Organização das Nações Unidas observa cinco fatores que forçam as pessoas à extrema pobreza 

Por 25/04/2025
Organização das Nações Unidas observa cinco fatores que forçam as pessoas à extrema pobreza 

Relatório aponta que 690 milhões de pessoas vivem com menos de R$12,23 reais por dia. ONU considera a situação insustentável, e propõe novo consenso global 

Por Eduarda Morais

Em relatório divulgado na quinta-feira, 24, a Organização das Nações Unidas (ONU) apontou cinco fatores que estão aumentando a extrema pobreza no mundo, e que colocam em riscos as conquistas sociais alcançadas ao longo das últimas décadas.

De acordo com o relatório, mais de 690 milhões de pessoas vivem em extrema pobreza, sobrevivendo com menos de US$ 2,15 por dia, o equivalente a R$ 12,23 por dia. 

O estudo ainda aponta que 2,8 bilhões de pessoas ao redor do mundo vivem com uma média salarial de US$ 2,15 e US$ 6,85 por dia, o equivalente a R$ 12,23 e R$38,95, respectivamente. A ONU afirma que esta parte da população mundial é extremamente vulnerável a choques externos, como desastres naturais e crises mundiais. 

O relatório também aponta o trabalho informal como um dos fatores que aumentam a extrema pobreza mundial. A “gig economy” (economia de bicos, em tradução livre) é mais comum em países de renda baixa ou média, sem a garantia de salários justos, estabilidade ou proteção social. 

De acordo com o estudo, a flexibilidade, que deveria ser positiva, empurra os trabalhadores informais para a insegurança e perda dos direitos trabalhistas. De acordo com a World Values Survey, 60% das pessoas no mundo estão muito preocupadas com não conseguir um trabalho, ou com perder o emprego.

As mudanças climáticas e os conflitos também são um fato que prejudica a segurança de renda ao redor do globo. Apesar de 50% das pessoas pobres do planeta serem responsáveis por apenas 12% da emissão de carbono na atmosfera, esses sofrem 75% das perdas relativas de renda, decorrente da crise climática.

Uma em cada sete habitantes da Terra vivem em áreas com conflitos extremos, que estão dobrando de quantidade desde o ano de 2010. A combinação de instabilidade política, violência e deslocamentos tem dificultado os esforços de combate à pobreza em várias regiões do mundo.

O estudo também observou a concentração de renda como fator da extrema pobreza. Desde 1990, a desigualdade de renda vem aumentando nos países populosos, principalmente na China e na Índia. Atualmente, os países onde a desigualdade cresceu concentram dois terços da população mundial.

O relatório da ONU, em tentativa de contornar esse panorama, propõe um novo consenso de políticas públicas baseado na equidade, solidariedade, e segurança econômica para todos. O relatório ainda trouxe uma proposta para um imposto global para os “super ricos”, apresentada pelo Brasil em 2024, em encontro do G20.

A ONU defende que a solução não está apenas em mais políticas sociais, mas em uma reorientação profunda da forma como os países formulam suas decisões. A organização ainda argumenta que a situação é insustentável, e o momento exige transformações estruturais.

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