“Marajá, corrupto e boa-vida, esses vão para a rua”, dizia Collor de Mello, preso por corrupção

Por 25/04/2025
“Marajá, corrupto e boa-vida, esses vão para a rua”, dizia Collor de Mello, preso por corrupção

O Ministro Alexandre de Moraes decretou a prisão do ex-presidente após a condenação em 2023 por lavagem de dinheiro na empresa BR Distribuidora, atual Vibra Energia

Por Yasmin Boyadjian

O ex-presidente e senador Fernando Collor de Mello foi preso na madrugada desta sexta-feira, 25, enquanto tentava embarcar no aeroporto de Alagoas para Brasília, em decorrência da detenção determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A Corte decretou o encarceramento de Collor depois do esgotamento dos recursos disponíveis no dito processo o qual ele foi indiciado em 2023, com o tempo de 8 anos e 10 meses em regime fechado por corrupção e lavagem de dinheiro. 

Conhecido como “Caçador de Marajás” na época da sua candidatura à presidência em 1989 e sendo eleito no mesmo ano, fez o seu lema em cima de uma política de eliminar os parlamentares que abusavam dos altos salários e viviam em comodidades com o dinheiro público dos brasileiros. “Eu iniciei uma cruzada que chegou ao Brasil inteiro: a caça aos marajás”, essa era uma das frases que o político dizia durante o seu horário eleitoral, então com essas propostas foi eleito com 35 milhões de votos. 

Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Em 1992, Collor sofreu o impeachment e deixou a presidência, em 29 de setembro, culpado pelo crime de responsabilidade ao usar cheques fantasmas para o pagamento de despesas pessoais, ficando impossibilitado de se eleger em qualquer cargo por 8 anos. Agora em 2025, foi o terceiro ex-presidente preso após a redemocratização, sua condenação ocorreu em 2023, sendo acusado de receber o equivalente a R$20 milhões em propinas por negociações da BR Distribuidora, uma antiga subsidiária da Petrobras, entre os anos de 2010 e 2014.  

Segundo o STF, o dinheiro foi lavado para ocultar a origem ilícita, e a atuação de Collor visava garantir apoio político dentro da estatal. Na época da condenação, o ex-presidente não foi preso porque ainda cabiam recursos. Moraes rejeitou o recurso apresentado por Collor por não ter havido o número mínimo de quatro votos pela absolvição. Apenas dois ministros, Nunes Marques e Gilmar Mendes, votaram pela absolvição em relação aos crimes pelos quais ele foi condenado.

Fernando Collor de Mello será encaminhado para uma ala especial do Presídio Baldomero Cavalcanti de Oliveira, em Maceió (AL). Mais cedo, a defesa do ex-presidente pediu a conversão da pena em prisão domiciliar, alegando que ele tem 75 anos e sofre de comorbidades graves, como Parkinson, apneia grave do sono e transtorno afetivo bipolar. 

Mas o ex-presidente negou os seus advogados durante a audiência de custódia pela qual passou na manhã desta sexta-feira, 25. Collor afirmou que não possui doenças e nem toma remédios de uso contínuo.


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