Dia da Consciência Negra rememora Zumbi dos Palmares e promove reflexão sobre a história

Por 20/11/2024
Dia da Consciência Negra rememora Zumbi dos Palmares e promove reflexão sobre a história

O feriado nacional do dia 20 de novembro homenageia a cultura negra, enfrentando o apagamento histórico e cultural

Por Eduarda Morais 

Pela primeira vez, o dia da Consciência Negra não será ponto facultativo no Brasil. A data, sancionada em 2011 pela ex-presidenta Dilma Rousseff e transformada em feriado nacional em 2023 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), é uma homenagem a Zumbi de Palmares, morto em 20 de novembro de 1695.

Zumbi dos Palmares é um ícone da luta contra a escravidão no Brasil. Era reconhecido por suas habilidades de guerreiro, ganhando notoriedade pela sua defesa do Quilombo de Palmares no ano de 1675.

À época, o quilombo era considerado o maior da América Latina, chegando a ser habitado por 20 mil habitantes.

Em 1678, Zumbi dos Palmares engaja em um conflito com Ganza Zumba, o então líder do Quilombo dos Palmares, após o mesmo ter aceitado um acordo de paz com o governador da capitania, que declarava livre os nascidos em Palmares, mas exigia o retorno daqueles que eram fugitivos.

Zumbi acreditava que a liberdade deveria ser para todos. Não há documentos oficiais ou provas, mas especula-se que a morte de Ganza Zumba, em 1678, se deu em decorrência de envenenamento, provocado por Zumbi ou um de seus capangas.

No mesmo ano, Zumbi assumiu a liderança do quilombo, defendendo-o dos ataques de escravocratas e portugueses.

A destruição do Quilombo de Palmares ocorreu em 1694, quando a expedição de Domingos Jorge Velho, fortemente armada com canhões, destruiu o mocambo Centro Real do Macaco, o coração de Palmares. 

Zumbi e os poucos sobreviventes da invasão conseguiram escapar, ficando escondidos nas matas e sobrevivendo de pequenos ataques. No entanto, em 1695, o esconderijo de Zumbi foi denunciado, e o guerreiro foi vítima de uma emboscada, resultando em seu assassinato.

Estátua em homenagem a Zumbi dos Palmares, em Salvador Foto:portal Esquerda Online

Para o graduado em história e professor universitário Bruno Lessa, a sanção do feriado remete ao reconhecimento da história negra. “Além de ser um momento de reflexão sobre o passado de escravidão e as desigualdades que ainda persistem, o feriado é uma oportunidade de promover debates e ações em prol da equidade racial”.

O professor ainda afirma que “trata-se de um passo fundamental no processo de conscientização e educação da população sobre as lutas históricas dos afro-brasileiros, reforçando a importância da inclusão e do respeito à diversidade”.

Para Bruno, é importante enfatizar a memória de Zumbi dos Palmares. “Para fixar a memória de que o feriado da Consciência Negra também homenageia Zumbi dos Palmares, é necessário investir em educação e campanhas culturais permanentes”, conclui Bessa.

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