Foi um período de maturação ética e intelectual, diz o egresso na sua passagem pelo Newslink 

Por 28/11/2025
Foi um período de maturação ética e intelectual, diz o egresso na sua passagem pelo Newslink 

Para o jornalista, o laboratório foi essencial para aplicar conhecimentos teóricos na prática, o que o preparou para desafios reais, como o trabalho posterior no jornal O Povo

Por Giulia Tessmann

Nos 25 anos do curso de Jornalismo da Universidade de Fortaleza (Unifor), o Newslink, laboratório prático de extensão do curso, organizou uma série de entrevistas com alunos egressos que estagiaram no laboratório para falar de suas experiências. Nesta entrevista, conversamos com o egresso Carlos Enrique Correa, ex-bolsista do Newslink e que agora é estudante de pós-graduação.

Graduado em 2024, Carlos Enrique falou sobre o impacto do Newslink na carreira e o desenvolvimento das suas habilidades dentro do laboratório e com as orientações dos professores responsáveis, o ajudando posteriormente em seu trabalho no jornal O Povo. Ele ingressou em meio à pandemia em outubro de 2021 e descreveu o início como uma verdadeira oportunidade. 

Newslink: Como você acha que teria sido seu ingresso no mercado de trabalho sem a passagem pelo Newslink?

Carlos Enrique: Logo que me formei em 2024, a minha meta foi continuar na academia. Ao contrário da maioria dos meus colegas, decidi seguir o percurso necessário para alcançar o magistério. Sublinho a importância que os professores com os quais tive contato no NewsLink tiveram nessa decisão. É, entretanto, fácil conjecturar um cenário mais dificultoso caso decidisse ingressar no mercado de trabalho sem ter uma passagem pelo laboratório. 

É no NewsLink onde os estudantes podem colocar em prática todas as habilidades desenvolvidas em sala de aula e, consequentemente, transmitir os conhecimentos teóricos adquiridos para os textos confeccionados na redação. Sem essa experiência, aqueles que estão às portas do mercado de trabalho não terão suas habilidades potencializadas. Digo por experiência própria. Quando tive a oportunidade de trabalhar no jornal O Povo, pude perceber o quão benéfica foi minha trajetória no NewsLink. Não há espaço mais proveitoso para qualquer estudante que almeja trabalhar em redações ou em outros meios jornalísticos. 

N: Que sensação você sentiu nos primeiros dias no Newslink e no primeiro dia de seu emprego como jornalista?

CE: Lembro com bastante nitidez do meu primeiro dia no NewsLink. Era outubro de 2021. Ainda vivíamos sob a sombra da pandemia de Covid-19, embora estivéssemos, paulatinamente, sendo imunizados. A primeira palavra que me veio à mente foi “oportunidade”. Passei, junto com meus colegas, semanas me comunicando com os professores do laboratório apenas por e-mail, já que as medidas de combate ao vírus impediam nossa presencialidade. Então, quando tivemos a chance de comparecer presencialmente à redação, praticamente montamos morada lá. Aproveitei, da melhor maneira possível, meu tempo no NewsLink. Foi um período de maturação ética e intelectual, imprescindível para todo estudante. 

Como havia citado, quando me graduei, em janeiro de 2024, tomei a decisão de continuar me dedicando à vida acadêmica. Foi um caminho que, acredito, comecei a trilhar quando desenvolvi minha monografia. A pesquisa e a atuação do jornalista caminham lado a lado. Nada além de entusiasmo poderia definir minha sensação à época. 

N: Das habilidades desenvolvidas no período como estudante, qual a experiência que mais marcou na sua passagem pelo Newslink?

CE: Seria possível apontar um catálogo de habilidades polidas na redação do NewsLink. Apontaria, no entanto, a escrita como diferencial. Me identifiquei, logo no começo da graduação, com disciplinas relacionadas à escrita. Aponto três cadeiras como verdadeiros pilares da minha formação: Jornalismo e Mercado da Informação; Ateliê de Produção Textual e Jornalismo Impresso. No laboratório, pude aproveitar minha afinidade com as letras para produzir matérias e reportagens, sempre com a valorosa supervisão de professores.  

N: No período que passou no Newslink, qual a principal orientação que recebeu e quais conhecimentos / habilidades aplica no seu dia a dia na vida profissional?

CE: A principal orientação recebida, sendo ela comungada por todos os professores do laboratório, é a de sempre agir com ética. O trabalho do jornalista precisa seguir princípios morais. Tais princípios precisam ser apresentados a todos os estudantes o mais cedo possível. O trato com a informação, o compromisso com a verdade e a relação com as fontes são elementos basilares da profissão. 

Entre todas as coisas que aprendi no NewsLink, o trabalho ético é aquilo que tento levar para o meu dia a dia. 

N: Que dica daria a um aluno de Jornalismo que esteja pensando em integrar a equipe do Newslink?

CE: Diria para todo estudante de Jornalismo viver o laboratório com intensidade. É um ambiente propício para o desenvolvimento de habilidades necessárias para o jornalista contemporâneo. Desenvolvam pautas, escrevam com leveza e criatividade. Mais importante, leiam com voracidade. É impossível pensar em um jornalista que não goste de ler. Consumam jornalismo. Temos dois jornais na nossa cidade, O Povo e Diário do Nordeste, com conteúdos de altíssima qualidade. Sempre os leiam. O hábito de consumir jornais cotidianamente é imprescindível. Porém, não fiquem presos ao nosso espaço geográfico. Acho importante ler jornais de grande circulação, como a Folha de S. Paulo. Tudo o que for absorvido é refletido no trabalho da redação. Lembro que parte de minhas ideias para textos apareciam depois de ler reportagens da revista piauí, por exemplo. E, é óbvio, devorem livros. Sejam de ficção ou não ficção.

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