O Brutalista é épico de pretensões monumentais que nunca se justificam fora do papel

Por 18/02/2025
O Brutalista é épico de pretensões monumentais que nunca se justificam fora do papel

Com dez indicações ao Oscar, incluindo de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator, filme chega aos cinemas brasileiros nesta quinta, 20 de fevereiro

Por Leonardo Piccinini

O Brutalista, de Brady Corbet, é um filme que já nasce ousado. O diretor propõe uma experiência na qual as longas 3h36min de duração são interrompidas na metade, por meio de um intervalo que conta até com cronômetro na tela. Os 15 minutos que separam a primeira da segunda parte não poderiam ser mais justificáveis, já que dividem o que parecem ser dois filmes distintos.

Logo nos primeiros minutos de exibição, em uma sequência impressionante, vemos a Estátua da Liberdade de ponta cabeça. Um claro indicativo de que o “sonho americano” não vai se concretizar para László Tóth (Adrien Brody), arquiteto visionário que foge da Europa devastada pela guerra em busca de recomeçar a vida nos Estados Unidos. 

Daí em diante acompanhamos uma odisseia de ritmo implacável e de escala impressionante, que não nos deixa desgarrar da poltrona do cinema. Você deve estar imaginando cenas de ação, tiro, explosão e suspense. Mas não é isso que ocorre aqui. 

A narrativa, nesta primeira parte, gira em torno da construção de um grande complexo cultural encomendado pelo magnata Harrison Lee Van Buuren (Guy Pearce), cujo projeto será desenhado por László.

Fotos: Reprodução/Universal Pictures

O que caracteriza o brutalismo, afinal? Detalhes crus que trazem a verdade por trás das obras. E nesta primeira metade de O Brutalista, é justamente isso que vemos. Imagens cruas, sem muito significado, mas não menos impressionantes. A trilha sonora de Daniel Blumberg torna tudo ainda mais monumental, e transforma o projeto arquitetônico de Tóth em algo com vida própria.

O intervalo vem quando estamos no auge do entusiasmo, ao ponto de não querermos sequer piscar os olhos para não perder nenhum detalhe. O cronômetro começa a rodar, e os 15 minutos passam voando. Quando a projeção volta, entretanto, parece que estamos diante de outro filme, com uma visão completamente diferente da que foi apresentada na primeira metade.

Poucas vezes vi uma obra se perder tanto do meio para o final. Se na primeira 1h40min, a ausência de razões não interfere na ambição do longa, na segunda metade, o que já não sabíamos, faz ainda menos sentido – e nem o próprio filme sabe mais o que quer ser. A direção de Corbet passa a ser desprovida de qualquer identidade, e o ritmo, outrora implacável, se torna arrastado e cansativo.

O epílogo, que tem a missão ingrata de comunicar tudo aquilo que a segunda metade do filme não conseguiu, apesar de didático, entrega uma resposta satisfatória – mas não menos simplória – aos fundamentos pessoais por trás das obras de László. 

É interessante observar como o protagonista e seu diretor são semelhantes: ambos querem impactar com sua arte. Não conhecemos as motivações por trás do que constroem, mas admiramos. Até que a resposta vem. E ela pode ser muito mais simples do que imaginamos.

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