da Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), George Dantas, para apresentação e debate das medidas que o Executivo tem planejado para suprir a demanda do transporte público depois de decisão unilateral do Sindiônibus de paralisar 25 linhas e reduzir a frota em outras 29. Além disso, parlamentares também protestaram exigindo explicações e críticas às decisões.

Leo Couto (PSB), presidente da câmara de vereadores, durante entrevista coletiva, destacou o momento como uma forma de mediar as exigências da população e, com apoio do poder Executivo, arquitetar medidas para garantir o direito de ir e vir para todos os cidadãos de Fortaleza.

“Ontem (29) nós passamos o dia conversando com o prefeito Evandro Leitão, que também foi surpreendido com essa paralisação”, disse o presidente. “Então, foi realmente um absurdo o que o Sindiônibus fez, punindo a população, tendo em vista as negociações em relação à tarifa e aos subsídios”, ressaltou.

O presidente reforçou a importância de criação de alternativas para que a população não fique dependente apenas de um sistema de transporte público. “A conversa hoje com a Etufor foi muito produtiva e a gente espera que, nos próximos dias, essa questão seja regularizada”, finalizou Leo.

De acordo com o Presidente da Etufor, George Dantas, a decisão do Sindiônibus representa uma quebra do acordo que a gestão vem realizando em torno das demandas da população em relação ao transporte público.

“A nossa equipe jurídica está reunida agora na Procuradoria Geral do Município, estudando as medidas contratuais que vamos tomar contra o Sindiônibus, bem como medidas para implementar uma operação emergencial nas ruas”, afirmou o gestor. George destacou que a redução da frota não é algo novo em Fortaleza, que já rodou com 1.700 ônibus, enquanto hoje o número se encontra em 1.200. O que surpreendeu a gestão e causou consternação foi o fato do Sindiônibus terem decidido isso de forma unilateral.

“Convocamos uma reunião com a cooperativa, com a Cootraps, que prontamente nos atendeu. Existe toda uma questão operacional que precisa ser verificada, a disponibilidade de uma frota extra”, apontou. 

Em nota oficial, a Etufor anunciou na tarde desta terça-feira,30, que a partir das 5 horas desta quarta-feira, 1, a linha 106 – Floresta Centro retoma operação em caráter emergencial, em horário reduzido, com frota e itinerário realizados por veículos da Cooptraps (Cooperativa dos Transportadores Autônomos de Passageiros do Ceará). A linha 020 – Campus do Pici também já havia retomado a operação igualmente em horários reduzidos. 

“A Prefeitura de Fortaleza está em diálogo com as empresas operadoras para garantir o pleno restabelecimento do serviço, priorizando o atendimento à população e a regularidade da operação”, disse a Etufor em nota. Nesta terça-feira, 30, de setembro, a demanda registrada nos terminais foi menor do que o previsto. Na segunda-feira, 29, o movimento chegou a 508 mil passageiros transportados “, finalizou. 

O líder do Governo, vereador Bruno Mesquita (PSD), qualificou a atitude do Sindiônibus como “inaceitável”, e reafirmou que “o povo de Fortaleza é maior do que qualquer sindicato”. O parlamentar detalhou os esforços de negociação que já estavam tomando caminho, colocando especificamente o diálogo com a Etufor, incluindo o transporte alternativo nas medidas e a realização de audiência pública para ouvir o Sindiônibus.

Bruno criticou com força a decisão do sindicato de paralisar as linhas de forma inesperada, “totalmente arbitrária” e destacando que foi feita sem “dialogar com a Etufor”. Bruno detalhou que as negociações ocorriam há meses, envolvendo o Governo do Estado, mencionando um aporte financeiro da prefeitura e a proposta de assumir 100% do ICMS do combustível, evidenciando indignação com a paralisação de 25 linhas. 

A medida abusiva levantou questionamentos e protestos sobre o domínio do Sindiônibus em relação a frotas que afetam diretamente o transporte coletivo e o cotidiano dos cidadãos.

Sérgio Chagas, técnico de audiovisual, revela insatisfação em seu depoimento: “com certeza, tem muitos lugares que a gente vai que não vão ter a facilidade do terminal para ir para um certo local… foi muito ruim” , lastimou. “E sem comunicar nada, né? Prejudica muito a população e passa uma imagem muito ruim do transporte público”, finaliza. 

O produtor de festas, Rogério Cartaxo, usuário também do transporte público, lamenta: “Afetou oh… porque se tu ver a demora, a espera, é o trânsito, atrapalha mesmo. Já vem diminuindo, aí vem ainda mais, fica ruim”. 

Parada de ônibus no final da tarde | Foto: João Xavier

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