J. Robert Oppenheimer completaria 122 anos – e o mundo ainda vive sob sua ameaça

Por 22/04/2026
J. Robert Oppenheimer completaria 122 anos – e o mundo ainda vive sob sua ameaça

Mais de um século após o nascimento de Oppenheimer, o “pai” da bomba atômica, países ainda vivem sob a lógica nuclear – entre tratados frágeis e tensões crescentes no Oriente Médio

Por Leonardo Piccinini

Hoje, se estivesse vivo, J. Robert Oppenheimer completaria 122 anos. O homem que ajudou a inaugurar a era nuclear – e depois passou a conviver com o peso ético deste feito – virou símbolo de uma contradição que nunca foi resolvida: a ciência como ferramenta de avanço e, ao mesmo tempo, de destruição em massa.

Desde os testes do Projeto Manhattan até hoje, o arsenal cresceu, os sistemas de lançamento ficaram cada vez mais precisos e a ameaça deixou de ser excepcional para se tornar permanente. Foi nesse contexto que surgiu o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP).

Assinado em 1968, o acordo foi uma tentativa de conter o efeito dominó iniciado após Hiroshima e Nagasaki – mas estabeleceu um pacto desigual: cinco países mantêm arsenais nucleares legalmente reconhecidos, enquanto os demais se comprometem a não desenvolver armas em troca da promessa, nunca cumprida, de desarmamento gradual.

O tratado desacelerou a proliferação, mas não eliminou o princípio central que sustenta o poder nuclear: a dissuasão baseada na ameaça.

Décadas depois, o tabuleiro segue tenso: em março de 2026, o Secretário de Defesa americano, Peter Brian Hegseth, afirmou que o país possui estoque nuclear “praticamente ilimitado”. 

As tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã reativam constantemente o risco de escalada. O programa nuclear iraniano é visto por Washington e Tel Aviv como uma ameaça direta, enquanto Teerã sustenta que suas ambições são civis. O enriquecimento de urânio, ligado ao desenvolvimento de armas nucleares, é um dos principais impasses nas negociações de um acordo de paz no conflito. 

Donald Trump eleva o tom e flerta com soluções militares em um cenário que exige cálculo – aumentando o risco em um jogo onde o custo é irreversível | Foto: Molly Riley / White House

Segundo fontes ouvidas pelo jornal The New York Times, os EUA propuseram a suspensão da atividade nuclear iraniana por 20 anos, como forma de reduzir o risco imediato sem exigir uma renúncia formal e permanente ao direito previsto no TNP.

O Irã rejeita abrir mão do controle sobre esse material, mas sinalizou disposição para diluí-lo em níveis incompatíveis com o uso bélico. O impasse revela o núcleo do problema: não se trata apenas de capacidade técnica, mas de confiança política – um recurso cada vez mais escasso em um sistema internacional que continua operando sob a lógica inaugurada na era de Oppenheimer.

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