No Dia do Orgulho Nerd, colecionadores e cosplayers celebram  cultura que vai além do hobby

Por 25/05/2026
No Dia do Orgulho Nerd, colecionadores e cosplayers celebram  cultura que vai além do hobby

Também conhecida como Dia do Orgulho Geek, 25 de maio mostra que este universo é muito mais que diversão: é identidade, comunidade e transforma vidas

Por Ana Morais Monteiro

No dia 25 de maio, “nerds” do mundo inteiro celebram muito mais do que filmes, jogos e colecionáveis. O Dia do Orgulho Geek marca a estreia do primeiro Star Wars, em 1977, mas representa, acima de tudo, o direito de assumir sem medo a paixão por universos que, para muitos, são parte essencial de quem são.

Segundo as comunidades de portais como Jovem Nerd e Omelete, ser nerd ou geek é viver intensamente a paixão por cultura pop, games e tecnologia. Para entender como essa cultura impacta vidas reais, conversamos com pessoas que levam o espírito geek a sério, cada um do seu jeito.

O universo em um pacotinho

Para quem vê de fora, colecionar cartinhas Pokémon pode parecer só brincadeira. Mas, para o  professor Pedro Fiuza, 27, o hobby é muito mais que isso. “É algo muito desafiador, mas no bom sentido, porque nesse universo você quem determina seus próprios desafios: “Ah, eu quero uma determinada coleção, um determinado tipo de Pokémon”. Você que determina os seus desafios”, explica. 

Para ele, a comunidade é um dos pilares dessa paixão: “Particularmente, adoro levar meu irmão para esse lado colecionador, porque traz muita nostalgia e é algo que agrega muito quem faz parte desse universo”.

Sobre o que torna uma carta especial, Pedro é direto: “Vale bem mais a nostalgia que ela vai passar. Tem umas cartas que são mais preferidas justamente por conta da arte. É algo que eu adoro ficar vendo, são literalmente obras de arte”. Ele conta que costuma frequentar lojas e eventos geeks, “Muitas pessoas vão nesses locais fazer trocas, comprar cartas, abrir pacotes, ou participar de campeonatos, e isso é muito bacana”.

A paixão que foi parar nas estantes

O professor de 29 anos, Marcelo David, conta que colecionar action figures é uma forma de manter viva a criança que existe dentro dele. Sua jornada começou no final de 2016, quando ganhou um Funko do Jack Sparrow, de Piratas do Caribe. De lá pra cá, a coleção se diversificou.

“Como fã, colecionar é principalmente uma questão de alimentar a infância que há dentro de mim, é algo nostálgico, é a forma que tenho para me aproximar de personagens que eu gostava demais na minha infância e que eu não poderia ter na época”, revela. “Se eu gosto de uma série ou desenho, eu compro o colecionável. Tenho action figures e Funkos de Dragon Ball, Jujutsu, Digimon, Harry Potter, Yu-Gi-Oh. Tenho Funko até da Pabllo Vittar“.

Atualmente, ele tem um objetivo muito especial: “Estou atrás das peças de Caverna do Dragão da Iron Studios. No momento, só tenho o Erik e sei que vai demorar bastante para eu completar o set”.

Vestindo a própria fantasia

A advogada Vanessa Mota,  36, fala sobre a diversão de fazer cosplay. “Dá uma sensação de realização pessoal, porque você vive ali a fantasia de ser outra pessoa”. Ela conta que, nos eventos, o retorno do público é contagiante, sempre tem pessoas apoiando, elogiando e pedindo fotos. 

Já sobre seu maior desafio, Vanessa antecipa: “O cosplay mais difícil vai ser o que usarei em julho. Estou montando a personagem Frieren e tem muitos elementos: peruca, lentes de contato, capa, botas, orelhas de elfa, cajado. Tive que comprar itens de fora do Brasil, mas acredito que está tudo se encaminhando pra dar certo, apesar do trabalho”. 

Ela também destaca como a experiência muda completamente quando se está caracterizada: “Ir de cosplay é totalmente diferente de ir normal, justamente porque você tem que se organizar bem antes com roupa, fazer make e, principalmente, se preparar para interagir bastante. São muitas fotos, vídeos, entrevistas, e funciona até como networking. Você pode ser chamado para fazer parte de grupos que organizam mega equipes de mais de 30 pessoas de um mesmo anime ou mangá, e a interação é bem legal”.

Vanessa Mota com o look de cosplay de Android 18 de Dragon Ball I Foto: Acervo Pessoal de Vanessa

Um universo que movimenta bilhões e gera profissões

Mas, o universo geek não se limita a um passatempo de fim de semana. Ele representa uma indústria criativa que movimenta o mercado de trabalho e econômico. O SANA, considerado o maior evento geek do Norte e Nordeste, acontece em Fortaleza e, segundo a organização, já recebeu mais de 1,5 milhão de visitantes ao longo de sua história. 

Parte da coleção do professor Marcelo David: uma forma de manter viva a criança que existe dentro dele I Foto: Arquivo Pessoal

De acordo com dados compilados pelo Observatório de Games do UOL e confirmados pelo Governo do Estado do Ceará, o festival já movimentou aproximadamente R$ 500 milhões na economia local e gerou cerca de 2.900 empregos diretos e indiretos a cada edição.

Atualmente, existem áreas inteiras onde é possível transformar a paixão em carreira: desenvolvimento de jogos, criação de conteúdo, direito digital, organização de campeonatos de eSportes e, claro, o trabalho como cosplayer profissional e lojista especializado em colecionáveis. É a realização do sonho de muita gente que fez da “nerdice” o seu ganha-pão.

Para Pedro Fiuza, hobby é algo muito desafiador, porque nesse universo é a pessoa que determina os próprios desafios I Foto: Arquivo Pessoal

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