Dom Hélder é homenageado pela Redação NewsLink por contribuições em prol da não violência

Por 01/12/2025
Dom Hélder é homenageado pela Redação NewsLink por contribuições em prol da não violência

Primeira personalidade do Dezembro pela Paz, a figura católica foi referência na arquidiocese de Olinda e Recife e é considerado Herói da Pátria

Por Kelly Sampaio

Bispo católico e arcebispo emérito de Olinda e Recife, Dom Hélder Pessoa Câmara foi um dos fundadores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), além de grande defensor dos direitos humanos durante a ditadura militar no país. Dom Hélder é o primeiro homenageado na série de matérias, Dezembro pela Paz, que terá uma edição por semana pelo mês de dezembro, com o objetivo de abordar grandes personalidades mundiais que estiveram à frente na luta pela paz.

Nascido em Fortaleza, no dia 7 de fevereiro de 1909, foi o 11º de treze filhos do jornalista, crítico teatral e funcionário de uma firma comercial, João Eduardo Torres Câmara Filhos, e da professora primária, Adelaide Pessoa Câmara. Embora com treze crianças, apenas oito sobreviveram a uma epidemia de gripe que atacou a região em que moravam.

Desde cedo, Dom Hélder manifestava sua vocação para o sacerdócio. Ingressou no Seminário Diocesano de Fortaleza em 1923, o Seminário da Prainha, que estava sob direção dos padres Lazaristas. Cursou o ginásio e concluiu os estudos de filosofia e teologia. Já no seminário, o futuro arcebispo e colegas receberam uma formação pela qual eram abominados o iluminismo, a Revolução Francesa, o tenentismo e o Partido Comunista Brasileiro. 

O bispo católico pregava uma Igreja voltada aos pobres e a não violência ativa. Recebeu diversos prêmios nacionais e internacionais pelas atuações, além de ter sido o brasileiro mais vezes indicado ao Prêmio Nobel da Paz, com quatro indicações.

Foi nomeado bispo auxiliar do Rio de Janeiro no dia 3 de março de 1952. Aos 43 anos, no dia 20 de abril de 1952, foi ordenado bispo pelas mãos de dom Jaime de Barros Câmara, dom Rosalvo Costa Rego e dom Jorge Marcos de Oliveira. Dom Hélder foi também grande promotor do colegiado dos bispos e da renovação da Igreja Católica, o que fortaleceu a dimensão do compromisso social. 

Em 12 de março de 1964, foi designado para ser arcebispo de Olinda e Recife, Pernambuco, cargos que exerceu até 2 de abril de 1985. Lá, instituiu um governo colegiado na diocese, organizada em setores pastorais. Criou o Movimento Encontro de Irmãos, o Banco da Providência e a Comissão de Justiça e Paz e fortaleceu as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs).

Dom Hélder Câmara era claramente resistente ao regime militar, líder contra o autoritarismo e pelos direitos humanos. Não hesitou em utilizar todos os meios de comunicação para denunciar injustiças. Pregava no Brasil e no exterior uma fé cristã comprometida com os anseios da população mais pobre. Foi perseguido pelos militares pela atuação social e política, sendo acusado de comunismo.

Dom Hélder, em 1990, lançou a campanha “Ano 2000 Sem Miséria” com o intuito de acabar com a fome e a miséria no mundo | Foto: Reprodução/CNBB

O arcebispo foi denominado “Arcebispo Vermelho”. Teve o acesso aos meios de comunicação social negado após o decreto do Ato Institucional Nº 5 (AI-5), sendo também proibida qualquer referência a ele. Mesmo assim, Dom Hélder fez frequentes viagens ao exterior, onde divulgou amplamente ideias e denúncias de violações dos direitos humanos no Brasil. Foi adepto e promotor do movimento de não violência ativa.

Em 1969, recebeu Doutor Honoris Causa pela Universidade de Saint Louis, Estados Unidos, primeiro título que conquistou em vida. Ao todo, alcançou um total de 32 títulos, dado por universidades brasileiras e estrangeiras em diversos países, tais como, Bélgica, Suíça, Alemanha, Países Baixos, Itália, Canadá e Estados Unidos.

Segundo mais votado como Brasileiro do Século na categoria Religião pela revista IstoÉ, o arcebispo também foi intitulado Cidadão Honorário de 28 cidades brasileiras e da cidade de São Nicolau na Suíça, e Rocamadour, na França. Recebeu o Prêmio Martin Luther King, nos Estados Unidos, e o Prêmio Popular da Paz, na Noruega, e diversos outros prêmios internacionais.

Dom Hélder foi concelebrante da ordenação episcopal de vários padres, entre eles: Dom José Vicente Távora, Dom Giovanni Ferrofino e Dom José Lamartine Soares | Foto: Reprodução/@arquivonacionalbrasil

Devido ao seu combate à ditadura e às torturas no Brasil, foi indicado quatro vezes para o Prêmio Nobel da Paz. Em 1970, o presidente da República da época, Emílio Garrastazu Médici, instruiu pessoalmente o embaixador brasileiro na Noruega para tentar impedir que este prêmio lhe fosse concedido. 

Nos anos seguintes, em 1971, 1972 e 1973, o arcebispo voltou a ser candidato ao mais prestigiado dos prêmios, sempre estando entre os mais prováveis ganhadores ou, até mesmo, o favorito. Entretanto, a opressão por parte do regime militar da época foi forte o suficiente para impedir a láurea de Dom Hélder.

Dom Hélder continuou a viver no Recife até falecer aos 90 anos de idade, no dia 27 de agosto de 1999. Em 27 de maio de 2014, o arcebispo de Olinda e Recife, dom Antônio Fernando Saburido, anunciou o envio de uma carta ao Vaticano, o motivo da carta era a solicitação da abertura do processo de canonização de Dom Hélder. Menos de dez dias após o recebimento da carta, a Congregação para as Causas dos Santos emitiu parecer favorável, o que concebeu ao católico o título de Servo de Deus, em 7 de abril de 2015.

Dom Hélder Câmara, posteriormente, foi homenageado em diferentes âmbitos. O acervo histórico de Dom Hélder é mantido pelo Instituto Dom Hélder Câmara, no Recife; o Prêmio Dom Hélder Câmara de Imprensa instituído pela Assessoria de Imprensa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em 2022; a Comenda de Direitos Humanos Dom Hélder Câmara, do Senado Federal, em 2010; a Lei 13.581/2017 declara Dom Hélder Câmara Patrono Brasileiro dos Direitos Humanos e a Instituição de Ensino Superior, a Escola Superior Dom Hélder Câmara com cursos de graduação e pós-graduação em Direito.

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