No Dia das Apaes, relatos mostram avanços e reforçam a importância da rede para a inclusão

No Ceará, o trabalho da associação promove autonomia, cria oportunidades e fortalece o protagonismo de pessoas com deficiência intelectual e múltipla

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No Ceará, o trabalho da associação promove autonomia, cria oportunidades e fortalece o protagonismo de pessoas com deficiência intelectual e múltipla

Por Laíssa Esmeraldo

A meta da Apae é a defesa de direitos e da inclusão social, autonomia e acessibilidade de pessoas com deficiência intelectual e múltipla | Imagem: Apae 

Atendimento especializado às pessoas com deficiência intelectual e múltipla. Assim consiste o trabalho realizado pela  Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). Nesta quinta-feira, 11 de dezembro, os esforços das associações, em todo o Brasil, são reconhecidos e homenageados. É o Dia Nacional das Apaes. A data reforça a necessidade da inclusão e valorização das famílias que buscam, na associação, acolhimento, cuidado e oportunidades.

Tatiana Queiroz, assistente social da Apae de Fortaleza, destaca o papel fundamental que está, principalmente, no pioneirismo da rede em todo o território nacional. Ela oferece um suporte essencial que muitas vezes complementa ou preenche a lacuna das políticas públicas. São cerca de 700 pessoas atendidas pela associação na Capital cearense.

Atividades e atendimentos realizados pela Apae de Fortaleza | Imagens: Apae Fortaleza

Joisa Barroso, professora universitária, é mãe do Cadu, 11 anos, e do Davi, 8 anos, ambos com Síndrome de Down, autismo e não verbais. Eles frequentaram a Apae Fortaleza por alguns anos. Ela relata a evolução, principalmente do Cadu, em realizar atividades do dia a dia, como se vestir e comer sozinho.

O Ceará conta com 36 unidades no estado, formadas por pais, profissionais, voluntários e parceiros – públicos e privados. Todos dispostos a fortalecer a causa da pessoa com deficiência, incluindo-as na sociedade, disponibilizando ferramentas para que participem de maneira efetiva e ativa. 

Alessandro Jucá é o presidente da Apae do município de Canindé, no interior do Ceará. Ele afirma que a associação atende a 407 crianças, jovens e adultos com deficiência física e/ou intelectual, incluindo pessoas com surdez, TEA, deficiência visual e síndromes raras.

A Apae Canindé atende pessoas com deficiência e oferece apoio educacional, clínico e assistencial | Imagens: Apae Canindé

“A Apae de Canindé é uma instituição que tem impacto significativo no atendimento educacional e clínico a crianças e jovens com deficiência, visando a inclusão efetiva dessas pessoas. Com 20 salas de recursos multifuncionais, oferecemos Atendimento Educacional Especializado (AEE), além de serviços de psicologia, fonoaudiologia, fisioterapia e educação física adaptada”, explica o presidente.

Silvania Ferreira, ex-professora e estudante de Terapia Ocupacional, curso que iniciou para acompanhar a filha. É mãe de Ísis, 8 anos, que tem Síndrome de Down e está no espectro autista. A menina frequenta a Apae de Tauá, município localizado no Sertão dos Inhamuns, desde os 6 anos. Silvania faz questão de ressaltar o acolhimento dado pela associação e enfatiza as mudanças positivas que a filha teve no desenvolvimento. 

“A Ísis tinha dificuldade em interagir com as pessoas. Ela não conseguia sentar em sala de aula e nem se socializar. Hoje, ela já se socializa melhor, se senta, consegue rasgar um papel. Como não falava, ela já está conseguindo pequenas palavrinhas. Foram algumas conquistas, algumas melhoras, graças a Deus”, lembra a mãe.

Adaltiva Rocha, presidente da Apae de Tauá, analisa positivamente a história da associação: “desde sua fundação, em 2003, a Apae de Tauá passou por um grande processo de extrema provações, mas temos rompido essas barreiras de passo em passo, estamos conseguindo evoluir aos poucos, estamos longe de conseguir alcançar o que queremos, mas os grandes passos já foram dados pra isso”.

