Dia Nacional do Livro Infantil reforça importância da leitura entre crianças 

Autor Fernando Ferraz comenta os desafios do processo de escrita e o incentivo à leitura na infância Por Clara Memória De acordo com a pesquisa

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Autor Fernando Ferraz comenta os desafios do processo de escrita e o incentivo à leitura na infância

Por Clara Memória

De acordo com a pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, as crianças continuam sendo o grupo etário que mais lê no país | Foto: Reprodução/Freepik

Em 18 de abril, comemora-se o Dia Nacional do Livro Infantil, data dedicada a incentivar a leitura durante os primeiros anos de vida. Instituída em 2002, a comemoração faz referência ao aniversário de Monteiro Lobato, pioneiro da literatura infantojuvenil no Brasil. Nascido em 1882, no interior de São Paulo, o escritor ganhou notoriedade com a série “Sítio do Picapau Amarelo”, que mistura fantasia e elementos do folclore brasileiro em uma linguagem acessível, ainda hoje apreciada por diferentes gerações.

Fernando Basto Ferraz, autor parnaibano de livros como “A Taça do Gigante” e “Salada de Letras”, conta que a inspiração para a escrever ao público infantil surgiu a partir da convivência com a neta, desde quando ela tinha apenas quatro anos. “Ela tem sido motivada a gostar de livros e de exercitar o fascínio por histórias que a fazem viajar na imaginação”.

Segundo o piauiense, atualmente radicado no Ceará, o diferencial entre escrever para crianças e para adultos está na necessidade de dialogar com o universo lúdico. “Criar para o público infantil não é nada fácil, ao contrário do que muitas pessoas imaginam. A narrativa deve ter uma proposta educacional que não angustie, que não as deixe preocupadas, ansiosas. O tema proposto deve despertar encantamento”, explica.

De acordo com a 6ª edição da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, lançada pelo Instituto Pró-Livro em 2024, 53% dos entrevistados não leram nem mesmo parte de um livro nos três meses anteriores à apuração. O levantamento, considerado o mais abrangente na tarefa de medir o comportamento do leitor brasileiro, também aponta que as crianças continuam sendo o grupo etário que mais lê no país.

Apesar disso, fatores como a participação da família são determinantes para formação de leitores. Entre as crianças de 5 a 10 anos, 61% afirmam que o gosto pela leitura foi estimulado pela mãe ou responsável do sexo feminino. Entre 11 e 13 anos, esse índice é de 54%. Os dados indicam que, embora a escola desempenhe um papel importante, o exemplo em casa é decisivo para criar o hábito de leitura.

Ao ser questionado sobre formas de incentivar a leitura na infância, Ferraz afirma que a melhor estratégia é dar o próprio exemplo, além de se atentar à qualidade das obras oferecidas às crianças. 

“Costumo dizer que não basta o livro ser bom. Ele precisa parecer ser bom, investindo na qualidade de seu conteúdo e de sua edição. Um livro infantil de boa qualidade editorial deve ter um excelente papel, bem como de páginas com desenhos coloridos que se harmonizem com a proposta de sua autoria, que deve contar com o trabalho de um um ilustrador que bem interprete o seu texto. Já publiquei três livros infantis. Neles tenho aplicado estas receitas que cultivo pra mim como escritor. E o resultado desse trabalho tem sido exitoso”, completa.

Recentemente, o Ministério da Educação lançou a plataforma MEC Livros, que disponibiliza gratuitamente cerca de 8 mil títulos em formato digital, incluindo obras voltadas ao público infantil, que vão de contos clássicos a produções de autores nacionais. 

Fernando Ferraz apresentou seu último livro infantil “A Abelha Sonhadora” na Bienal Internacional do Livro do Ceará, em 2025 | Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

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