Lixo plástico, especulação imobiliária e incêndios subterrâneos ameaçam a biodiversidade e o equilíbrio ambiental dos manguezais brasileiros Por V
Lixo plástico, especulação imobiliária e incêndios subterrâneos ameaçam a biodiversidade e o equilíbrio ambiental dos manguezais brasileiros
Por Victor Frota

Celebrado em 26 de julho, o Dia Mundial de Proteção aos Manguezais destaca a importância desses ecossistemas para o meio ambiente e as comunidades costeiras. Berçários naturais de diversas espécies marinhas, os manguezais filtram poluentes e armazenam carbono, ajudam a combater as mudanças climáticas. Também são fonte de sustento e identidade cultural para populações tradicionais. A data reforça a necessidade de preservação desses ambientes essenciais.
Reconhecidos por sua alta produtividade, os manguezais abrigam uma biodiversidade essencial. Aproximadamente 75% das espécies de peixes marinhos de interesse comercial utilizam essas áreas em algum estágio de seu ciclo de vida. Além disso, os manguezais protegem o litoral contra a erosão. Apesar desses benefícios, ainda é necessário fortalecer as instituições e conscientizar sobre a importância deste ecossistema.
Os manguezais continuam sendo ameaçados por diversos fatores, como o crescimento desordenado das cidades, o despejo irregular de resíduos, a poluição por esgoto doméstico e industrial, além do avanço da especulação imobiliária e da carcinicultura em áreas de proteção.
No Brasil e no mundo, os manguezais enfrentam diferentes formas de degradação. No entanto, no contexto do Nordeste, as principais ameaças estão associadas à especulação imobiliária e à carcinicultura. Além dessas pressões, problemas relacionados ao descarte inadequado de resíduos também têm causado danos significativos a esses ecossistemas.
“Hoje em dia, as questões relacionadas ao lixo degradam muito os manguezais”, explica a ambientalista Fabiana Pinho. “Os incêndios subterrâneos também são muito preocupantes. Muitas vezes, o fogo é apagado na superfície, mas continua queimando o substrato por dentro durante meses”, acrescenta.
No caso do Ceará, ela aponta que a especulação imobiliária é a principal ameaça. “Conversei recentemente com uma professora que estuda o tema, e ela me explicou que, atualmente, a especulação imobiliária ultrapassa até mesmo a carcinicultura como fator de impacto nos manguezais”, destaca.

A presença de resíduos plásticos nos manguezais do litoral nordestino é uma das principais formas de degradação ambiental enfrentadas por esses ecossistemas. O problema está diretamente ligado à má gestão de resíduos sólidos nos municípios costeiros, onde muitos lixões ainda permanecem ativos. A falta de investimentos em coleta seletiva, sistemas de reciclagem e indústrias para reaproveitamento de materiais agrava a situação.
Juaci Araújo, fotógrafo e educador ambiental, aponta que não há como promover educação ambiental eficaz se não houver estrutura para que a coleta seletiva funcione de fato: “não adianta ensinar a separar o lixo se ele não tiver um destino correto. Sem um sistema de coleta eficiente, a reciclagem não se concretiza, e o ciclo fica incompleto”.
Na Região Metropolitana de Fortaleza, por exemplo, os estuários dos rios Cocó, Ceará e Pacoti estão entre os mais impactados. O descarte inadequado de resíduos, especialmente plásticos, acaba sendo levado pelas chuvas e canais urbanos até essas áreas, comprometendo a biodiversidade e os serviços ecológicos prestados pelos manguezais. A ausência de políticas públicas integradas e de infraestrutura adequada segue como um dos grandes desafios para a preservação do litoral.
Para quem quiser ajudar a celebrar essa data importante, alguns eventos serão realizados no Estado do Ceará.
Neste sábado tem a 26ª Edição do “Vem Trilhar”, uma trilha ecológica no Rio Pacoti realizada pelo Programa de Educação Ambiental Marinha (Peam) da Universidade Federal do Ceará (UFC) A trilha guiada proporciona uma experiência imersiva por três ambientes distintos, Mata de Tabuleiro, Manguezal e Apicum – onde serão apresentadas informações e curiosidades sobre a fauna e flora locais. Também será realizada a 3ª edição do Manguezal Sem Plástico, movimento que busca a proteção e a limpeza do ecossistema.
Na terça-feira , 29, em celebração ao Dia Mundial dos Manguezais, o Instituto S.E.R. Brasil realiza uma exposição educativa sobre a fauna e a flora dos manguezais. A iniciativa conta com a parceria do projeto EcoMangue (IFCE – Acaraú), do Rancho do Peixe, na Praia do Preá, às 10h, e na Vila Kalango, em Jericoacoara, às 18h. O evento é gratuito e aberto ao público.
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