Ney Matogrosso em dose dupla nas telas do Brasil 

Ney Matogrosso em dose dupla nas telas do Brasil 

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O Museu da Imagem e do Som de São Paulo inaugura mostra imersiva sobre a trajetória do cantor, ao longo dos seus 50 anos de carreira. O filme“Homem com H” também marcará as festividades do artista

Agora, a expectativa pelo filme se conecta a outra grande homenagem ao artista: a exposição “Ney Matogrosso – A Arte de Ser”, que estreia hoje, 21, no Museu da Imagem e do Som (MIS) em São Paulo. Essa convergência de eventos reforça a sua relevância cultural e oferece ao público múltiplas formas de conhecer e revisitar sua trajetória.  

Uma celebração entre cinema e exposição

A mostra no MIS apresenta uma vasta coleção de itens que marcaram os 50 anos de carreira solo do cantor. Entre os destaques estão figurinos icônicos, capas de álbuns, registros fotográficos e documentos pessoais. A exposição é um mergulho sensorial na trajetória de Ney, permitindo ao público acessar não só sua estética revolucionária, mas também os bastidores de sua construção artística.  

Foto: Divulgação/ Lucas Mello 

Por outro lado, “Homem com H” promete trazer para as telas um retrato íntimo do artista. A participação do próprio na produção é um indicativo de que o longa buscará autenticidade, evitando estereótipos e capturando a complexidade de sua personalidade e carreira.  

 O olhar da crítica sobre a cinebiografia  

Para entender melhor o que o filme pode representar dentro do cenário cinematográfico brasileiro, conversamos com Arthur Gadelha, crítico de cinema e membro da Abraccine. Ele destaca que, apesar de suas preocupações iniciais, o material já divulgado trouxe um olhar mais positivo para o projeto:  

“Eu fiquei empolgado com esta cinebiografia. No começo, eu estava preocupado, porque é muito delicado contar uma história tão recente. O Ney Matogrosso é um artista muito vivo, que ainda está nos palcos, cantando e dançando aos 80 anos. Mas, dessa vez, eu fiquei mais animado porque me parece algo mais autêntico, especialmente pelo envolvimento do próprio Ney na produção.”  

Foto: Divulgação/ Paris Filmes 

Um dos aspectos que mais chamam atenção é a performance de Jesuíta Barbosa no papel principal. Para Gadelha, a escolha do ator foi acertada, e sua entrega ao papel é um diferencial. “O Jesuíta é um ator com muito potencial. Acho que ele não é utilizado da melhor forma na televisão, mas no cinema consegue mostrar toda a sua força. Pelo que vi no trailer, ele está completamente entregue ao papel, e isso evita que o filme caia na caricatura”, destaca ele. 

A cinebiografia também pode funcionar como um meio de aproximação entre Ney e as novas gerações, principalmente por meio do reconhecimento do ator protagonista. 

O filme pode dialogar diretamente com a nova geração, porque Jesuíta Barbosa é um nome que já esteve em novelas e é conhecido do grande público. Pode ser um filme super simpático, o que pode ser um risco, porque a vida de Ney teve altos e baixos. Vamos ver como o filme equilibra isso. 

O impacto no cinema brasileiro  

O crítico também ressalta que a cinebiografia pode representar um respiro dentro do cinema nacional, especialmente no gênero biográfico. “Acho que esse filme pode trazer uma revitalização para o ramo de cinebiografias no Brasil. Nos últimos anos, houve uma queda de qualidade muito grande, talvez pela proximidade dos temas retratados. O último exemplo, o filme da Gal Costa, tentou fugir da caricatura, mas acabou se tornando um filme sem pulso. Espero que, com Ney, consigam um resultado mais vibrante e fiel à energia dele.” 

Com uma carreira marcada pela ousadia e reinvenção, Ney Matogrosso continua a ser um ícone atemporal. Seja no cinema ou nas galerias de arte, sua história segue despertando interesse e inspiração. Resta agora aguardar a estreia de “Homem com H” e ver se o filme estará à altura do legado desse artista singular.

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