Com legado de bonecos e ventriloquia, morre o pernambucano Augusto Bonequeiro

Por 04/11/2025
Com legado de bonecos e ventriloquia, morre o pernambucano Augusto Bonequeiro

Artista ficou conhecido pela generosidade, profissionalismo e criatividade no ramo do humor cearense

Por Kelly Sampaio

Aos 74 anos, morre Augusto César Barreto de Oliveira, conhecido como Augusto Bonequeiro, na manhã desta terça-feira, 4. A informação foi confirmada pela Secretaria da Cultura de Fortaleza (Secultfor) por meio de uma nota de pesar. O artista faleceu por volta das 8 horas da manhã, em um hospital particular de Fortaleza. O velório de Augusto Bonequeiro está previsto para esta quarta, 5, e o enterro para quinta-feira, 6.

Recentemente, Augusto havia sido hospitalizado, a causa da morte ainda não foi confirmada. De acordo com amigos próximos, o humorista sofria da Doença de Parkinson e Alzheimer e vivia em uma casa de repouso na capital cearense, onde era acompanhado por familiares e conhecidos. O estado de saúde de Augusto se agravou após o período da pandemia do coronavírus.

Em 2022, o artista foi consagrado como Mestre da Cultura pela Secretaria de Cultura do Ceará (Secult-CE). Durante as sessões plenárias desta terça, 4, a Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor) e a Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) realizaram um minuto de silêncio em decorrência da morte do humorista pernambuco.

O jornalista Tarcísio Matos relata sua experiência enquanto convivia com o artista. “Eu conheci o Augusto Bonequeiro em 1994, quando apresentamos um programa na extinta RCN, Rede Cearense de Notícias. Depois nós fizemos televisão, eu fui redator dele em programas da Jangadeiro. Fizemos também um CD com o melhor do humor do Augusto, do João Neto, do Espanta e da Escolástica”. Matos também exalta o profissionalismo de Bonequeiro, “era aquele cara da risada, inconfundível, apaixonante, um profissional extremamente competente”.

“Generoso e com um grande coração, abriu o espaço da garagem de sua casa, para instalarmos a sede provisória do Partido Verde, Ceará, inclusive, se filiando ao PV”, afirma o economista e ambientalista João Saraiva.”A sua sensibilidade artística abraçou a causa ambiental e fez de seu teatro de bonecas uma forma de levar a consciência ambiental, principalmente, para as crianças e adolescentes”, complementa.

O coordenador do curso de Jornalismo da Unifor, Wagner Borges, relembra a época em que dirigia o jornalismo da TV Jangadeiro, onde o humorista trabalhava. “Dirigi a área de programação da emissora e trabalhei muito de perto com o Augusto e a esposa dele, na época, Ângela Escudeiro e cheguei a escrever alguns roteiros do “Botando Boneco”, sobretudo na época mais dura, com críticas ao governo municipal de Juraci Magalhães”, relata.

Augusto Bonequeiro foi diretor do Theatro José de Alencar entre os anos de 1986 e 1987 | Foto: Arquivo pessoal

Augusto Bonequeiro nasceu no município de Escada, em Pernambuco, mas a partir da década de 1980 se mudou para Fortaleza. Era mestre do teatro de bonecos, com mais de 40 anos de profissão. A trajetória do artista iniciou no de 1973, com a participação no Teatro de Amadores de Pernambuco. Foi um dos fundadores do Teatro Espontâneo do Recife, em 1975. 

Em Fortaleza, a trajetória de Bonequeiro se consolidou com a criação do Grupo Folguedo de Teatro de Bonecos. Fundou a Associação Brasileira de Teatro de Bonecos – Núcleo Ceará, em 1987, e foi diretor administrativo do Grupo Bonecos e Mamulengos.

Tarcísio Sardinha, Meirinha, Augusto Bonequeiro, Ângela Escudeiro e Tarcísio Matos
Foto: Arquivo Pessoal

Durante 20 anos, apresentou os personagens que criava na televisão cearense, com o programa “Bodega do Encrenca”, com os personagens Seu Encrenca e Dona Cremilda. Também esteve no ar por mais de 15 anos em um programa de TV da Paraíba.

Uma sala dedicada a Augusto Bonequeiro foi inaugurada no dia 2 de abril de 2024, no Museu do Humor Cearense. A data foi escolhida por marcar o aniversário do humorista. A trajetória do artista e os bonecos planejados por ele contemplam todo o espaço projetado.

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