Escritora paraibana Jadna Alana vence Prêmio Kindle de Literatura com Barquinho de Papel

Por 24/02/2026
Escritora paraibana Jadna Alana vence Prêmio Kindle de Literatura com Barquinho de Papel

A autora irá receber R$ 50 mil e terá livro publicado pela editora Record; escritora cearense Marília Lovatel era uma das cinco finalistas na premiação

 Por Redação NewsLink

O livro Barquinho de Papel, da escritora paraibana Jadna Alana, é o ganhador da 10ª edição do Prêmio Kindle de Literatura. O resultado foi divulgado nesta segunda-feira, 23, durante evento em São Paulo.

O prêmio para a autora é no valor de R$ 50 mil, sendo R$ 40 mil em dinheiro e R$ 10 mil como adiantamento de royalties da editora Record, que irá publicar o livro de forma tradicional – impresso. O livro também será publicado e distribuído para assinantes da TAG Experiências Literárias.

Concorriam ao prêmio, quatro finalistas: a escritora cearense Marília Lovatel, com o livro O Desejo do Caramujo, Breve Romance de Despedida; Bruno Andrade, com A Casa de Farinha; Katarine Vie, com Livre de Água e Sal, e Renata Camargo com A Parte Cômoda do Infinito. Além da vencedora, as quatro obras serão publicadas em formato de audiolivro pela Audible.

O júri que escolheu Barquinho de Papel era formado por Lubi Prates, escritora e autora do livro Um Corpo Negro, Guilherme Sobota, jornalista e editor-chefe do portal PublishNews e por Tatiany Leite, jornalista e criadora do projeto Vá Ler um Livro. Como parte da premiação, a Amazon já havia divulgado que, em 2027, Jadna Alana também irá fazer parte do júri.

 Em 2023, Barquinho de Papel foi o vencedor do Edital/Prêmio Carolina Maria de Jesus e agora chega a mais essa conquista do Kindle. Antes da cerimônia desta segunda-feira, Jadna disse que esta era a segunda vez como finalista do prêmio. “A primeira foi com “Se tu me quisesse”, na 7ª edição”.

A escritora agradeceu a todos que leram e torceram por ela. “Espero que esse livro continue fazendo história no meu coração e na vida de muitos leitores. Sou imensamente grata por Jurema ter me levado a lugares tão bonitos”. Jurema é a protagonista de Barquinho de Papel, uma menina nordestina que vive no vilarejo baiano de Cruz-credo, um local esquecido onde cata papéis para construir um barquinho, sonhando em explorar o mundo além do mar.

Todos os finalistas também terão o direito de ter o livro adaptado para audiolivro pela Audible Brasil.

Sobre o livro, a vencedora e os quatro finalistas

Barquinho de papel – Jadna Alana

Jurema vive na orla de Cruz-credo, um vilarejo baiano esquecido, onde até os sonhos parecem ser jogados fora. Seu maior divertimento é provocar padre Cícero, guardião da capela azul que vela o povoado, na qual os moradores fazem suas interseções. A menina nutre essa amizade por diversão, o padre, pela esperança de catequizá-la, já que não foi batizada, o que muitos dizem ser a explicação para sua alma danada e inquieta. Apesar de gostar da vida simples e das figuras que compõem o vilarejo, ela sonha com o além-mar: quer velejar o mundo em um barquinho feito de palavras esquecidas.

Jadna Alana é paraibana, formada em Letras pela UEPB e mestre em Linguagem pela UFOP. Atua como profissional de texto na ALCE, sua marca editorial. Com a obra “Se tu me quisesse”, tornou-se finalista do Prêmio Kindle de Literatura (2022) e do Prêmio Odisseia de Literatura Fantástica (2023). Ganhou o Prêmio Marilia Arnaud com o conto “O menino de Imburana” e o Prêmio Carolina Maria de Jesus com “Barquinho de papel”, este que também foi finalista do Prêmio Kindle de Literatura (2025). É precursora nos estudos sobre o Regionalismo Fantástico no Brasil, campo que pesquisa academicamente, e edita os títulos do selo Candeário, o primeiro no país dedicado exclusivamente a esse gênero.

