O The Game Awards, o famoso “Oscar dos games”, ocorre no dia 12 de dezembro e já teve as suas nomeações reveladas Por João Pedro Almeida Pimentel
O The Game Awards, o famoso “Oscar dos games”, ocorre no dia 12 de dezembro e já teve as suas nomeações reveladas
Por João Pedro Almeida Pimentel
Nesta segunda-feira 18, o comitê de premiações do The Game Awards revelou oficialmente os candidatos para a laureação. Este ano a grande diferença é que videogames de origem asiática foram os mais nomeados para a edição 2024, enquanto nos outros anos, games de origem norte-americana eram os principais nomeados.
O The Game Awards foi uma iniciativa do jornalista canadense Geoff Keighley iniciada em 2014 com o intuito de premiar todos os desenvolvedores de jogos durante o ano, uma espécie de Oscar só que para os videogames. O evento vem sendo um sucesso enorme, com a premiação de 2023 alcançando o total de 118 milhões de espectadores simultâneos.
A maior premiação do evento é o GOTY (Game of the Year) e neste ano os nomeados foram o RPG japonês “Metaphor: Re Fantazio”, o remake do lendário Final Fantasy VII, “Final Fantasy VII: Rebirth”. O game de plataforma japonês do PlayStation, “Astrobot”, o jogo de ação chinês, baseado no épico Jornada ao Oeste, “Black Myth: Wukong”, a expansão para o game do ano de 2022, “Elden Ring: Shadow of the Erdtree” e o jogo de cartas Balatro. Com este último sendo o único da lista de origem norte-americana.
Conheça os jogos nomeados abaixo
Metaphor: Re Fantazio

Metaphor: Re Fantazio é um RPG desenvolvido pela Atlus, e dirigido pelo japonês Katsura Hashino, que ficou muito conhecido por dirigir a série Persona e a série Shin Megami Tensei.
O jogo conta a história de um reino fictício chamado Euchronia, onde nele uma religião chamada Sanctarismo é oficialmente a religião estatal. Esta crença prega a ideais racistas de que certas raças do jogos são inferiores a outras.
O protagonista do jogo é um garoto, cujo nome é escolhido pelo jogador, da raça Elda, a raça mais discriminada no universo do jogo e ele busca fazer uma revolução para acabar com o Sanctarismo.
O garoto possui um livro onde ele mais baseia a sua revolução, este livro apenas se chama Fantasia e possui claras inspirações no livro “Utopia” do inglês Thomas More.
Além disso, os monstros do jogo possuem inspirações nas pinturas do holandês Hieronymus Bosch, especificamente nas pinturas “Inferno” e “Juízo Final”. No game, estes monstros são apelidados de Humanos e ninguém sabe a verdadeira origem deles.
Imagem: Atlus
A trilha sonora de Metaphor também é um dos destaques. Ela é cantada pelo sacerdote budista do templo Miyoji, Keisuke Honryo e é cantada em esperanto, uma língua real criada para ser um idioma universal.
Metaphor: Re Fantazio é um dos jogos favoritos para ganhar a premiação de GOTY. O jogo também arrecadou, além de jogo do ano, seis nomeações, incluindo “melhor trilha sonora”, “melhor direção de arte” e “melhor direção”.
Final Fantasy VII: Rebirth
Imagem: Square Enix
Final Fantasy VII: Rebirth é um remake do lendário RPG, Final Fantasy VII, lançado originalmente em 1997 para o PlayStation 1, ele é desenvolvido pela Square Enix e dirigido por Naoki Hamaguchi.
O game é a segunda parte da série de remakes que começou em 2020, com Final Fantasy VII: Remake, que também foi nomeado para a premiação no ano de lançamento.
O jogo conta a história de Cloud Strife, um mercenário que está prestando serviço para o grupo bioterrorista Avalanche que busca destruir reatores de Mako que estão sugando a vida do planeta.
Como um remake, Final Fantasy VII: Rebirth decide mudar muitos elementos da sua história original, contendo o elemento principal de que Cloud e os membros da Avalanche sabem do futuro que o antagonista do jogo. Sephiroth conseguiu jogar um meteoro no planeta, acabando com toda vida nele.
Agora, na narrativa de Rebirth, os protagonistas do jogo já sabendo disso, tentam não somente destruir os reatores de mako, mas também impedir que Sephiroth jogue um meteoro no planeta.
O Final Fantasy VII original de 1997 foi um jogo revolucionário na época, elevando a apresentação cinematográfica e storytelling nos videogames. de acordo com o júri da premiação, Rebirth é uma evolução de tudo o que o jogo original fez 27 anos atrás.
Final Fantasy VII: Rebirth é um principal rival de Metaphor, concorrendo para seis nomeações, incluindo as mesmas que o RPG da Atlus também está disputando.
Astrobot

