COP15 das Espécies Migratórias reforçou ações positivas direcionadas à aves costeiras no Ceará

O evento promoveu avanços na proteção de animais que podem ser encontrados no Banco dos Cajuais, em Icapuí, reunindo lideranças nacionais e internaci

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O evento promoveu avanços na proteção de animais que podem ser encontrados no Banco dos Cajuais, em Icapuí, reunindo lideranças nacionais e internacionais

Por Clara Memória

Pela primeira vez a COP das Espécies Migratórias foi sediada no Brasil, reforçando a importância do multilateralismo para a pauta | Foto: Divulgação

A 15ª reunião da Conferência das Partes (COP15) da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias (CMS) trouxe boas notícias, adotando proteções para 40 novas espécies – incluindo aves como o maçarico-de-bico-torto, encontrado no Ceará. O encontro, encerrado no último domingo, 29, reforçou corredores ecológicos e ações internacionais que beneficiam a fauna costeira local por meio de acordos ratificados pelo Brasil. 

Para a bióloga Gabriela Ramires, os Bancos Cajuais, no litoral de Icapuí, podem se beneficiar com estas ações. Com estas espécies listadas, as necessidades de maior financiamento à pesquisas e ações de conservação ganham um nível mais elevado de justificativas e embasamentos, o que contribui no acesso a recursos para execução de ações.

Uma espécie é considerada migratória quando sua população, ou parte dela, cruza fronteiras entre países ao longo do ciclo de vida, em busca de alimento, água, locais seguros para reprodução e temperaturas mais adequadas, entre outros motivos. Essa definição está de acordo com a CMS.

No contexto regional, a costa cearense recebe algumas espécies de tartarugas, baleias e tubarões; no entanto, o foco migratório do Ceará é a avifauna limícola – termo associado à palavra latina “limus”, que significa limo, lodo ou lama, referindo-se aos ambientes alagados de pouca profundidade onde essas aves aquáticas estão adaptadas a viver: praias, mangues, estuários e lagoas próximas da costa.

Neste grupo, se destacam as espécies neárticas (que se reproduzem na América do norte e na Groenlândia), como o maçarico-de-papo-vermelho, maçarico-rasteirinho e o maçarico-de-costas-brancas. Todas são registradas em áreas do Ceará, como o Banco dos Cajuais em Icapuí, e ameaçadas de extinção, segundo Gabriela Ramires, formada em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Lavras.

Gabriela, que é coordenadora de Políticas Públicas e Advocacy do Projeto Aves Migratórias da ONG Aquasis (Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos), esclarece que existem diversas ameaças para a sobrevivência e reprodução desses animais.

Entre elas estão a perda e degradação de habitats costeiros pela expansão urbana, a carcinicultura, densidade de parques eólicos, portos e poluição por efluentes. Se destacam também a perturbação por turismo desordenado, a predação por cães e gatos e mudanças climáticas que alteram a disponibilidade de alimento, o que, segundo ela, também vem afetando várias comunidades tradicionais no Brasil.

As estratégias para enfrentar essas ameaças envolvem monitoramento contínuo em áreas prioritárias – como o litoral cearense – restauração de habitats, zoneamento costeiro para normatizar atividades humanas e integração com planos nacionais como o PAN Aves Limícolas Migratórias, promovendo educação ambiental e políticas públicas.

O Maçarico-de-papo-vermelho e outras espécies de aves migratórias, encontradas em Icapuí, possuem adaptações fisiológicas para voar longas distâncias | Foto: Onofre Monteiro / Reprodução

Ao ser questionada sobre como a ONG que participa colabora com a causa, Gabriela diz: “Buscamos ampliar redes de proteção em redes, como a ampliação no número de sítios na Rede Hemisférica de Reservas para Aves Limícolas, por exemplo, o Banco dos Cajuais. Também procuramos fomentar ciência cidadã via monitoramento colaborado pelas comunidades e pressionar por licenciamento ambiental rigoroso”.

A Aquasis atua via Projeto Aves Migratórias (PAM) com parceria da Petrobrás Socioambiental com pesquisas, educação ambiental e advocacy para melhores políticas públicas direcionadas a espécies em situação de risco no Ceará.

A COP15 da CMS ocorreu de 23 a 29 de março, e contou com a participação de 132 países, juntamente com a União Europeia. Sediado em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, o evento se encerrou com saldo positivo para a preservação da fauna migrante estrangeira e nativa.

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