O despojo do caramujo, breve romance de despedida – Marília Lovatel

Uma história sobre deixar para trás o que se leva uma vida para ter. Sobre escolhas e construção de identidade. Sobre afeto, perdão e envelhecer de forma digna. Sobre os momentos em que somos mais frágeis, a chegada ao mundo e a hora da partida. O despojo do caramujo, breve romance de despedida é uma narrativa sobre quatro pessoas e quatro destinos cruzados por perdas: um homem que perde os cabelos, uma mãe que perde a memória, uma mulher trans e uma mulher negra que tentam não perder a fé na humanidade. Um livro sobre muros que encarceram letras, sobre uma parede que separa o passado do futuro.

Marília Lovatel é escritora cearense, redatora publicitária e professora. Mestre em literatura pela UFC, é cronista no jornal O Povo e membro da Academia Fortalezense de Letras. Integrou duas vezes o Catálogo de Bolonha e o PNLD Literário. Finalista do Prêmio Jabuti 2017 e do Prêmio da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (AEILIJ) 2023. Em 2024, venceu a 20ª edição do Prêmio Nacional Barco a Vapor de Literatura Infantil e Juvenil, com Salvaterra, breve romance de coragem, também ganhador do Prêmio Orígenes Lessa de Melhor Livro Para Jovem 2025, concedido pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil – FNLIJ, e do Selo Distinção Cátedra Unesco de Leitura PUC-RIO. A autora, com 15 livros publicados, superou a marca de 300 mil exemplares vendidos. Nos últimos anos, vem moldando o breve romance, em que silêncios e pausas dizem tanto quanto as palavras. O despojo do caramujo, breve romance de despedida é a sua primeira publicação individual independente e consta na relação da revista O Odisseu entre os melhores livros de 2025.

Casa de Farinha – Bruno Andrade Ribeiro

Narrado como uma confissão, Casa de Farinha atravessa as memórias de um homem que retorna ao povoado de origem, Gameleira, agreste de Sergipe, onde cresceu trabalhando numa casa de farinha que sustentou a família até sua aprovação no funcionalismo público, gastando sua infância entre o esforço braçal e o silêncio de quem teme ter seus segredos descobertos. Cada capítulo se torna um novo percurso geográfico, emocional e afetivo e, neles, os personagens se revelam em camadas: a mãe adotiva, os vizinhos, a irmã, os homens que ele amou e até ele mesmo, em suas muitas versões.

Nasceu em 1996, em Tobias Barreto, Sergipe (Brasil). Neste lugar, viveu por alguns dias até ser adotado por uma família do agreste do estado. Doutor em Geografia, o cotidiano, as memórias individuais e dos outros se mesclam à formação adquirida em seu primeiro livro, “Casa de Farinha” (2025).

Livre de Água e Sal – Katarine Vie

 Camila é uma mulher que se identifica em uma relação falida após quase duas décadas de relacionamento. Em meio a uma sociedade que impõe o casamento e a maternidade às mulheres, Camila precisa mudar os rumos da própria história e descobrir os caminhos dos seus próprios desejos.

Katarine Vie nasceu em Santa Catarina, em 1994. Tem texto publicado na Coletânea “Cartas de uma pandemia: Testemunhos de um ano de quarentena”, da Editora Claraboia. “Livre de Água e Sal” é seu primeiro romance.

A parte cômoda do infinito – Renata Camargo

Evelina cresceu observando acordada os sonhos e pesadelos entrarem pela janela do quarto para escolher outros sonhadores, algum de seus oito irmãos. Como a única filha de pais severos e tradicionais em uma pequena vila italiana no início dos anos 1900, Evelina aprendeu cedo que, para meninas como ela, não haveria espaço para sonhar. Quando Evelina conhece aquele que logo se tornaria seu marido, Vicente Marcondes, as marés mudam de rumo: por decisão e desejo de Vicente, o casal atravessa o oceano para tentar uma nova vida em uma terra sobre a qual nada sabiam, chamada Brasil.

Renata Camargo (@imrenata) nasceu em Joinville, Santa Catarina, no ano de 1995. Formada em Comunicação Social, criou as tirinhas do Planeta Zeca (@planetazeca) e é voz ativa nas redes do grupo de Escrita Matinal (@escritamatinal). Publicou em 2025 seu romance de estreia, “A parte cômoda do infinito”.

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