Como desafio global, Super El Niño de 2026 desperta forte sinal de alerta para o Ceará

Por 27/05/2026
Como desafio global, Super El Niño de 2026 desperta forte sinal de alerta para o Ceará

Fenômeno causará graves impactos e sinal de alerta para calor intenso e escassez de chuvas em 2027

Por Teo Freitas

O mundo está diante do que os meteorologistas consideram um dos episódios climáticos mais intensos da atualidade. Os efeitos do El Niño contrastam de acordo com as regiões. De acordo com Felipe Lima, assessor de comunicação da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), estudos indicam que este fenômeno causará graves impactos na agricultura que podem repercutir na economia global. Perdas significativas serão maiores principalmente dentro da agricultura familiar, que depende das chuvas.

O “El Niño Forte”, ou “Super El Niño”, acontece quando as águas do Oceano Pacífico Equatorial aquecem de forma excepcional, provocando alterações drásticas nos padrões de chuva e temperatura em partes do globo, em especial, as próximas dos trópicos.

Monitoramento global por parte do National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), centro climático dos Estados Unidos, indica 60% de possibilidade de forte El Niño acontecer com mais intensidade a partir do segundo semestre de 2026 (entre os meses de outubro e dezembro), e 90% para janeiro de 2027, com elevação das temperaturas até 2°C e redução da umidade do ar, como lembra Eduardo Sávio Martins, presidente da Funceme.

Dados da NOAA também alertam para o impacto em recursos hídricos. No caso do Ceará, reservatórios e açudes como o Castanhão e o de Orós também poderão enfrentar níveis críticos. Já segundo a Funceme, as regiões mais afetadas pelas secas se darão pelo Sertão dos Inhamuns e a região Jaguaribana. Este aumento nas secas põe em risco a agroecologia do estado: a subsistência da agricultura familiar fica escassa e o preço dos alimentos aumenta.

As categorias de desvio da temperatura são o que definem a intensidade de um El Niño | Foto: Felipe Lima

Já em Fortaleza, é esperado que as ondas de calor prolongadas causem o aumento no consumo e, consequentemente, maiores gastos com água e energia elétrica, derivadas da excessiva demanda por condicionadores e ventilação. A saúde pública também é um setor a ser pressionado em decorrência do calor extremo e da escassez de água.

Diante dos possíveis riscos de crise hídrica, insegurança alimentar e aumento de queimadas, representantes do poder público, como o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), alertam para a necessidade da adoção de medidas preventivas. Em nota técnica publicada nesta segunda-feira, 25, dentro do contexto do “agravamento do cenário climático e riscos de incêndios florestais”, Dino explica que, “conforme observado historicamente, o El Niño pode provocar impactos marcantes nos padrões de precipitação e na temperatura do ar em grande parte do território brasileiro”.

O Super El Niño de 2026 será um desafio global, mas com preparação antecipada os efeitos podem ser minimizados para evitar que o fenômeno se transforme em uma crise humanitária. Ações como planejamento rigoroso do uso da água, monitoramento constante dos reservatórios e apoio emergencial a agricultores familiares são atitudes essenciais para se adaptar durante esse contexto.

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