Endividamento das famílias atinge 80,2% em fevereiro e bate recorde no Brasil

Pesquisa da CNC referente a fevereiro de 2026 aponta avanço do uso do crédito e aumento do tempo com dívidas em atraso, que chegou ao maior nível des

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Pesquisa da CNC referente a fevereiro de 2026 aponta avanço do uso do crédito e aumento do tempo com dívidas em atraso, que chegou ao maior nível desde o fim de 2024

Por Levi Pinheiro

O avanço do endividamento ocorreu em todos os grupos de renda analisados pela pesquisa, embora tenha sido mais intenso entre famílias com rendimentos mais altos. Foto: USP Imagens

O endividamento das famílias brasileiras voltou a crescer e atingiu um novo recorde. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 80,2% das famílias possuíam algum tipo de dívida em fevereiro de 2026. Este é o maior percentual registrado em toda a série histórica do levantamento, realizado mensalmente desde 2010.

O índice representa um avanço de 0,7 ponto percentual (p.p.) em relação a janeiro e supera em 3,8 p.p. o resultado de fevereiro de 2025. O cartão de crédito segue como a principal modalidade de endividamento, citado por 85% das famílias endividadas. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira, 11 de março.

Segundo o presidente da CNC, José Roberto Tadros, o cenário é reflexo direto da política monetária restritiva. Ele também relaciona o aumento do endividamento aos juros elevados, que acabam reduzindo o dinamismo dos setores de comércio e serviços.

A pesquisa também revela que o tempo com dívidas em atraso chegou a 65,1 meses, o maior nível desde dezembro de 2024. O percentual de famílias que afirmam não ter condições de pagar suas dívidas em atraso no próximo mês foi de 12,6%, valor superior ao registrado no mesmo período do ano passado (12,3%).

O avanço do endividamento foi impulsionado principalmente pelas famílias de maior renda (acima de cinco salários mínimos), que utilizam o crédito como estratégia para manter o padrão de consumo sem precisar desmobilizar capital próprio. Por outro lado, a inadimplência atinge com mais força as famílias de menor renda: entre aquelas com rendimento de até três salários mínimos, quase uma em cada cinco (18,6%) afirma não ter condições de quitar suas dívidas pendentes.

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