Exposição “Terror celestial” debate existências LGBTQ+, horror e colonialidade no MAC-CE

Com curadoria de Lucas Dilacerda, a mostra exibe trabalhos de artistas que transformaram o imaginário do medo em ferramenta de criação e de cura  

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Com curadoria de Lucas Dilacerda, a mostra exibe trabalhos de artistas que transformaram o imaginário do medo em ferramenta de criação e de cura  

Texto produzido por Ícaro Gonçalves I Edição: Miguel Macedo

A exposição questiona a forma com a colonialidade criou “monstros” para justificar a perseguição a indivíduos com costumes contrários I Fotos: Divulgação 

Apresentar diferentes formas de expressão para superar a violência e a intolerância lançadas sobre existências LGBTQ+ ao longo de gerações. Esta é a proposta de “Terror celestial”, exposição gratuita e acessível que segue em cartaz no Museu de Arte Contemporânea do Ceará (MAC-CE) até o dia 4 de outubro de 2026.

A mostra traz obras de artistas queer que utilizam o terror como linguagem artística em esculturas, fotografias, instalações e pinturas distribuídas em três seções. “Meu desejo é que o público perceba que o verdadeiro terror não está nas criaturas fantásticas, mas nas estruturas que decidiram quais vidas poderiam ser consideradas humanas”, conta Lucas Dilacerda, curador da exposição.

A primeira seção curatorial, “Monstros e quimeras”, aborda o cruzamento dos reinos dos animais, plantas, minerais, criaturas místicas e forças sobre-humanas para discutir como a monstruosidade ultrapassa a compreensão da figura humana, revelando seres híbridos. 

Já em “Espiritualidade terrena”, há um questionamento para a maneira como a religião cristã propagou a ideia de céu e inferno, na qual indivíduos com costumes diferentes foram associados a demônios ou pecadores. Com isso, as obras tratam a espiritualidade como local de cura, resgatando raízes com saberes de matriz africana, tradições populares, cosmovisões indígenas e outras formas de conexão com a natureza espiritual. 

Por fim, a última seção “Terror das formas”, parte do conceito de “terrorismo de gênero”, para refletir como a produção artística de pessoas LGBTQ+ provoca um incômodo nos ideais clássicos das belas artes. Nesse espaço, as obras desafiam essas normas para conceber novas expressões de produção.

A exposição apresenta obras de artistas LGBTQ+ que usam a arte para desafiar padrões e transformar a dor em potência criativa

“Terror celestial” é uma exposição que convida o público a pensar na história da colonialidade – termo usado para se referir a permanência de lógicas de dominação, controle e hierarquia social criadas durante a era das colônias – como uma história de horror, onde indivíduos foram associados a monstros como justificativa para perseguições.

“A exposição propõe exatamente essa inversão: transformar aquilo que a colonialidade produziu como violência em uma linguagem capaz de imaginar outras formas de vida”, afirma Dilacerda.

Para garantir a visitação de todo o público acima de 14 anos, a mostra conta com ferramentas de acessibilidade para contribuir com a experiência dos visitantes que precisam desses recursos. 

Disponíveis em uma plataforma digital, os materiais podem ser acessados via QR Code ou com o suporte da equipe educativa. Entre as opções oferecidas estão textos em Libras, audiodescrição, prancha de comunicação alternativa e a opção de agendar visitas acompanhadas por intérprete de Libras.

Serviço

Exposição “Terror celestial”

Local: Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura – Rua Dragão do Mar, 81 – Praia de Iracema

Período em cartaz: 18 de julho a 4 de outubro de 2026

Classificação indicativa: 14 anos

Ingresso: gratuito 

Acessibilidade: Art! em LIBRAS 

funcionamento: quarta-feira a sábado das 9 às 19 horas (acesso até 18h30); domingo e feriados das 10 às 19 horas (acesso até 18h30)

Curadoria: Lucas Dilacerda

Apoio: Cave, Mulheres Arquivadas, MUTHA – Museu Transgênero de História e Arte

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