Estudantes e professores do Ceará lidam com os impactos da inteligência artificial na escola

Por 19/09/2025
Estudantes e professores do Ceará lidam com os impactos da inteligência artificial na escola

As novas tecnologias nas salas de aula oferecem facilidades e impõem desafios, impactando a aprendizagem e instigando novas formas de ensino

Por Laíssa Esmeraldo

A implementação de tecnologias relacionadas à Inteligência Artificial (IA) no dia a dia escolar já é algo concreto. A IA proporciona novas possibilidades e experiências aos estudantes e professores, além de otimizar e personalizar o ensino. Nas escolas, o corpo docente e discente vive tanto a comodidade quanto os desafios inerentes à essa nova realidade. 

Lilian Tavares, professora da rede estadual de ensino do Ceará, tem uma experiência positiva com IA. Ela utiliza a tecnologia na sua rotina para ter ideias de atividades, resumir conteúdos, receber sugestões de metodologias e, até, criar questões e simulados. 

Estudantes da Escola de Ensino Médio em Tempo Integral Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco, na capital cearense, usam esses recursos para estudos e pesquisas, tarefas e trabalhos. Para Júlia Rocha, do 1º ano, a IA facilita o aprendizado. “É rápida e prática para tirar dúvidas”, diz. O colega, João Matheus, concorda desde que seja usada da maneira correta e afirma ser uma ótima ferramenta para buscar informações. 

A tecnologia, no entanto, não agrada a todos. Alunos, como Augusto César, do 2º ano, dizem que a IA mais atrapalha do que ajuda. Ele acha que tem riscos de dependência e é contra o uso em escolas e faculdades. 

Sobre o debate acerca do uso da inteligência artificial nas escolas, contra ou a favor, as opiniões convergem para um mesmo ponto. Todos os alunos levantam preocupações, principalmente, relacionadas à confiabilidade das informações fornecidas. As inseguranças vão desde a incerteza das fontes até a acurácia das informações. 

A preocupação com a confiabilidade dos dados, somada à ausência de orientação dos professores, leva os alunos a refletirem sobre o uso da IA. Apesar da ferramenta estar disponível, a falta de um direcionamento mais preciso, compromete, em partes, a eficácia da tecnologia. A professora Lílian ressalta que muitos profissionais da educação ainda não dominam o uso da IA e seus recursos pedagógicos.

O pouco preparo de alguns professores acaba afetando os alunos que se queixam da ausência de orientações sobre como utilizar a inteligência artificial. Reclamam, também, da falta de direcionamento para que o recurso seja usado de forma segura e eficaz, e que contribua, de fato, para o aprendizado dos estudantes. 

A IA vem sendo uma grande ferramenta no processo de ensino e de aprendizagem | Imagem: Freepik

José Lucas, do 2º ano, diz que professores devem alertar sobre informações falsas e explicar como usar de uma forma correta para que realmente aprenda. Waysa Lima, do 1º ano, quer mais orientações para aproveitar melhor a rapidez que a ferramenta proporciona. 

As observações dos alunos apontam para o problema mencionado pela professora Lílian: a preparação dos professores. Mesmo com alguns cursos e capacitações oferecidos, muitos docentes ainda não estão totalmente preparados para lidar com a inteligência artificial em suas rotinas pedagógicas. 

A docente destaca que, apesar dos avanços, o uso da inteligência artificial nas escolas ainda enfrenta grandes desafios. Um dos principais obstáculos é a limitação de recursos. Muitas escolas não possuem equipamentos adequados, e a falta de uma internet estável acaba impactando no acesso dos alunos à essas ferramentas digitais. 

E quanto à IA em si, grande parte dos professores precisa aprender de maneira autônoma, já que os cursos e capacitações disponíveis nem sempre alcançam a todos. A professora Lílian afirma que “a maioria dos professores ainda não se sente preparada para orientar os alunos quanto ao uso da inteligência artificial. Em geral, não recebemos cursos de formação ou capacitação específicos sobre o tema, (…). O que temos aprendido vem de iniciativas individuais, pesquisas pessoais ou trocas entre colegas”.

Ela ainda complementa que, como existem estudantes que não sabem como utilizar a inteligência artificial de forma responsável, a preocupação com plágio e com a superficialidade dos trabalhos propostos pois “estudantes acabam usando a IA apenas para copiar respostas prontas”. 

Outro entrave significativo é equilibrar o uso da tecnologia preservando a autonomia e o pensamento crítico dos alunos, e garantir que a tecnologia apenas complemente, e não substitua nem o papel do docente, nem o aprendizado dos estudantes. 

A aluna Waysa reconhece que a IA pode até facilitar a pesquisa, mas se tiver orientação adequada, caso contrário, dificulta a aprendizagem. O colega, José Lucas, é categórico, e afirma que a IA mais atrapalha do que ajuda no ensino. “A pessoa só copia a resposta e não aprende o conteúdo”, ressalta.

Ainda existe muito o que explorar quando o assunto é inteligência artificial e educação. Para muitos, a IA pode ser uma forte aliada, enriquecendo processos de ensino e aprendizagem, com novas abordagens, e novas possibilidades. Ao mesmo tempo, essa tecnologia impõe desafios pois exige constante preparo e capacitação do professor.

“Na minha visão, o grande diferencial está na mediação do professor, que precisa transformar a IA em um recurso pedagógico consciente, e não em uma substituição do processo educativo”, diz a professora Lilian. 

O sucesso da IA na educação vai depender do preparo dos professores e da correta orientação aos estudantes. Quando usada de forma consciente e ética, essa tecnologia revoluciona o modo de aprender e ensinar, mostrando que a inovação e a educação conseguem se alinhar em benefício de todos.

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