Morre Ricardo Schmitt, repórter que ajudou a profissionalizar a fotografia no Estado do Ceará

Por 24/10/2025
Morre Ricardo Schmitt, repórter que ajudou a profissionalizar a fotografia no Estado do Ceará

Com um acervo de mais de 200 mil imagens, o fotógrafo ajudou a apresentar o Ceará tanto para o resto do país quanto para o exterior

Por Kelly Sampaio

O repórter fotográfico Ricardo Schmitt morreu nesta quinta-feira, 23, aos 76 anos, em Fortaleza.  Considerado um dos principais nomes da fotografia na capital cearense durante as décadas de 1970 e 1980, o fotógrafo estava desde o dia 3 de junho deste ano no Instituto Doutor José Frota (IJF), em decorrência de um acidente doméstico.

Schmitt estava em casa quando tropeçou e, devido à queda, fraturou o fêmur. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e o encaminhou para o Hospital Distrital Edmilson Barros de Oliveira, popularmente conhecido como Frotinha da Messejana, na Grande Fortaleza. 

“Era um cara competentíssimo, de uma criatividade que não poderia ficar de fora para avançar no projeto do Jornal Povo [Revista Moda Quente]. Tudo que tinha de mais moderno em moda e fotografia de moda, ele trazia. E era um camarada, super dedicado e amigo”, afirma Alcides Freire, repórter fotográfico que trabalhou ao lado de Schmitt na Revista Moda Quente. “Ricardo, você é um cara maravilhoso, foi muito importante na vida de muitos fotógrafos de moda e muitos fotojornalista aqui no Ceará. Tu é referência, cara. Parabéns pela tua passagem. Você é show. Um abraço”, solidariza Freire.

Após o atendimento, o repórter foi diagnosticado com fratura do colo do fêmur e passou 10 dias internado, realizando exames enquanto aguardava o dia da cirurgia. Após duas semanas, Schmitt foi transferido para o IJF, onde, após o resultado dos testes, foi indicado outras comorbidades, que precisavam ser tratadas para que o procedimento cirúrgico fosse autorizado.

Nesse período, o fotógrafo dependia da solidariedade de amigos e outros profissionais da cultura, que organizaram uma campanha de arrecadação, via Pix, para custear os cuidados básicos enquanto aguardava a cirurgia, ainda sem data marcada. Dentre os principais custos estavam acompanhantes e cuidadoras, além de fraldas geriátricas e algumas medicações.

Com um acervo de mais de 200 mil imagens, pode ser lido como um patrimônio documental
Foto: Reprodução/Acervo Ricardo Schmitt

Ricardo Schmitt começou sua carreira profissional ainda em 1968, quando trabalhou no estúdio profissional do irmão, no Rio de Janeiro. Durante este tempo, atuou em diversos segmentos, entre eles: moda, televisão, política e meio ambiente. No ano de 1975, foi convidado a ir para Belém, no Pará, onde passou dois anos na produção de materiais publicitários. Foi nessa época que o fotógrafo teve a chance de viajar duas vezes ao Ceará.

No estado nordestino, foi responsável pela produção de fotos para uma agência em que trabalhava e estabeleceu relações com grandes nomes da comunicação, como, por exemplo, Rubens Frota, Nazareno Albuquerque e Fernando Maia. Em parceria com o fotógrafo Chico Albuquerque, ajudou a incluir o Ceará em publicações nacionais.

Em 1977, decidiu retornar ao estado nordestino, onde se eternizou. Conheceu outros grandes nomes, como Gentil Barreira, Arnaldo Fontenele, José Albano, entre outros. Juntos, formaram a geração que marcou o cenário fotográfico fortalezense da década de 1980, o que ajudou a profissionalizar a fotografia no Ceará.

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