Apresentada pela Edisca e contando com 40 bailarinos, a coreografia procura trazer reflexão sobre a atual situação dos povos originários Por G
Apresentada pela Edisca e contando com 40 bailarinos, a coreografia procura trazer reflexão sobre a atual situação dos povos originários
Por Gabriela Tavares

Koi-Guera é mais uma vez apresentado pela Escola de Desenvolvimento e Integração Social para Crianças e Adolescentes (Edisca). Recebido pelo Cineteatro São Luiz, o espetáculo terá início nesta quinta-feira, 2, e seguirá até o domingo, 5. O objetivo da atração é fazer um convite à contemplação sobre a memória e a ancestralidade.
O termo Koi-Guera, em tupi, significa “o que será morto”, abordando genocídio contra indígenas. Trata sobre os povos e as culturas a ponto de desaparecer devido ao violento e silencioso etnocídio indígena. A coreografia percorre também a trajetória dessa comunidade que habitava o Brasil pré-colonização, a até então chamada Pindorama.
O espetáculo retrata características da diversidade praticada por meio da arte, de cosmogonias e de saberes, sendo esses práticos, místicos ou filosóficos. A dança manifesta uma denúncia contra a violência histórica e o apagamento da cultura.
A performance se dedica a gerar questionamentos sobre os conceitos de “civilização” e “modernidade”, partindo do olhar indígena. Desde da primeira edição, Koi-Guera já percorreu Fortaleza, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, totalizando 49 apresentações.
Dora Andrade, coreógrafa e idealizadora da Edisca, relata que acredita ser muito importante iniciar, a partir da montagem do balé, uma reflexão e um aprofundamento do conhecimento das crianças sobre os povos originários. A ideia do espetáculo seria então observar a forma como essas comunidades são realmente tratadas.
A coreógrafa afirma também que, na montagem do balé, foi decidido que o balé seria mantido exatamente na íntegra como era 27 anos atrás, não havendo nenhuma alteração do ponto de vista coreográfico. Aconteceram mudanças na iluminação utilizada, para incorporar a tecnologia. A coreografia é constituída por 40 bailarinos, a partir de crianças com oito anos.
Para esta edição, Dora destaca que a novidade é exatamente a negligência que a população ainda tem para com os indígenas. “A motivação original, de 27 anos atrás, que me fez coreografar Koi-Guera, foi ter tido contato com uma população próxima à Caucaia, Tapeba, que vivia numa condição de favelização. Anos após, a motivação segue a mesma”.
“Koi-Guera foi o segundo espetáculo da Edisca. Quanto trabalhamos a dança, a montagem de um espetáculo transborda entretenimento. Acho que tem uma marca muito clara de trazer à cena questões ligadas a minorias, à ecologia, porque acho que é muito importante para um artista falar do que lhe afeta no tempo que lhe foi vivido”, frisa a idealizadora.
A Escola de Desenvolvimento e Integração Social para Crianças e Adolescentes é uma organização não-governamental, sem fins lucrativos, originada em 1991 pela coreógrafa Dora Andrade. A Edisca fornece formação em dança e atividades educativas voltadas para a cidadania, com foco em crianças e adolescentes de bairros vulneráveis.

Sediada em Fortaleza, a escola tem como objetivo central promover o desenvolvimento humano de jovens. A Edisca também consolidou a imagem de centro de formação de agentes culturais e construtora de espetáculos que a credenciaram a receber em 2012 a Ordem do Mérito Cultural, maior comenda concedida pelo Ministério da Cultura.
Serviço
Espetáculo “Koi-Guera”, da Edisca | Datas: 2 a 5 de outubro | Local: Cineteatro São Luiz (Rua Major Facundo, 500, Centro) | Horários: dias 2 e 3, às 19 horas; dia 4, às 16 horas e às 18 horas; dia 5, às 16 horas e às 18 horas
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