Semana do Jornalismo : Desertificação e crise climática são debatidas em palestra sobre desafios ambientais

Por Redação Newslink 09/09/2026
Semana do Jornalismo : Desertificação e crise climática são debatidas em palestra sobre desafios ambientais

Durante o encontro, a jornalista e professora Maristela Crispim compartilhou experiências da COP17 e detalhou a participação brasileira nas negociações internacionais

Texto produzido por Eduarda Pompeu / Edição: Miguel Macedo

A Semana do Jornalismo recebeu, nesta quarta-feira, 9, a jornalista e professora Maristela Crispim para uma palestra sobre Jornalismo Ambiental, mediada pelo professor Miguel Macedo, ambos do curso de Jornalismo da Universidade de Fortaleza (Unifor).

O encontro reuniu estudantes para discutir a desertificação e seus impactos, além de abordar as experiências da professora na COP17.

A palestra teve início com a exibição de um vlog produzido durante os 15 dias em que Maristela esteve na Mongólia para acompanhar a COP17, conferência voltada à desertificação, realizada em Ulaanbaata, capital mongol, no período de 17 a 28 de agosto.

O vídeo apresentou aspectos da cultura local, como as tendas tradicionais, a culinária e a língua. A professora destacou que 77% do território da Mongólia estão atualmente afetados pela degradação do solo, seca severa e desertificação. Isto faz com que a preservação e a fertilidade do solo sejam questões importantes para a população. 

Ao longo da palestra, Maristela afirma que existe uma articulação para que as COPs se comuniquem, já que “elas têm sinergia entre si”. 

Ela também informou que os Estados Unidos não fazem mais parte da COP da Biodiversidade e da COP do Clima, porém permanecem na COP da Desertificação por enxergá-la como uma conferência ligada ao setor agropecuário.

Para a professora, embora a agropecuária dependa de um solo fértil para produzir, a tentativa de desconectar as conferências representa uma separação entre as pautas ambientais. Também criticou a tentativa de barrar a participação da sociedade civil, que, segundo ela, está “na ponta, não apenas sofrendo, mas produzindo soluções”.

Estudantes e jornalistas no auditório para palestra sobre desertificação, temática da COP17, na mangólia I Fotos: Eduardo Santos

Macedo destacou os dados do Boletim Temático sobre Desertificação do Governo Federal. De acordo com estas informações, “18% do território nacional está sujeito à desertificação e cerca de 39 milhões de pessoas foram impactadas pelo problema”. O professor destacou ainda que o impedimento da participação da sociedade civil como um dos entraves nas discussões, devido à oposição dos Estados Unidos a essa participação.

Ele também questionou se os avanços alcançados na conferência poderiam representar um resultado positivo para o país e contribuir para as próximas discussões.

Segundo Maristela, o principal desafio é financeiro. “A gente intensificou o aquecimento do planeta, a desertificação, e estamos correndo atrás do prejuízo.”

A jornalista destaca, portanto, a necessidade de recursos para enfrentar o problema. “Agora precisamos de dinheiro para tentar impedir o processo de degradação e reverter a degradação.”

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