De alternativa a desejo, brechós de luxo ganham espaço em Fortaleza

Por 29/04/2026
De alternativa a desejo, brechós de luxo ganham espaço em Fortaleza

Com crescimento impulsionado pelo público jovem e pelas redes sociais, os brechós de luxo vêm se consolidando em Fortaleza como uma nova forma de consumir moda

Por Rayssa Alves

O que antes era visto apenas como uma opção econômica, hoje ocupa um novo lugar no mercado de moda. Em Fortaleza, os brechós, especialmente os voltados para peças de luxo, como bolsas, sapatos e acessórios, têm atraído um público cada vez mais interessado em estilo próprio e consumo consciente.

Este movimento pode ser percebido na expansão do próprio setor. Segundo o empresário Pedro Lucas Vitalino, de 28 anos, sócio proprietário do brechó Gringa Vende, na Capital, o crescimento é evidente. “O mercado tem crescido bastante. Quando iniciamos, só tinham dois brechós nesse segmento, hoje já são mais de seis”, afirma.

Nos últimos anos, a mudança também se reflete no comportamento do consumidor. “Acredito que, com o passar do tempo, a demanda tem aumentado. A busca por peças de second hand (itens de luxo de segunda mão) cresceu, tanto pela escassez nas lojas quanto pela quebra do tabu de comprar em brechó”, explica Vitalino.

Nos brechós de luxo, o conceito vai além do reaproveitamento. A curadoria se torna um dos principais diferenciais: itens de marcas como Chanel, Gucci e Prada passam por um processo rigoroso antes de chegar ao consumidor. “As peças precisam ser de marcas específicas com as quais trabalhamos, estar em excelente estado de conservação e, claro, serem autênticas”, destaca o empresário.

Bolsa de luxo da marca Chanel. Peças como essa ilustram a busca por exclusividade e preços mais acessíveis no mercado second hand

A autenticação, inclusive, é um dos pilares do negócio. “Esse processo é feito por peritos e também com o uso de um aparelho que utiliza inteligência artificial, o ‘Entrupy’, que gera um certificado de originalidade”, completa.

Apesar do apelo do luxo, o fator econômico ainda é determinante para muitos consumidores. “Acredito que o cliente busca preço, exclusividade e marca, mas, na maioria das vezes, o preço ainda pesa mais”, pontua.

Esse comportamento também aparece na experiência de quem consome esse tipo de produto. A publicitária e estudante de odontologia Maria Eduarda Fachini Lustosa Zebral, de 31 anos, conta que teve o primeiro contato com peças de second hand há cerca de seis anos. “Inicialmente eu queria ter as peças, mas não queria ou não podia pagar o preço cheio de itens de luxo”, relata.

Com o tempo, a relação com esse tipo de consumo se transformou. “O preço ainda é um fator importante, mas você acaba se apaixonando pelas descobertas, pela exclusividade. Pelo menos comigo foi assim”, afirma. Para ela, a experiência vai além da compra: envolve criatividade e construção de estilo próprio. “Passei a priorizar qualidade à quantidade, além de enxergar potencial nas peças e pensar em combinações não tão óbvias.”

Pedro Lucas Vitalino, 28, sócio do brechó Gringa Vende, acompanha de perto o crescimento do mercado de luxo second hand em Fortaleza, impulsionado por novas formas de consumo e pela busca por exclusividade

A mudança também impactou diretamente seus hábitos de consumo. “Hoje tento comprar com menos frequência e reaproveitar o que já tenho. Mas, quando preciso de algo, recorro ao second hand, seja em brechós de luxo, de rua ou até bazares”, completa.

Outro fator que impulsiona esse crescimento é o ambiente digital. Muitos brechós realizam grande parte das vendas por meio de redes sociais, especialmente o Instagram, onde divulgam peças, constroem identidade de marca e se conectam diretamente com o público. O formato também favorece o chamado “garimpo online”, em que consumidores acompanham lançamentos em tempo real em busca de itens exclusivos.

Além do comportamento de consumo, a sustentabilidade também aparece como um dos pilares dessa transformação. Para Vitalino, o impacto vai além do mercado. “Os brechós de luxo têm um papel ecológico importante, prolongando o ciclo das peças já produzidas”, afirma.

Maria Eduarda Fachini Lustosa Zebral, 31, publicitária e estudante de odontologia, integra o perfil de consumidores que impulsionam o crescimento do mercado second hand, unindo estilo, economia e consumo consciente

No fim das contas, o que está mudando não é só onde as pessoas compram, mas como elas se relacionam com a moda. O brechó deixa de ser apenas uma opção mais barata e passa a ser uma escolha, seja pela exclusividade, pelo estilo ou pela experiência de encontrar uma peça única. Em Fortaleza, este movimento ainda cresce, mas já mostra que o second hand veio para ocupar um novo lugar: mais desejado, mais consciente e cada vez mais presente no dia a dia.





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