Aplicativo de mobilidade urbana, Moovit, realizou pesquisa que destaca desafios enfrentados pelos passageiros no transporte público da capital cearen
Aplicativo de mobilidade urbana, Moovit, realizou pesquisa que destaca desafios enfrentados pelos passageiros no transporte público da capital cearense e cidades vizinhas
Por Felipe Assis
Todos os dias, Diego de Lima, jovem universitário de 20 anos, acorda às 5 horas e sai de Maranguape às 6 horas. Escutando em seu fone de ouvido as músicas de Núzio Medeiros, passa duas horas no percurso em que ele pega dois ônibus para chegar à Universidade de Fortaleza, onde cursa Ciências da Computação.
“O transporte público de ônibus ainda é muito precário, com veículos frequentemente lotados e em condições inadequadas. Além disso, as linhas são muito lentas, o que impacta bastante minha rotina, especialmente no trajeto entre Maranguape e Fortaleza, onde preciso pegar dois ônibus”, conta o estudante.
Diego também se queixa do número insuficiente de ônibus. “Isso faz com que eu passe muito tempo esperando nas paradas. Para melhorar a mobilidade, seria essencial aumentar a frota, reduzir o tempo de espera e garantir ônibus em melhores condições para oferecer um transporte mais eficiente e confortável para a população”, finaliza.
De olho nesse cenário, o Moovit, aplicativo de mobilidade urbana mais utilizado globalmente, divulgou em 2024 seu Relatório Global sobre Transporte Público. O estudo entrevistou 76 mil clientes de diversas cidades, e levantou as principais demandas dos passageiros de transportes coletivos no dia a dia.
Em Fortaleza, mais de 46% dos entrevistados utilizam duas linhas de transporte público para se deslocarem pela cidade. No entanto, as maiores demandas dos usuários estão relacionadas à qualidade do serviço e à confiabilidade, o que reflete uma realidade que muitos passageiros enfrentam no dia a dia.
Já no âmbito geral, o fator mais citado para motivar o uso de transporte público foi a oferta de mais veículos, com 36% dos entrevistados apontando esse aspecto como essencial para melhorar a experiência no transporte coletivo. Para evitar longas esperas e lotação, principalmente nos horários de pico. Outros elementos apresentados foram a necessidade apontada por 23% dos participantes, e a questão da tarifa, com 14% dos entrevistados pedindo passagens mais baratas.
O professor do Departamento de Engenharia de Transportes da Universidade Federal do Ceará (UFC), Mário Angelo Nunes de Azevedo Filho, explica que, “uma maneira de melhorar o serviço é aumentar o número de viagens, o que reduziria o tempo de espera”.
No entanto, ele reconhece que isso implica em custos mais altos, o que dificulta manter a tarifa mais baixa, a menos que haja outra fonte de recurso para financiar o sistema. “Mesmo que o aumento da oferta atraia mais usuários, gerando mais receita, esse equilíbrio leva tempo para se concretizar. O desafio é que, se o serviço melhora, ele se torna mais caro, mas se a qualidade piora, menos pessoas usam o transporte”, conclui.
Foto de capa: Reprodução/Moovit | Capa do relatório “Moovit Global Public Transport Report 2024”

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