O Ceará aparece na quinta posição de estados com 52,6% que estão no comando dos lares, tendo em sua maioria as pardas, entre 40 a 59 anos, e que não
O Ceará aparece na quinta posição de estados com 52,6% que estão no comando dos lares, tendo em sua maioria as pardas, entre 40 a 59 anos, e que não vivem com cônjuges
Por Eduarda Morais
Pela primeira vez desde o Censo de 2010, o Brasil apontou mais mulheres no comando do lar, de acordo com o Censo Demográfico 2022 divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na sexta-feira, dia 25.
Entre o grupo feminino, 34,1% são apontadas como líderes do domicílio, enquanto 25% estão na posição de cônjuge ou companheira. Dos 10 estados onde o percentual de mulheres líderes do lar é maior que 50%, 9 estão localizados nas regiões Norte e Nordeste.
No quesito espécie de unidade doméstica, predomina o tipo de família nuclear, principalmente aquelas lideradas por mulheres pardas, com 62,4%.
A inversão nas posições de liderança evidenciam as mudanças sociais ocorridas desde o Censo de 2010, onde apenas 22,9% das mulheres eram apontadas como responsáveis pelo lar.
O Ceará aparece na quinta posição de estados com famílias lideradas por mulheres, com 52,6%. Destas, a maioria são pardas (64,7%), com idade entre os 40 a 59 anos (20%).
Foto: Censo Demográfico 2022
Para a professora de Sociologia Danielle Cruz, os dados apontam a alteração na composição familiar tradicional. “Ocorreu uma mudança social importante quando se pensa em um estado com forte herança coronelista e patriarcalista. Percebe-se a predominância de famílias com mulheres lésbicas, mães solo, divorciadas e viúvas como responsáveis por seu domicílio”, destacou Danielle.
Entretanto, um detalhe chama a atenção: na composição dos domicílios chefiados por mulheres no estado, a maioria, com 16,36%, não possuem cônjuges, convivendo no domicílio apenas com os filhos ou enteados.
Na análise de Danielle, este número reflete uma realidade vivida ao longo dos anos pelas mulheres cearenses. “Em maioria, essas mulheres são da periferia. Elas têm filhos, os maridos vão embora, e elas batalham para cuidar de seus lares.
Para a professora, os dados não refletem em totalidade a situação das mulheres chefes de família. “O dado que é divulgado pode trazer uma sensação de que ocorreu uma mudança estrutural. Só que não houve essa mudança. Ser chefe de família não significa de imediato uma condição de emancipação e autonomia”, concluiu Danielle.
Danielle também destaca que o aumento no número de mulheres responsáveis por seus domicílios não traz apenas o aumento na independência das mulheres, mas também uma feminização da pobreza, mostrando que, na maioria dos casos, as mulheres são condicionadas a viver nesta realidade.

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