Roberto Galvão ressignifica a paisagem nordestina e colore a flora típica sertaneja

Por 18/11/2024
Roberto Galvão ressignifica a paisagem nordestina e colore a flora típica sertaneja

A mostra Sertão Galvão: Polinizar com arte quebra o estereótipo do sertão de terra rachada ao apresentá-lo fértil e colorido

Por Eduarda Morais 

A beleza do sertão e a quebra do estereótipo estampam as obras do artista plástico cearense Roberto Galvão. A exposição Sertão Galvão: Polinizar com arte, em cartaz no Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará (Mauc), está aberta para visitação até o fim de novembro.

A mostra comemora os 60 anos de carreira do artista, como também homenageia os 50 anos da primeira exposição de Roberto Galvão no Mauc, realizada no dia 22 de agosto de 1974. 

Exposição de Roberto Galvão no Mauc / Foto: Catálogo da exposição Sertão Galvão: Polinizar com arte

À época, Zuleide Martins, a então diretora do museu, classificou o artista como “um dos mais destacados da sua geração”.

E Galvão se destaca por sua arte autodidata. Começou as intervenções artísticas quando ainda era criança, desenhando com lápis de cor ou grafite em folhas de cartolina ou até mesmo em tampas de caixa de sapato.

No catálogo exclusivo da exposição, Galvão detalha o processo de preparação para suas exposições, como também exibe algumas obras.

Roberto Galvão durante o processo de produção artística
Foto: catálogo da exposição Sertão Galvão: Polinizar com arte

O pintor descreve que, em 2009, iniciou suas intervenções artísticas inspiradas nas paisagens que contemplava, como a vegetação do caminho de Fortaleza para Sobral e o Maciço de Baturité.

Em suas obras, o artista retrata o sertão vibrante em cor e vida, longe da imagem da seca e de solo rachado. As flores, que desabrocham no período chuvoso, apresentam um sertão florido, com uma vegetação característica que é desconhecida para grande parte da população. 

O jardim de Galvão é repleto de folhas nativas do sertão nordestino, como as “flores do mato”, orquídeas, chantanas, antúrios e “damas da noite”.

Obra de Roberto Galvão, expondo o sertão colorido e com muitas flores
Foto: Catálogo da exposição Sertão Galvão:Polinizar com arte

Como Galvão conta no catálogo, sua arte é representativa do sertão em que vive, sem amarras à escolas artísticas ou estilo de pintura. O importante é trazer à tona a flora sertaneja e representar de uma forma diferente o ambiente cearense.

“Os artistas não devem ser nada pré-estabelecidos. Devem se deixar guiar exclusivamente por sua mente, suas ideias, seus instintos e sonhos. Se não fizermos isso, jamais seremos artistas”, avalia Galvão no catálogo.

Ele também reflete sobre o preconceito da população com a paisagem sertaneja. “Não consigo ver o meu Sertão somente como uma terra esturricada e infértil. O meu Sertão também tem chuva e cheia. E não é apenas lugar de violência, de cangaço gratuito. Também é repleto de solidariedade e respeito”, escreve o artista. 

Serviço

Exposição Galvão: Polinizar com arte

Visitação: De segunda a sexta-feiras, das 8 às 12 horas, e das 13 às 17 horas

Data: até 29 de novembro

Endereço: Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará (Mauc) – Avenida da Universidade, 2854, Benfica, Fortaleza-CE

Entrada gratuita

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