Entre câmeras e memórias, 15ª Mostra Unifor de Cinema reflete o cinema e o Brasil contemporâneo

Por 11/11/2025
Entre câmeras e memórias, 15ª Mostra Unifor de Cinema reflete o cinema e o Brasil contemporâneo

Durante quatro noites cinematográficas, programação reúne 18 produções universitárias e debates sobre as transformações da sétima arte no país 

Por Redação Newslink

As luzes se apagam no Cinema do Dragão. Na tela, o Brasil — múltiplo, inventivo e inquieto — ganha forma pelas mãos de jovens cineastas. Nesta quarta-feira,12 a  sábado,15 de novembro, sempre às 19 horas, a 15ª edição da Mostra Unifor de Cinema (MUC) apresenta 18 curtas-metragens e convida o público a refletir sobre o que significa fazer cinema em tempos de Brasil.

Neste ano, a realização adota como operador poético o tema “Cinema em tempos de Brasil”, propondo uma reflexão sobre cinema brasileiro contemporâneo a partir de uma perspectiva histórica e do diálogo com as poéticas de jovens realizadores. Realizada pelo Curso de Cinema e Audiovisual da Universidade de Fortaleza (Unifor), o encerramento da mostra, no sábado,15, irá contar com exibição especial de “Cabra Marcado para Morrer” (1984), de Eduardo Coutinho.

A coordenadora do curso de Cinema e Audiovisual da Unifor, Bete Jaguaribe, observa que a escolha do operador poético deste ano enfatiza a “potência do cinema brasileiro contemporâneo, ao mesmo tempo em que propõe uma conexão com o processo histórico da experiência audiovisual do país”. Essa conexão, destaca a professora, materializa-se na exibição do filme “Cabra Marcado para Morrer”, um clássico do cinema brasileiro que finaliza o MUC, no sábado,15. 

“O cinema brasileiro, especialmente as produções realizadas no Nordeste, vive um momento de grande potência criativa. Neste contexto, temos jovens realizadores fazendo suas primeiras produções, construindo suas trajetórias, que obviamente são tensionadas pelas questões da cultura contemporânea”, afirma Bete. “Queremos colocar essas experiências numa perspectiva histórica, para debater o cinema que fazemos atualmente”, explica a coordenadora.

Entre as obras audiovisuais, sete foram elaboradas no Cine Experiência LAB, um laboratório acadêmico pioneiro de desenvolvimento de projetos ficcionais e documentais de audiovisual, em que estudantes mergulham em um processo criativo de quatro semestres, com acompanhamento de professores e profissionais de mercado. Com animações, ficções e documentários, o evento conta com a produção da Veneta Filmes, uma produtora liderada por Leão Neto, egresso do curso de Cinema e Audiovisual da Unifor.

Estudante do curso e diretora do filme “Lascívia” (2025),  Júlia Moreira explica a importância do projeto. “O Cine Experiência LAB foi, e tem sido, importantíssimo para minha formação como jovem cineasta. Pude aprender muito com minhas professoras e todos os profissionais incríveis convidados para consultorias, oficinas e aulas, colaborando muito com o crescimento do filme nos mais diferentes aspectos”. 

Filme “Lascívia”, de Júlia Moreira, é um participantes da mostra I Foto: Divulgação

Nas telas, os filmes universitários revelam a multiplicidade de olhares e práticas do cinema feito no Ceará. É o caso de Lobo La Loba, estudante do curso e diretora do curta “O Que Nos Resta”, além de produtora de Ladainha, ambos exibidos na mostra.

“Durante a graduação, tenho vivido o cinema como um campo de formação que ultrapassa a sala de aula e se expande em diálogo com a comunidade. Em “O Que Nos Resta” (2024) experimentei o cinema de extensão em sua potência política e pedagógica, articulando arte, sustentabilidade e protagonismo comunitário. Já em Ladainha, pude vivenciar o cinema como gestão e logística coletiva. Entre a direção, a produção e a extensão, percebo o cinema como prática viva. Um movimento circular que se constrói na escuta, na partilha e no encontro entre saberes acadêmicos e populares”, compartilha a realizadora.

Curadoria e contraste estético

A curadoria da  15ª MUC é assinada por Bruno Juru, Valdo Siqueira e Ana Paula Vieira, integrantes do corpo docente do Curso de Cinema e Audiovisual da Unifor. A proposta da curadoria costurou diferentes experiências de encontro entre estéticas e narrativas, em uma programação dividida em três sessões, cada uma delas nomeadas a partir do que sugerem as poéticas dos curtas-metragens.

Na sessão de abertura, no dia 12, nomeada Transe da Subjetividade, os curtas entrelaçam luzes, rezas, águas e lembranças. Já a sessão Imagens de Pertencimento, com exibição no dia 13, destaca películas que exploram pertencimento e identidade em múltiplas linguagens, da comédia ao documentário, A terceira sessão, Mundos em Deriva, com filmes nas telas na sexta-feira(14), traz obras que transitam por universos fabulares e subjetivos, articulando invenção, desejo e imaginação.

Cinema brasileiro: tempo passado e futuro

Além dos curtas, nesta edição, a MUC encerrará sua programação com a exibição de um clássico da cinematografia brasileira. Em 2025, o escolhido é “Cabra Marcado para Morrer” (1984), de Eduardo Coutinho, obra fundamental do documentário brasileiro.

“É uma forma de colocarmos o nosso cinema contemporâneo numa perspectiva histórica, num gesto de reconhecimento da experiência cinematográfica do país, que é extraordinária, repleta de premiações, mas pouco vista pelos próprios brasileiros e brasileiras”, completa Bete Jaguaribe.

“Cinema em tempos de Brasil” também evoca o título do livro “Brasil em tempos de cinema”, escrito por um dos mais importantes pensadores da sétima arte brasileira, Jean Claude Bernardet, que faleceu em julho deste ano. “A referência à obra dele é uma convocação para a memória da nossa experiência audiovisual. Chegamos aqui através de um processo coletivo, cheio de desafios, com dezenas de artistas envolvidos, em mais de cem anos de história”, afirma.

Serviço

15ª Mostra Unifor de Cinema
Quando: de 12 a 15 de novembro de 2025, às 19 horas
Onde: Cinema do Dragão (Rua Dragão do Mar, 81, Praia de Iracema)

Programação completa:
Entrada Gratuita: Programação 15ª MUC 

Banner da MUC 

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