Exposição “Territórios do não-dito” convida ao autoconhecimento e à empatia por meio da arte

Por 12/02/2025
Exposição “Territórios do não-dito” convida ao autoconhecimento e à empatia por meio da arte

Porto Iracema das Artes inaugura mostra que combina linguagens artísticas e explora a memória, a sensibilidade e o reconhecimento a partir das subjetividades dos artistas    

Por Isabela de Julio

A potência da memória, da resistência e do sentimento de pertencimento. Estes são os elementos de uma imersão em expressões artísticas da mostra “Territórios do não-dito”, uma combinação de fotografias e instalações, que acontecerá na Escola de Formação e Criação Artística Porto Iracema das Artes, e será aberta ao público nesta sexta-feira, 14, às 19 horas.

A exposição, resultado dos trabalhos do coletivo de jovens artistas que participaram do Programa de Formação Básica em Artes Visuais da Escola, permanecerá na Galeria Leonilson até o dia 7 de março.

Foto: Aracy Frutuoso

Para além do que é fisicamente exibido, a exposição incita a audiência a complementar as narrativas a partir de suas próprias interpretações, dialogando com o poder do “não-dito”, a preencher lacunas e a se reconhecer na poética do outro. 

Segundo Fernando Maia, professor do Programa de Formação, a mensagem do “não-dito” é que o silêncio também conta histórias. “Essa narrativa é feita de pausas, de respiros, de espaços onde o espectador não apenas olha, mas sente. O “não-dito” não é vazio, é convite. Um chamado para que cada um complete a obra com suas próprias sombras e luzes”,  revela o tutor.

Duda Rocha, artista-expositora do tríptico fotográfico “Tudo Outra Vez”, nome em referência à música homônima de Belchior, conta sobre raízes e o seu desejo em despertar o sentimento de identidade. “Meu projeto dialoga com a infância e com a necessidade de retornar a algumas memórias como forma de fuga. Eu espero que haja uma identificação por parte do público e que as pessoas possam enxergar a obra a partir do meu eu criança”, relata Duda.

A exposição também desafia seus visitantes a refletirem sobre os processos internos dos artistas envolvidos. Para Aracy Frutuoso, que apresentará sua obra “Sutura”, um livro que discute “memórias indigestas e algumas saudades”, a criação, que coexiste com as vivências do cotidiano, passa por complicações.

“Até chegar ao tema final, mudei o trabalho três vezes. Sempre que entro em “bloqueio” eu penso ‘o que meu coração gostaria de seguir agora?’. É importante seguir nossos instintos e não se podar logo no início do processo. Aprendi muito sobre errar, mas valeu a pena”, expõe Aracy sobre as adversidades do percurso criativo. 

Durante o desenvolvimento dos trabalhos, os alunos participaram de tutorias e compartilharam seus conhecimentos com artistas. Nas aulas, Fernando Maia destaca que para estimular a criatividade dos discentes, foram utilizadas práticas como a escrita automática, exercícios de imagem e memória, mapas mentais e cartografias afetivas. A ênfase esteve na escuta interna e no reconhecimento das próprias referências subjetivas. 

A colaboração foi estimulada para garantir a descoberta de novas perspectivas e fortalecer a construção coletiva das narrativas artísticas. “A troca entre os artistas permitiu que cada um confrontasse suas próprias ideias, recebesse novos estímulos e ressignificasse suas criações a partir do olhar do outro”, conta o professor, ao destacar que o impacto esperado no público não é apenas estético, mas também emocional e introspectivo. 

Serviço

Exposição “Territórios do não-dito”

Local: Galeria Leonilson – Porto Iracema das Artes (R. Dragão do Mar, 160 – Praia de Iracema)

Quando: de 14.2 a 7.3.2025

Horas: 19 horas

Gratuito e aberto ao público

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