“Isso é só para fazer uma vitrine”, destacam atletas que participaram no JUBs 2025

Por 22/10/2025
“Isso é só para fazer uma vitrine”, destacam atletas que participaram no JUBs 2025

Participantes dos Jogos Universitários Brasileiros discutem características marcantes, mesmo após fim das competições 

Por Maria Oliveira

Apesar de terem seu encerramento no último sábado, 18,, os Jogos Universitários Brasileiros (Jubs) continuam sendo palco de discussão sobre o futuro e as oportunidades dos atletas. “É uma competição nacional e vem gente de todos os estados do Brasil, então há olheiros também de todos os estados do Brasil”, disse a atleta de judô, Laiane Medeiros, do curso de Educação Física da Universidade Estadual do Ceará (Uece), apontando os Jubs como uma vitrine profissional.

A 72ª edição dos Jubs, a maior competição de desporto universitário da América Latina aconteceu em Natal (RN), de 5 a 18 de outubro. Celebrou o retorno da cidade como sede do evento após 26 anos. A competição reuniu mais de 7 mil atletas universitários de todo o Brasil, disputando em diferentes modalidades esportivas.

A visão de oportunidade que os jogos representam, transforma a competição em um dos eventos mais desafiadores do calendário para os atletas. Também do curso de Educação Física, mas do Centro Universitário Unifatecie, Cauan Silva, outro judoca que competiu em Natal, concorda que o evento funciona como uma plataforma. “Sempre surgem as revelações. Esses olheiros são mais os técnicos de outras universidades, de outros estados, que acabam visando esses atletas que se destacam no meio desse pessoal que é da Seleção”, explica.

Laiane, que participou de três edições dos Jubs, ressalta que o alto nível da disputa se deve, em grande parte, ao investimento das instituições de ensino. O Jubs, segundo a atleta, se tornou um mercado, com instituições privadas buscando competidores de ponta de outros estados, bancando sua participação apenas para visibilidade. “Há faculdades que contratam atletas de ponta de outros estados para fazer vitrine. Eles não estudam na faculdade, é só para fazer uma vitrine mesmo,” revela.

O nível de elite gera, no entanto, um contraste evidente com os atletas que não vivem profissionalmente do esporte. Beatriz Oliveira, atleta de vôlei, e estudante de Educação Física da Universidade de Fortaleza (Unifor), relata que essa situação interfere diretamente no desempenho do universitário comum.

“É um pouco injusto”, afirma Bia. “Uma pessoa que tem uma rotina universitária, não tem só aquilo na vida dela, não só treina, ela trabalha, estuda”, explica. Segundo a atleta, a competição é desequilibrada quando enfrentam pessoas “que só fazem aquilo (treinar) e aí fica um pouco mais fácil”.

Para os atletas que não têm o mesmo nível de patrocínio, o custo de participar de competições é uma barreira. Os esportes exigem um investimento pessoal alto com custo de passagem, hospedagem, e taxa de competição. 

Atletas de vôlei da Unifor comemorando a vitória /  Foto: Esporte Unifor 

Apesar dos desafios financeiros na modalidade, a principal recompensa no Jubs, para a maioria dos universitários, não é monetária, mas sim acadêmica. “Medalhar nos Jubs, por exemplo, para quem já estuda em faculdade particular é muito bom, porque você consegue uma bolsa em outra faculdade, ou um desconto de cerca de 80% na sua bolsa”, explica Laiane, ressaltando que essa é a principal vantagem da competição universitária.

Laiane, que participou das edições de 2022 e 2024, em Brasília, sentiu muito a diferença. “Estava todo mundo muito acostumado com a estrutura (de Brasília). Este ano foi um pouco diferente. A organização deixou muito a desejar”, pontua. As críticas se estenderam à falta de infraestrutura de lazer e cultura para o grande número de participantes. “Eram muitos atletas para poucos atrativos”.

Apesar dos contratempos, a atleta faz uma ressalva positiva sobre a assistência médica. Laiane, que teve uma lesão agravada logo no início de sua participação, destacou o acolhimento. “Tivemos um amparo grande,” reconheceu, assegurando que a estrutura de emergência estava presente e que recebeu o atendimento necessário.

A vivência da competição longe de casa, a lesão e a frustração contrastam com o desejo de lutar perto do seu círculo de apoio. Tanto para Laiane quanto Cauan, o desejo de competir em Fortaleza é visível. “Lutar em casa seria uma experiência muito boa. A gente vai estar competindo em casa, nossos familiares vão poder nos assistir, amigos ali, principalmente as pessoas que treinam com a gente”, prevê a atleta.

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