Mulheres no cooperativismo: os obstáculos enfrentados pelas lideranças femininas no Ceará  

Por Redação Newslink 30/09/2025
Mulheres no cooperativismo: os obstáculos enfrentados pelas lideranças femininas no Ceará  

Relatório feito pela OCB-CE, em 2024, aponta que apenas 24% das mulheres são dirigentes de cooperativas. Mulheres líderes ainda enfrentam preconceito estrutural da sociedade

Por Eduarda Morais 

Com o princípio de unir os indivíduos em um objetivo comum, o cooperativismo atrai pessoas interessadas em investir e, principalmente, adquirir autonomia.

Na esfera feminina, não é diferente. O cooperativismo surge como forma de empoderar mulheres empreendedoras, que buscam tirar suas ideias do papel e conquistar espaço no mundo do empreendedorismo.

Para Nicédio Nogueira, presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras do Ceará , OCB-CE, a essência das cooperativas é incentivar a inclusão e a diversidade. “O grande diferencial das cooperativas é ser uma empresa de pessoas, e não de capital. O cooperativismo de um modo geral é muito importante para inclusão de pessoas, por ser baseado nelas”, destaca Nicédio.

No entanto, o cenário ainda se mostra desafiador. De acordo com Relatório Coop 2025, produzido pela OCB-CE, no Brasil, 22% das cooperativas são lideradas por mulheres, com maior destaque para a categoria de trabalho, produção de bens e serviços, com 45%. 

Já no Ceará, 24% das cooperativas são lideradas por mulheres. De acordo com Nicédio Nogueira, a organização busca trazer mais figuras femininas para os cargos de liderança. 

Preconceitos estes que também refletem na escolha de mulheres na constituição de cooperativas. De acordo com o relatório Coop 2025, as menores categorias com dirigentes mulheres são do ramo Agropecuário (18,5%), Infraestrutura (12,9%), e Transporte (7,9%).

A administradora também destaca a importância da sensibilização de integrantes da alta gestão de cooperativas para a questão do feminino, e o reconhecimento das mulheres. “Se a alta gestão tem dificuldade de aceitar que as mulheres são competentes, tem essa questão cultural discriminatória, que não vê isso como importante, então precisa haver um desse letramento para esse esse grupo específico”. 

“A gente não tá falando de colocar mulheres em um conselho ou um mandato e cumprir a missão. É uma coisa que tem que ser sustentável. Não é só para cumprir cota, é é uma questão de estratégia”, conclui Karine Paiva. 

Líderes no cooperativismo cearense

Para Selene Caracas, cirurgiã-dentista e coordenadora do comitê Elas Pelo Coop em 2024 , movimentos como o comitê ajudam a incentivar o cooperativismo feminino. “É um movimento maravilhoso. Começamos capacitando as mulheres tanto no aspecto pessoal , fortalecendo as identidades, forças, conhecendo os sabotadores, melhorando a auto estima, formando uma rede de apoio formando líderes ,e no aspecto profissional, fomentamos a governança e conhecimento técnico”.

Como forma de aumentar a participação feminina nos cargos de liderança em cooperativas, foi criado, em 2020, pelo sistema OCB, o comitê nacional de mulheres Elas pelo Coop | Foto: Arquivo pessoal

Como fundadora da Uniodonto, cooperativa formada em 1989 por 23 cirurgiões dentistas, Selene também enfatiza a importância do reconhecimento do trabalho feminino no cooperativismo. “Precisamos de aliados. Os líderes na grande maioria são homens, e precisam se sensibilizar e abraçar a causa das mulheres por uma questão estratégica. Os conselhos que possuem mulheres são mais eficientes e éticos”, conclui Selene Caracas.

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