Imagem: Sony Interactive Entertainment
Astrobot é um jogo de plataforma desenvolvido pela Team Asobi, uma divisão do PlayStation e é dirigido pelo nipo-francês Nicolas Doucet.
A Team Asobi foi o que restou do falecido estúdio da Sony, Japan Studio, que foi oficialmente fechado em abril de 2021. O fechamento da Japan Studio foi visto como controverso por vários jogadores e jornalistas por ter sido um estúdio com mais de três décadas de jogos lançados, incluindo vários games que são considerados os melhores já feitos como Ico, Shadow of the Collossus e Gravity Rush.
Mesmo apesar do fechamento da Japan Studio, Astrobot é um jogo que conseguiu carregar o legado do seu estúdio progenitor. O seu elemento mais especial é as inúmeras homenagens que o jogo faz com as várias franquias de jogos que definiram as cinco eras do PlayStation.
O protagonista do jogo é o robô Astrobot, que agora é visto como um mascote da marca. Durante o jogo é possível encontrar vários outros Astrobots vestidos de personagens do PlayStation, indo de franquias enormes como God of War e Uncharted, a jogos mais obscuros como Boku no Natsuyasumi e Alundra. Além de também ter personagens de outras marcas como os personagens de Resident Evil (Capcom), Yakuza (Sega) e Metal Gear Solid (Konami).
Imagem: Sony Interactive Entertainment
Astrobot talvez seja o verdadeiro favorito para ganhar o GOTY, já que ele foi o jogo mais nomeado. Com um total de sete indicações.
Black Myth: Wukong
Imagem Game Science
Black Myth Wukong foi uma das principais surpresas da premiação, ele é oficialmente o primeiro jogo de origem chinesa disputando na premiação. Ele é desenvolvido pela Game Science, estúdio originário de Shenzhen, Guangdong e é dirigido por Feng Ji.
O game serve como uma adaptação ou recontagem do épico literário Jornada ao Oeste, em mandarim, Xi You Ji, escrita por Wu Cheng’en. Esta obra literária conta a história do rei macaco Sun Wukong e a peregrinação do monge budista Xuanzang para a Índia.
Wukong, como um game, é um mistura dos gêneros literários Xianxia e Wuxia, já que ele conta com elementos mitológicos budistas (Xianxia) num universo fictício (Wuxia). Ambos os gêneros são extremamente populares em videogames de origem chinesa ou taiwanesa.
O motivo de Black Myth: Wukong ser uma surpresa na premiação é que jogos chineses são normalmente ignorados pela imprensa ocidental, como já foi explicado neste artigo do Newslink.
Wukong foi nomeado para cinco indicações, mas por ser um jogo chinês é difícil o game sair laureado, já que nunca houve um jogo de origem sínica ganhando qualquer premiação.
Elden Ring: Shadow of the Erdtree
Imagem: From Software
Elden Ring: Shadow of the Erdtree é uma expansão do vencedor do GOTY em 2022, Elden Ring, desenvolvido pela From Software e dirigido pelo lendário Hidetaka Miyazaki, um dos diretores mais renomados da atualidade.
A escolha de Shadow of the Erdtree para o GOTY foi visto como polêmica, primeiramente porque foi a primeira vez que uma expansão foi nomeada para jogo do ano e também porque Elden Ring já teve o seu momento de glória, quando ele foi eleito o jogo do ano em 2022. Alguns jornalistas veem isso como uma maneira de rebaixar os outros jogos nomeados.
A expansão pega elementos narrativos não concluídos do jogo original, como o destino de Miquella, para continuar com a narrativa de Elden Ring. A história do jogo, além de ser escrita por Hidetaka Miyazaki, teve a ajuda do escritor literário americano George R. R. Martin.
Como de costume do estúdio From Software e de Miyazaki, a expansão de Elden Ring possui um elemento de dificuldade extrema e lutas épicas contra chefões e ainda apresenta um mapa completamente novo para a expansão.
Imagem: From Software
Elden Ring: Shadow of the Erdtree, por ser a primeira expansão disputando o GOTY, talvez não ganhe, entretanto a sua nomeação representa o nível de prestígio que Hidetaka Miyazaki e a From Software possuem no cenário atual de videogames.
Balatro
Imagem: Local Thunk
Balatro foi a grande surpresa entre os nomeados, ele é um jogo independente de origem canadense, o único entre os nomeados que não é de origem asiática, e é desenvolvido pela Local Thunk.
Ele é um jogo Rogue-Like, um gênero que consiste na repetição do mesmo cenário, só que o progresso do jogador é acumulativo. O jogo não possui história, o seu loop de gameplay consiste no jogador em construir decks de cartas para destruir personagens chamados Big Blinds, quando ele ganha oito, o jogo termina.
Por ser um jogo indie, ele foi nomeado, especialmente porque a premiação em todos os anos prioriza em nomear um jogo independente como uma maneira de prestigiar desenvolvedores que fazem o trabalho hercúleo de desenvolver um jogo sozinho.
Balatro também é o único jogo da lista de nomeados, que além de lançar para plataformas principais como PCs e Console, também lançou para celulares. Por ser um jogo mais simples do que os outros nomeados, as suas chances de GOTY são muito baixas.
Outras informações
Os games japoneses Like a Dragon Infinite Wealth (Sega), Dragon’s Dogma II (Capcom) e Rise of the Ronin (Sony) também eram favoritos para as nomeações. Entretanto, Like a Dragon e Dragon’s Dogma estão disputando duas premiações e Rise of the Ronin nenhuma.
O game sul-coreano Stellar Blade também simbolizou a segunda vez que um jogo de origem coreana está sendo nomeado, com ano passado Lies of P, sendo nomeado em três categorias. O game também era um dos favoritos para a nomeação de GOTY, mas não alcançou e está disputando em três categorias.

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