Lais Oliveira Leite compartilhou suas influências e os desafios no processo de emigração e adaptação à cultura e ao clima finlandês Por Giulia Te
Lais Oliveira Leite compartilhou suas influências e os desafios no processo de emigração e adaptação à cultura e ao clima finlandês
Por Giulia Tessmann
Em busca de pesquisar sobre a educação finlandesa, reconhecida como uma das melhores do mundo, a cearense e educadora Laís Oliveira Leite, de 34 anos, mudou-se para Joensuu, na Finlândia. Lá, realizou seu mestrado e, atualmente, cursa doutorado em Educação na University of Eastern Finland.
A pesquisa de Laís é focada no engajamento de professores e estudantes de pedagogia com o desenvolvimento profissional continuado. O estudo da pesquisadora parte da premissa de que para ser professor é preciso estar engajado com o desenvolvimento constante de suas práticas e conhecimentos.
De acordo com Laís, a principal diferença da educação finlandesa e brasileira é o investimento a longo prazo realizado pelo governo finlandês. “É um projeto político de Estado, não um projeto político de governo que muda a cada mandato político, e vem se consolidando desde a década de 1970”, explica.
Psicóloga por formação, Laís se considera mais como educadora. “Minha trajetória acadêmica é mais na área de educação, em todos os projetos profissionais que eu participei, participei como educadora, como pesquisadora ”.
Laís revela que as influências de seus pais, ambos professores universitários, foram decisivas em suas escolhas profissionais. Em abril de 2016, para sua surpresa, recebeu a aprovação para o mestrado em Escola de Ciências Educacionais Aplicadas e Formação de Professores.
Documentação, visto e levantar dinheiro para a viagem. O processo para imigração não foi fácil, conta Laís, que organizou vaquinhas para arrecadar fundos. Ao chegar na Finlândia, a escuridão e a depressão sazonal – um tipo de depressão que só se manifesta em determinadas épocas do ano como no outono ou inverno – surpreenderam Laís. “Depois de alguns anos, eu entendi que era um processo relacionado à estação do ano e que eu precisava passar por isso. Não era o fim do mundo, independentemente de quanto eu tomasse vitamina D ou fizesse atividade física”, explicou.
Mesmo que não tenha contato com muitos brasileiros onde mora, ela informa que existe uma comunidade organizada a partir da embaixada brasileira em Helsinki. Essa comunidade publica uma newsletter mensal, divulgando trabalho de pesquisadores e trabalhadores brasileiros. “Tem muitos brasileiros com altíssimo sucesso na Finlândia, e isso é uma uma porcentagem representativa de toda a comunidade brasileira”, afirmou.
Ela também destaca que os finlandeses que conheceu prezam muito pelo próprio espaço pessoal. “Eles sempre mantêm o espaço pessoal deles, não tem muito assim expressão afetiva emotiva e também nem muita iniciativa para para desenvolver novas relações de amizade”. Ela ainda conta que, nas primeiras vezes indo ao trabalho de bicicleta, caiu devido ao gelo que se forma no chão. Explicou que, quando isso acontece, eles olham para o outro lado, pois para eles é embaraçoso cair de bicicleta, então não perguntam ou interagem com a pessoa.
Com o pensamento de que a experiência na Finlândia seria rápida, a educadora estava mais tranquila quando entrou no avião, apesar da ansiedade já tinha tido a prática de morar fora quando passou um tempo na Alemanha. Porém, diferente do período em que estudou no país germânico, ao terminar o mestrado na Finlândia construiu família e amizades e acabou encontrando trabalho fixo para começar seu doutorado.
A parte que Laís destaca sentir mais falta do Brasil é o tempo, “ele influencia muito, as atividades, o humor, a energia, ainda é mais no Ceará, Fortaleza, Cidade da Luz que tá quente e ensolarado o dia todo”. Ainda explica que isso impacta na variedade das cores que ela vê, a quantidade de cores é muito menor durante o inverno e os moradores não conseguem ver o céu por semanas, até meses
Aos que pensam em emigrar para a Finlândia, a educadora recomendou que cheguem ao país com uma boa condição financeira boa para se sustentarem. Ela também ressaltou que o frio pode levar a uma depressão sazonal e que ter um emprego, uma fonte própria de renda, e a capacidade de comprar alimentos ou sair de casa torna o processo de adaptação mais fácil.
A mudança para a Finlândia causou em Laís uma crise de identidade. Mas, apesar de sentir falta de muitas atividades e da cultura brasileira, a educadora conseguiu encontrar conforto e aprender dentro da cultura finlandesa.

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