Em Tauá, são atualmente 134 matriculados. A maioria dos atendimentos é de pessoas dentro do espectro autista, ou com síndrome de Down, esquizofrenia, deficiência auditiva, deficiência visual, e outras deficiências intelectual e múltipla, também são abarcadas pela Apae.

A Apae defende o acolhimento das diferenças e promove a participação de pessoas com deficiência nos espaços | Foto: Apae Tauá

Lara, de 17 anos, é autista e começou o tratamento há um ano. Apesar do pouco tempo, a mãe dela, Tatiana Góes, já nota avanços significativos na filha. “Eu, como mãe, aconselharia todos os pais a colocarem seus filhos na Apae. É um trabalho maravilhoso. Houve bastante melhora, porque a Lara conversa mais e gesticula mais. E em outras coisas ela foca. E gosta de pintar”. 

Tatiana fala que a experiência da Lara com a Apae está sendo excelente. Ela destaca o atendimento responsável e dedicado. “Os profissionais têm muito amor, a gente vê o amor e o respeito que eles têm”, diz.

Além desses serviços, a Apae realiza ações de defesa dos direitos das pessoas com deficiência, representando-as frente aos organismos nacionais. A associação atua na advocacia pelo respeito aos direitos da pessoa com deficiência. A Apae busca incentivar políticas públicas e sugerir legislações que contemplem essa população.

A Apae se tornou um espaço em que são empenhados esforços para incentivar uma política de inclusão e apoio às famílias, para que sejam ouvidas, orientadas e amparadas. O presidente da Apae Canindé fala em criar um ambiente acolhedor e solidário, onde pessoas com deficiência e suas famílias se sintam acolhidas, valorizadas e apoiadas, de modo que possam superar os desafios impostos pela sociedade.

A experiência vivida pelas famílias, no entanto, nem sempre reflete plenamente este ideal. É o caso de Silvania, que desabafa: “Quero ver minha filha se socializar. Quero ver minha filha andar, falar, se desenvolver. Quero o básico. A Apae trabalha bastante a questão da diversidade das crianças e tenta a inclusão delas na sociedade”, afirma, ao reconhecer que a inclusão, de fato, ainda não aconteceu. 

A realidade expõe que ainda existe discrepância entre o discurso da inclusão e sua efetivação na vida das famílias atípicas. Neste cenário, a Apae permanece como uma referência importante, ainda que desafiada a ampliar sua atuação e fortalecer vínculos com a comunidade. “Trabalhamos todos os dias com o objetivo de tornar mais inclusiva a vida dos nossos pacientes, fazê-los acreditar em seu potencial de desenvolvimento”, explica Tatiana Queiroz.

A inclusão, portanto, não se resume apenas ao acesso a serviços. Trata-se de disponibilização de oportunidades reais de participação na sociedade, respeitando-se às peculiaridades de cada pessoa. Entre preconceitos e avanços, a busca pela inclusão efetiva segue sendo uma meta, tanto das Apaes pelo Brasil, quanto da sociedade.

CONHEÇA A APAE

Presente em mais de 2 mil municípios brasileiros, as Apaes formam uma extensa rede de apoio, oferecendo serviços de educação, assistência social, profissionalização e saúde multidisciplinar, com fisioterapeutas, fonoaudiólogos e psicólogos. a Apae trabalha com atendimento integral, cobrindo desde a estimulação precoce para bebês, até o atendimento de jovens e adultos no processo do envelhecimento.

A Federação Nacional das Apaes (ou a Apae Brasil), é a maior rede de defesa e garantia de direitos das pessoas com deficiência intelectual e deficiência múltipla da América Latina. São 2.265 unidades pelo território nacional que oferecem serviços a mais de 1,6 milhão de pessoas. 

Apae Fortaleza

Endereço: Av. Rogaciano Leite, 2001 – Eng. Luciano Cavalcante, Fortaleza – CE, 60810-475

Telefone: (85) 99105-4481

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