Jornalismo político e eleições 2026 reúnem profissionais e alunos em debate na Unifor 

Evento discutiu desafios da cobertura eleitoral em cenário de polarização, redes sociais e avanço das inteligências artificiais Por Luís Eduardo N

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Evento discutiu desafios da cobertura eleitoral em cenário de polarização, redes sociais e avanço das inteligências artificiais

Por Luís Eduardo Nunes

Debate reuniu jornalistas de três sistemas de comunicação para discutir polarização, inteligência artificial e os desafios da cobertura das eleições de 2026 | Fotos: Luiz Carlos Arruda

A cobertura das eleições de 2026 e os desafios do jornalismo político em um ambiente de polarização e transformação tecnológica foram temáticas de debate realizado na manhã desta segunda-feira, 2, na Universidade de Fortaleza (Unifor). O encontro reuniu os jornalistas Guilherme Gonsalves, do Sistema O Povo de Comunicação, Wagner Mendes, do Sistema Verdes Mares, (ambos egressos do curso de Jornalismo Unifor) e Wanderley Filho, do Sistema Jangadeiro, com mediação do coordenador do curso de Jornalismo, Wagner Borges.

Professores de fotografia, Jari Vieira e Wilton Martins prestam homenagem a Zaedes dos Santos

Antes da conversa sobre jornalismo político, uma cerimônia de homenagem póstuma à ex-funcionária Zaedes dos Santos, que atuou no laboratório de Fotografia do curso de Jornalismo, por parte dos professores Jari Vieira e Wilton Martins.

Em seguida, houve a solenidade de honra ao mérito com homenagens e entrega de certificados aos estudantes do curso Gustavo Calvano, Isabela Bezerra, Isabela Ricco e Sofia Herrero, vencedores do Expocom Nacional, além de Amanda Patrício, uma das dez vencedoras do prêmio Academia Led do Jornalismo Globo.

Alunos Isabela Ricco, Gustavo Calvano e Sofia Herrero recebem certificados das professoras Mariana Fontenele, Maristela Crispim e Miguel Macedo
Professora Kátia Patrocínio abre o cerimonial para o início da discussão sobre jornalismo político

Ao abrir a discussão, Borges classificou 2026 como “um dos anos mais difíceis” para o exercício da profissão, destacando o contexto de tensões políticas e mudanças no consumo de informação. Segundo o coordenador, a formação jornalística exige que o estudante compreenda o espectro político de maneira ampla e isenta, mantendo compromisso com a apuração séria e sem polarizações.

Wanderley Filho, Wagner Borges, Wagner Mendes e Guilherme Gonsalves participaram do debate

Durante o debate, Wanderley Filho chamou atenção para as especificidades do próximo pleito. “É interessante como toda eleição tem uma novidade. Na eleição passada, a grande preocupação era com as redes sociais. Já esse ano, a grande preocupação é com a atuação das inteligências artificiais”, afirmou. 

Para ele, o jornalista político precisa atuar como mediador em um ambiente marcado por emoções. “A função é algo como colocar equilíbrio em algo que está fervendo, cheio de emoções.” Ele acrescentou que, em contextos polarizados, “o objetivo é focar na idolatria, a discussão fica superficial”.

Wagner Mendes abordou as críticas direcionadas à imprensa tradicional. “A imprensa tradicional, hoje, é muito criticada nas redes sociais”, observou. Segundo ele, o profissional que cobre política tende a ser alvo frequente de questionamentos. “Com uma grande polarização, o jornalista político é sempre o mais visado.”

 Mendes destacou que, apesar das mudanças na dinâmica de cobertura, há princípios que permanecem. “A nossa cobertura mudou, mas o que não mudou foi a credibilidade dos veículos tradicionais”, disse, ressaltando a existência de regras rígidas de apuração e publicação.

Guilherme Gonsalves complementou a análise ao tratar da relação entre imprensa e agentes públicos. “Quando você não pontua algo muito bem, os políticos já procuram brechas para descredibilizar o veículo, pesquisa e jornalista”, afirmou.

Ele também diferenciou a cobertura de cargos locais e nacionais. “As figuras de prefeito e vereador estão quase sempre muito próximas do cotidiano da população, já senadores e deputados estaduais dificilmente têm reconhecimento popular”. 

Para o jornalista, o período eleitoral é marcado por disputas narrativas. “Há muito nesse período eleitoral por culpados”. Ao mesmo tempo, segundo Gonsalves, os atores políticos recorrem aos veículos tradicionais quando convém: “Ao mesmo tempo que batem na imprensa tradicional, a procuram quando necessitam”.

O debate também abordou o panorama político nacional, a evolução da profissão e as mudanças no modo de operação das redações diante de novas tecnologias e demandas por audiência por parte dos candidatos. A atividade marcou o primeiro evento do semestre do curso de Jornalismo da Unifor.

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