Jornalistas da ESPN afastados pela direção da emissora voltam ao programa nesta quinta-feira

Por 10/04/2025
Jornalistas da ESPN afastados pela direção da emissora voltam ao programa nesta quinta-feira

Os profissionais retornam à bancada do Linha de Passe após os jogos da Libertadores por terem criticado CBF e o presidente Ednaldo Rodrigues 

Por Victor Frota

Os seis jornalistas que foram afastados nesta terça-feira, 6, pela ESPN,  voltam ao comando do programa nesta quinta-feira, 10 de abril. Gian Oddi, Paulo Calçade, Pedro Ivo Almeida, Victor Birner e William Tavares, além do editor-chefe Dimas Coppede, retornam ao “ Linha de Passe”, após a partida entre São Paulo e Alianza Lima válida  pela Libertadores da América.

Gian Oddi, um dos comentaristas do programa que criticou a entidade máxima do futebol brasileiro e seu comandante, se pronunciou  na tarde desta quarta-feira em  suas redes sociais.

“Fala, pessoal. Tô gravando para tratar da matéria que saiu de manhã no UOL e depois em vários lugares sobre o Linha de Passe da última segunda-feira ,7 . Eu volto ao Linha de Passe na quinta-feira, não só eu como os meus colegas. Sinceramente, se eu volto na linha de passe nesta quinta é porque eu tenho consciência que vamos continuar falando as coisas da maneira que a gente sempre falou, com a liberdade que eu sempre tive há mais de 15 anos contratado pelo Trajano. É uma premissa fundamental do nosso trabalho. Eu acho que isso é uma premissa de nosso trabalho. Se não for para ser assim, eu não voltaria. Nem a ESPN, talvez nem faria jornalismo esportivo. É uma parte importante do que a gente faz. Eu vou continuar agindo dessa maneira. A respeito do afastamento, a argumentação que a gente recebeu é que um programa do gênero, até para a direção da ESPN, esteja preparada para as consequências que um programa do gênero não acaba tendo. Certos processos precisam ser seguidos e certos processos não foram seguidos, essa é a argumentação. Eu volto para o Linha de Passe agindo e falando da maneira que eu sempre agi”, relatou Oggi.

Para entender o caso

Nesta última segunda-feira no programa Linha de Passe, da ESPN, os jornalistas Dimas Coppede, Gian Oddi, Paulo Calçade, Pedro Ivo Almeida, Victor Birner e William Tavares dedicaram o programa inteiro a discutir sobre as denúncias que a revista piauí fez sobre a gestão de Ednaldo Rodrigues à frente da presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).   

Uma das pautas discutidas pelos apresentadores foi a da utilização do dinheiro da instituição para bancar a ida de 49 pessoas próximas ao  presidente durante a Copa do Mundo de 2022, no Catar. A que chamou mais atenção foi a de Roberto Góes, presidente  da Federação Amapaense de Futebol, deputado estadual do Amapá (União Brasil) e vice-presidente da CBF. 

Em 2022 a CBF pagou  R$ 23.300,00 para Góes e a esposa em uma hospedagem em São Paulo no bairro Jardins. Essa não seria a única vez. Em 2023, Ednaldo bancou novamente as passagens e a hospedagem do vice-presidente e de sua família a São Paulo para uma cirurgia da esposa. Mas, era um prática comum nas gestões anteriores nas quais Ednaldo prometeu  meses antes de ser eleito pela primeira vez  “expurgar toda e qualquer imoralidade”.

Outro assunto  comentado durante o programa foi a arbitragem brasileira que neste último fim de semana foi bastante questionada devido aos diversos erros.  Em 2022 foi apresentado  o centro de treinamento exclusivo para árbitros, mais uma  criação de uma escola de arbitragem que  custaria  R$ 60 milhões por Wilson Luiz Seneme. O projeto estava em andamento quando em agosto do ano passado Ednaldo alegou  restrições orçamentárias e suspendeu todas as viagens aéreas e hospedagens na cbf.

Com isso, o treinamento dos árbitros passou a ser por videoconferência e virou um catástrofe, pois nos campeonatos de 2024, mais de 100 árbitros foram afastados por falha técnica, enquanto em 2022 apenas 42 árbitros tinham sido afastados. Wilson Seneme, então presidente da Comissão de Arbitragem foi demitido em fevereiro. O centro de treinamento e a escola de arbitragem não saíram do papel. Enquanto para se reeleger Rodrigues subiu os salários dos 27 presidentes das federações de 50 mil reais para 250 mil, tendo um custo de mais de R$90 milhões anualmente.

Depois do Linha de Passe desta segunda-feira ter repercutido, na terça-feira a direção da ESPN suspendeu por um dia  os jornalistas e o produtor por não terem informado à emissora que seria um programa especial sobre a entidade máxima do futebol brasileira. Ambos voltam à programação normal hoje.

Veja também