Estudo mostra que crianças brasileiras estão acessando a internet cada vez mais cedo

Por 13/03/2025
Estudo mostra que crianças brasileiras estão acessando a internet cada vez mais cedo

Segundo pesquisa do CGI.br, o acesso à internet na primeira infância mais que dobrou, de 11% em 2015 para 24% em 2023

Por Leonardo Oliveira

O perfil do usuário de internet no Brasil está mudando, e a idade de acesso diminui a cada ano. Dados da pesquisa TIC Kids Online Brasil, do CGI.br, mostram que aproximadamente 25 milhões de crianças e adolescentes, de 9 a 17 anos, estavam online em 2023. Uma análise mais recente, abrangendo o período de 2015 a 2024, revela um crescimento ainda mais alarmante: o uso da internet e a posse de celulares se expandiram consideravelmente entre crianças de até 8 anos. 

Este cenário levanta questões cruciais sobre o impacto da hiperconexão na saúde mental e no desenvolvimento dos jovens brasileiros. Para Noália Araújo, coordenadora do curso de Psicologia da Universidade de Fortaleza (Unifor), o tema é bem preocupante e pode causar problemas relevantes nas crianças e adolescentes.

“O excesso da hiperconexão pode causar danos que vão desde a desatenção até a falta de sociabilidade que uma criança poderia ter, bloqueando assim o seu campo de desenvolvimento”, afirmou a professora.

Em um mundo onde telas e dispositivos digitais disputam a atenção dos pequenos desde cedo, surge a necessidade de um olhar atento e responsável sobre como essa interação molda o desenvolvimento infantil. Nesse contexto, Noélia ressalta o papel dos pais na mediação do uso da tecnologia como um fator crucial.

“Os pais podem impor tempo e limites para que as crianças possam aprender essa dinâmica e que não se torne totalmente dependente do uso desses meios. É importante promover e fazer outras atividades sociais”, reforça a professora. 

Foto: Correio Braziliense

O acesso à internet também pode significar acesso ao conhecimento, na pesquisa 82% dos jovens afirmam que já usaram a rede para trabalhos escolares. Para Luísa Adib coordenadora da pesquisa, a ideia é que haja também mediação de responsáveis e dos educadores quanto ao uso das redes. 

“É necessário a mediação para que os jovens possam de fato aproveitar dos benefícios e desenvolver resiliência para quando ela se deparar com algum risco, que vai ser inevitável nesse ambiente”, afirma a coordenadora.

O celular foi apontado como um dispositivo de acesso para 97% dos usuários, sendo o único meio de conexão à rede para 20% dos entrevistados. Considerando-se somente as classes D e E, essa proporção chega a 38%. Para Marcos Torati, psicólogo e mestre em psicologia clínica pela PUC-SP, quando toda essa hiperestimulação se torna habitual, a criança e o adolescente se distanciam de três experiências importantes para o desenvolvimento, o contato com a sensação de vazio, o tédio e surgimento do ócio criativo. 

“É na ausência do outro e dos estímulos externos que a criança pode descobrir a importância da capacidade de estar só e o valor da solitude, explorando a capacidade de se entreter consigo e com a companhia dos próprios pensamentos”, explicou o psicólogo.Diante dos riscos abordados, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda que crianças com menos de 2 anos não tenham contato com aparelhos eletrônicos. Entre 2 e 5 anos, seu uso deve ser limitado a uma hora por dia e, entre 5 e 10, no máximo a duas horas. Os adolescentes não devem passar mais de três horas diárias nesses equipamentos. O uso de tais dispositivos, orientam os especialistas, deve ser sempre com a supervisão dos pais ou responsáveis.

Foto de capa: Canguru News

Veja também