Reflexão sobre trajetória de escritoras e luta por espaço marca o lançamento da Bienal

Por 06/02/2025
Reflexão sobre trajetória de escritoras e luta por espaço marca o lançamento da Bienal

Durante os dez dias de programação da XV Bienal Internacional do Livro do Ceará, artistas de diferentes linguagens artísticas vão ser reunidos para batalhas de rima, apresentações musicais e rodas de conversa

Por Giulia Tessmann e Mariah Salvatore

Pela primeira vez com uma curadoria inteiramente feminina, a XV Bienal Internacional do Livro do Ceará celebra a literatura feita por mulheres, mas sem excluir ninguém. Com o tema “Das fogueiras ao fogo das palavras: mulheres, resistência e literatura”, o evento busca refletir sobre a trajetória das escritoras e a luta por espaço no mundo das letras. O lançamento ocorreu nesta quinta-feira, 6, às 9 horas, na Biblioteca Estadual do Ceará (Bece).

Para a curadora Nina Rizzi, que divide a programação com a escritora Sarah Diva Ipiranga, e a ativista Amara Moira, este é um momento especial. “Cresci em uma escola onde só havia uma mulher representada na biblioteca como escritora. Agora, poder pensar essa Bienal ao lado de outras mulheres é uma forma de celebrar quem sempre escreveu, mas foi invisibilizada”. 

Ela lembra que, mesmo antes da palavra escrita, as mulheres já criavam histórias e músicas para embalar seus filhos. E destaca que a literatura nunca vai deixar de existir, pessoas de todos os jeitos, de todos os gêneros, raças, classe que sempre estarão escrevendo.

Já a secretária da Cultura do Estado do Ceará, Luisa Cela, destacou que a Bienal é um evento gigantesco, “com verdadeira celebração da literatura e do livro, com programação diversa para todas as cidades, para todas as pessoas, espalhada também por todo o estado do Ceará”.

A XV Bienal Internacional do Livro do Ceará é uma iniciativa em parceria com diversas instituições e entidades — públicas ou não —, como Biblioteca Estadual do Ceará (Bece), Secretaria da Cultura do Ceará (Secult), Instituto Dragão do Mar,  Cegás e Secretaria Municipal de Cultura, entre outras. O objetivo vai além da realização de um festival literário. A proposta também busca dar visibilidade à produção feminina na literatura e ampliar o espaço das mulheres no cenário cultural.  

Durante a coletiva de imprensa, no entanto, a apresentação da curadoria e dos convidados foi, por vezes, interrompida pelo burburinho e pela animosidade de alguns presentes. As reações refletem parte da resistência encontrada pelo evento, que tem sido rotulado de “Bienal da Lacração” por críticos que enxergam a valorização de autoras como uma tentativa de exclusão.  

A curadora Nina Rizzi rebate essas críticas com ironia e bom humor. “A gente vai lacrar mesmo, porque vai ser maravilhoso, vai ser forte, vai ser lindo. E quem tá falando mal, chora”. Para ela, a reação negativa vem daqueles que historicamente detiveram privilégios na literatura e agora se incomodam ao ver outras vozes ganhando espaço. “Em edições passadas, compostas majoritariamente por homens, ninguém falava em ‘lacração’. Agora que temos uma curadoria feminina, a narrativa muda”, pontua. Para Nina, o momento não é sobre exclusão, mas sim sobre reconhecimento: “Queremos, sim, aparecer, porque estivemos desaparecidas. E agora é a hora de celebrar essa produção”.

O tema deste ano destaca questões de gênero e abre espaço para receber artistas que debatem sobre o tema. Nomes como o da escritora cearense Jarid Arraes, que criou o Clube da Escrita para Mulheres e da pesquisadora Helena Vieira, autora do livro “Ninguém Solta a Mão de Ninguém: Um manifesto de resistência” foram citados na coletiva de imprensa. Serão cerca de 88 estandes destinados à exposição e venda de livros.

Fotos: Mariah Salvatore

Serviço 

XV Bienal Internacional do Livro do Ceará – “Das fogueiras ao fogo das palavras: mulheres, resistência e literatura

Data: 4 a 13 de abril

Local: Centro de Eventos do Ceará

Av. Washington Soares, 999 – Edson Queiroz

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