Espetáculo YUGO promove circulação de apresentações gratuitas de Dani Yara

Por 24/04/2026
Espetáculo YUGO promove circulação de apresentações gratuitas de Dani Yara

Projeto celebra diversidade e intercâmbios culturais em Fortaleza por meio de performances inspiradas na herança afro-colombiana 

Por Teo Freitas

O Projeto YUGO realiza uma circulação por espaços culturais da capital cearense com programação gratuita, incluindo oficinas e apresentação de danças. A iniciativa foi idealizada e produzida pela artista cênica Daniela Yara Cantillo Castrillón, natural de Barranquilla (Colômbia), como homenagem à herança afro-caribenha colombiana. O espetáculo principal está previsto para o próximo domingo (26) às 18h30 e será apresentado no Condomínio Ágata do bairro Henrique Jorge.

A programação teve início na quarta-feira (22) e, após a apresentação principal, segue de 6 a 8 de maio na Escola Porto Iracema das Artes, com encerramento de 13 a 15 de maio na Vila das Artes. Além do acesso gratuito, a maioria das atividades conta com intérpretes de Libras, reforçando o compromisso com a acessibilidade.

YUGO é resultado de 13 anos de trajetória e pesquisa independente da artista e se estrutura a partir de um solo de dança, marcado pela relação entre criação artística e prática pedagógica. O projeto propõe uma imersão nas tradições afro-colombianas da região do Caribe, promovendo encontros com o público por meio de vivências que estimulam a troca de experiências, memórias e afetos.

A sinopse, traduzida do espanhol, destaca que “seu surgimento se baseia no doloroso exercício de lembrar, de viver em um passado que a consome e a força a romper todos os laços, tudo o que a mantém escravizada da sua própria memória… É hora de descansar”.

Dani Yara cita como principal inspiração o monólogo literário “Anália Tu Bari”, do autor colombiano Roberto Burgos. O espetáculo aborda a história de uma mulher africana escravizada no período colonial, trazendo à cena reflexões sobre memória, identidade, resistência e protagonismo feminino. A obra se configura como um manifesto corporal que dialoga com questões sociais contemporâneas, como racismo e misoginia, além de propor o resgate de memórias históricas.

As oficinas têm como foco aproximar o público das expressões culturais afro-colombianas, destacando suas matrizes africanas e indígenas e suas conexões com a cultura brasileira. As atividades exploram memórias territoriais, cotidiano, afetos e outras dimensões que constituem a ancestralidade dessas comunidades.

A apresentação conta com interação de cenários e danças de origem africana  | Foto: Nayra Maria Santos

Apesar de ser uma criação autoral, YUGO conta com contribuições de artistas cearenses. A dramaturgia é dirigida por Dayana Soufer, com iluminação de Ciel Carvalho, que colaboram para fortalecer a identidade estética do trabalho. A produção é assinada por Marcelina Acácio, também artista interdisciplinar, responsável por acompanhar o projeto com olhar crítico e poético.

A identidade visual é desenvolvida por Gabi Motta e Thiago Rouche, enquanto a trilha sonora é assinada por Rapha Anacé, criador do Tecno Tapeba, que incorpora à obra elementos sonoros ligados à resistência, à ancestralidade e à sua identidade indígena.

O projeto YUGO foi contemplado no X Edital das Artes de Fortaleza, com incentivo da Secretaria Municipal da Cultura, por meio da Lei nº 10.432/2015

Cena de YUGO com destaque para a iluminação, dirigida por Ciel Carvalho  | Foto: Nayra Maria Santos

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