Mauri Melo relembra com habilidade e sensibilidade carreira de ouro no fotojornalismo cearense

Por 14/04/2025
Mauri Melo relembra com habilidade e sensibilidade carreira de ouro no fotojornalismo cearense

Por quase 50 anos ele traduziu o cotidiano em imagens. Aos 82 anos, o fotojornalista recorda momentos marcantes de sua trajetória no programa Lead da Memória

Por Yasmin Boyadjian

Nascido em Fortaleza e com uma vida inteira dedicada à fotografia, José Mauri Melo, mais conhecido como Mauri Melo, construiu uma carreira admirável e longeva no jornal O Povo, onde trabalhou por quase cinco décadas, até 2020. Aos 82 anos, o fotojornalista é uma das figuras mais emblemáticas da imprensa cearense, tendo registrado capítulos importantes da história do Ceará e do Brasil através de suas lentes.

Em uma família numerosa, composta por oito irmãos, três seguiram o caminho do jornalismo. Mauri, no entanto, encontrou na fotografia sua linguagem mais poderosa. Seu percurso começou de forma modesta: vendendo jornais. Mas foi sua habilidade e sensibilidade com as imagens que o levaram a ingressar na redação do O Povo, onde consolidou seu nome ao longo dos anos.

Durante entrevista concedida ao programa Lead da Memória, gravada no dia 31 de março, Mauri revisitou passagens marcantes da sua trajetória e refletiu sobre as transformações no fotojornalismo. Um dos momentos que destaca com carinho é a cobertura da visita do Papa João Paulo II a Fortaleza, em 1980. “Há algumas coberturas que a gente não esquece”, diz. Outro episódio inesquecível foi a cobertura do desastre aéreo na Serra de Aratanha, em 1982, uma tragédia que marcou profundamente o Ceará e exigiu sensibilidade e responsabilidade jornalística.

Foto: Mauri Melo

Mauri também teve papel relevante na transição tecnológica do fotojornalismo, acompanhando a mudança do analógico para o digital. Ele lembra com precisão o tempo em que operava imagens em um aparelho de rádio-foto, tecnologia usada para receber fotografias enviadas de outras partes do mundo. Foi assim que teve acesso a imagens da primeira ida do homem à Lua, em 1969, um marco da história registrado também em sua memória.

Apesar das mudanças e avanços técnicos ao longo do tempo, Mauri manteve uma postura firme em sua forma de ver a fotografia: “Sempre quis fazer fotos diferenciadas. Para mim, tanto faz aparecer uma grande reportagem, como uma pequena.” Essa sensibilidade o levou a registrar não só grandes acontecimentos, mas também cenas do cotidiano, retratando com humanidade e precisão realidades diversas do Estado do Ceará.

Entre figuras públicas e personagens anônimos, Mauri eternizou instantes únicos de crianças, idosos, trabalhadores, lideranças e acontecimentos que, graças ao seu olhar, permaneceram vivos na história visual do jornalismo cearense.

Hoje, aposentado das redações, Mauri Melo continua sendo lembrado como um mestre da fotografia, respeitado por colegas e admirado por gerações de jornalistas e fotógrafos que se inspiram em sua dedicação, ética e talento.

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