Dia da Visibilidade Bissexual expõe preconceitos dentro e fora da comunidade LGBTQIA+

Relatos de pessoas públicas e comuns, bissexuais e aliados marcam data celebrativa, 23 de setembro, em prol do orgulho e da luta constante Por Kel

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Relatos de pessoas públicas e comuns, bissexuais e aliados marcam data celebrativa, 23 de setembro, em prol do orgulho e da luta constante

Por Kelly Sampaio

Foto: Reprodução

Celebrado nesta terça-feira, 23, o Dia Internacional da Celebração Bissexual foi resultado de intensas lutas contra o preconceito. Após a rebelião de Stonewall, em 1969, a comunidade gay e lésbica cresceu em força e visibilidade, entretanto, a comunidade bissexual, mesmo tendo crescido em força, ainda eram invisíveis. A data foi idealizada por Wendy Curry, do Maine; Michael Page, da Flórida; e Gigi Raven Wilbur, do Texas, três ativistas dos direitos bissexuais dos Estados Unidos, no ano de 1999, pela primeira vez.

A bissexualidade é a atração afetiva, emocional e/ou sexual por ambos os gêneros, entretanto, para alguns bissexuais, o gênero não é um fator determinante para a atração – similar a pansexualidade. Durante muito tempo, a comunidade bissexual lutou pelo simples direito de existir, e, até hoje, este grupo resiste constantemente para ocupar os lugares a que pertencem.

Foto: Reprodução/Sindy Barros

Um estudo realizado pela Universidade de Stanford, nos EUA, em 2019, apontou que bissexuais têm maior propensão ao desenvolvimento de problemas de saúde mental, quando comparados às pessoas monossexuais (que só sentem atração por um gênero: héteros e gays/lésbicas). Ainda sobre a pesquisa, os entrevistados relataram não se sentirem confortáveis em falar abertamente sobre sua orientação sexual por medo da rejeição, do preconceito e da constante pressão para que se “decidam”.

A bifobia, preconceito contra a comunidade bissexual, opera tanto dentro quanto fora da comunidade LGBTQIA+, por meio de mitos que afirmam um caráter amoral inexistente, como, por exemplo, que fazem muito sexo e que dão em cima de qualquer pessoa, independente do gênero, além do pensamento de que bissexuais sempre vão trair nos relacionamentos em que estiverem.

Foto: Reprodução/Mateus Moura

Dar visibilidade à comunidade Bissexual e combater a bifobia é essencial para extinguir a desinformação e o preconceito bastante atrelados a estas pessoas. “Ser bissexual é sobre poder amar sem amarras e saber exatamente como se identifica e de quem se gosta; é sobre se autoconhecer; é sobre acordar todos os dias e saber exatamente quem sou!”, afirma Ariane Domborovski, estudante de administração na Universidade Federal do Paraná (UFPR).

A deputada federal Erika Hilton, se manifestou nas suas redes sociais em prol da comunidade bissexual “uma data que existe pra dizermos: bissexuais existem, resistem e devem ter suas existências respeitadas sem a invalidação e invisibilização de quem são”.

O cantor Jão, parte da comunidade bissexual, veio nas suas redes sociais comemorar a data. | Foto: Reprodução

“No começo eu não sabia que era atração, eu acho que, por ser o meu gênero, eu pensava “nossa, eu quero ser assim”. Depois de um tempo eu comecei a me questionar, porque era algo que às vezes me dava uma certa fixação, no início eu tinha por certos corpo, de ambos os lados, só que mais puxado para o masculino”, afirma Adriel Cavalcante, atendente de seerviço de atendimento ao consumidor, sobre o seu despertar bissexual.

“Eu convivo num contexto social muito conservador, e às vezes eu me questiono se eu realmente sou bissexual, “será se eu não sou só gay?” ou “não é só uma fase”, mas sempre que isso acontece, o universo me manda sinal de que eu realmente gosto dos dois lados, apesar de que um é bem mais forte do que o outro, bem mais predominante”, complementa.

Psicóloga e bissexual, Cristina Silvana afirma que pessoas da comunidade ainda enfrentam desafios ao se afirmar como bissexuais. | Foto: Reprodução/@apsicologacris

“Para mulheres héteros normalmente eu não sou “homem”, enquanto para homens gays eu deveria “tomar vergonha na cara e me assumir logo”, fora a dificuldade de entender que meu relacionamento não define minha sexualidade, pois se eu namorar um homem “eu sou só um gay confuso”, mas se eu estivesse namorando uma mulher, para a comunidade seria só um “queerbaiting””, desabafa Caio Soares, estudante de Farmácia, sobre os preconceitos enfrentados dentro da comunidade LGBTQIA+.

“Outro problema que envolve a comunidade são pessoas que falam, de forma falsa, que bissexuais não ficam com pessoas trans, o que é mentira, como bissexual, gênero é o menor dos meus interesses quando busco me relacionar com alguém. Ser bissexual, não é apenas se relacionar com homens ou mulheres, e sim desprender da preferência de gêneros que outras sexualidades têm, e se relacionar com a pessoa independente disso, seja homem, mulher, não binário, cis ou trans, é muito mais que isso”, adiciona.

Foto: Reprodução/Netflix

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