O feriado é comemorado no mesmo dia na maioria dos países ocidentais como o México e a Guatemala; é marcado não só por um momento introspectivo, mas
O feriado é comemorado no mesmo dia na maioria dos países ocidentais como o México e a Guatemala; é marcado não só por um momento introspectivo, mas de alegria e festejo
Por Joyce Marçal e Eduarda Morais
A união familiar, a saudade e as homenagens marcam o Dia dos Finados. O feriado é celebrado neste sábado, 2, no Brasil e na maioria dos países ocidentais. Essa data foi sugerida pelo abade Odilo de Cluny (962-1049) ainda na Idade Média. O objetivo deste dia é relembrar e visitar as pessoas queridas que partiram.
É um momento de introspecção e de separar um tempo para reviver memórias felizes e amorosas de cada perda. Os brasileiros praticam orações pelas almas que já se foram e levam flores, presentes e lembranças aos túmulos de seus entes queridos. Além disso, é comum que aconteçam missas especiais nas igrejas, proporcionando um período de reflexão e homenagem.
No México essa data também é comemorada no dia 2 de novembro, dando início às celebrações no dia 31 de outubro de forma diferente e animada. Conhecido como “Dia dos Mortos”, ou Dia de los Muertos, em espanhol, as pessoas montam altares dentro de casa com flores, comidas favoritas dos falecidos, velas e fotos. Compondo o dia com muita cor, dança e comidas típicas.
Apesar da celebração estar alinhada com o cristianismo, a festividade é da cultura indígena pré-hispânica, sendo celebrada pelos povos Asteca, Maia, Zapoteca e Mixteca.
A crença da tradição é que nesse dia as almas dos mortos retornam à terra e visitam suas famílias. Acredita-se que a forma como os parentes e amigos lidam com a morte de seus queridos, interfere na “vida pós morte”. Partindo disso, o Dia dos Mortos é um dia de muita celebração, de contar histórias, honrar a memória de quem morreu e de se fantasiar com caveiras coloridas.
A Guatemala, apesar de compartilhar semelhanças com o Día de los Muertos do México, a presença da espiritualidade e a reflexão sobre a vida e a morte são as protagonistas. Uma característica marcante são os “barriletes”, grandes pipas coloridas, que são empinadas no dia 2, que representam o guia das almas para o céu.
Sumpango, um pequeno município dentro do departamento de Sacatepéquez, é conhecido pela maior festividade em homenagem aos mortos, iniciando seus preparativos para a celebração meses antes do dia 2 de novembro.
Já no departamento de Alta Verapaz, as celebrações religiosas em homenagem aos mortos são acompanhadas por orações e pelo Boj, bebida tradicional feita à base de milho e cana-de-açúcar, fermentada por três dias.
Em El Salvador, o município de Tonacatepeque comemora a véspera do dia dos finados com o festival La Calabiuza. Originada de um mito indígena que perpassa pela comunidade há muitas décadas, La Calabiuza foi reformulada pelos jovens no ano de 1992, virando uma crítica às festas de halloween norte-americanas.
Na celebração, o povo da cidade desfila com fantasias que remetem a mitologia local, e carregam carroças adornadas com caveiras e imagens de anjos e demônios, que simbolizam a passagem dos mortos para a vida eterna.
“El gritón de la media noche” (O gritão da meia noite). Foto: Divulgação
No Haiti, o cristianismo divide espaço com as comemorações Vodu,do país. Enquanto os católicos vão à missa de manhã e prestam homenagens nos cemitérios à tarde, aqueles que seguem a doutrina Vodu ofertam comidas e bebidas aos mortos.
No ritual guedé, espíritos da morte são invocados por meio de danças e cânticos, em uma homenagem à transição entre a vida mundana e a vida eterna das almas dos falecidos.

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