Capital cearense recebe residência artística para troca de experiência e elaborações simbólicas

Por 14/10/2025
Capital cearense recebe residência artística para troca de experiência e elaborações simbólicas

Com nove artistas mulheres, a ação propõe um campo de criação compartilhado e colaborativo para tratar pluralidades e novas possibilidades de convivência, reafirmando a imaginação

Por Gabriela Tavares

A Residência Artística “Que cultura para qual futuro?” é recebida em Fortaleza e faz parte da programação do Festival Barulhinho Delas. O programa valida o protagonismo feminino na arte e na cultura. O evento teve início na segunda-feira, 13, e permanece até sexta-feira, 17, apresentando artistas visuais para elaborar ideias e compartilhar experiências. 

A questão levantada na ação será “que sociedade queremos construir e quais valores desejamos preservar ou reinventar para o futuro?”. Com mediação da artista Dhiovana Barroso, a residência oferece encontros noturnos.

Durante a ação, as participantes debatem e experimentam as práticas artísticas ante urgências sociais, ambientais e políticas. Alguns dos temas discutidos são: cultura, futuro e ativismo. Ao decorrer da programação, o grupo deve criar coletivamente uma bandeira,  panô ou manto.

Para a atividade, as participantes irão precisar usar técnicas e materiais diversos, criando então um gesto simbólico e político de resistência, lembrança e revolução. O processo objetiva reafirmar a cultura como ambiente de imaginação e transformação. Assim, a intenção é tecer o comum, reconhecendo a pluralidade e novas possibilidades de convivência.

O resultado da residência será anunciado dentro da programação do Festival Barulhinho Delas. O programa se compromete com a igualdade de gênero e a responsabilidade ecológica. Também reúne nove artistas mulheres para trazer diferentes linguagens e trajetórias. 

A diretora do festival, Nádia Sousa, destaca que a Residência propõe um campo de criação compartilhada e colaborativa, em que a arte é entendida como exercício de pensamento e transformação social. Ela afirma também que o formato coletivo pretende gerar um espaço de escuta, troca de experiências e elaboração simbólica de temas urgentes. 

Nádia Sousa, diretora do Festival Barulhinho Delas | Foto: Arquivo Pessoal

Nádia ressalta ainda que os assuntos discutidos abordaram o papel da mulher na sociedade, as crises ambientais e a necessidade de repensar modos de vida. “Espera-se que, do encontro entre diferentes linguagens e trajetórias, surjam proposições estéticas que expressem resistência, imaginação política e sentido de comunidade”.

A vivência no ambiente cria também uma atmosfera de cumplicidade e recolhimento, buscando permitir aos participantes a criação de maneira livre, fora dos ritmos produtivistas do cotidiano. 

“Trazer esses temas para o centro da prática artística significa reafirmar a arte como força política e como campo de elaboração coletiva do presente. O ativismo, quando articulado à criação, desloca a arte do campo do objeto para o campo da ação. O futuro, por sua vez, é convocado não como projeção utópica, mas como campo de disputa de sentidos”, salienta Nádia.

Camila Albuquerque, artista visual e professora de artes cearenses, é uma das mulheres convidadas para participar da Residência Artística, compartilhando sobre corpo e memória na contemporaneidade. Ela relata prezar muito pelo coletivo, até mesmo na hora de criar. 

Camila Albuquerque, artista visual e professora de artes cearenses, participante da Residência Artística | Foto: Divulgação 

“Acho que o momento de criação artística fica muito rico quando se cria ao lado de outras, o processo não se torna mais tão solitário”. 

A artista ressalta que as participantes são de linguagens diferentes, uma acaba por inspirar a outra por meio de referências, técnicas e partilhas. Camila frisa que esse espaço de conversas, trocas e planejamentos conjuntos é muito precioso. Acredita que o trabalho irá resultar em novas conexões, além de fortalecer o mundo artístico.

A professora afirma que a própria prática artística é uma poética de ativismo. Estar ao redor de vivências LGTBQIA+ e da realidade feminina, que são temáticas universais, propõe um futuro que fala sobre cultura. 

“Nós fazemos parte da Cultura porque somos nós que a fazemos também. Represento estes grupos de formas que queremos nos ver, com plenitude e direito de ser”, declara a educadora.    

Antes de chegar em Fortaleza, a Residência Artística foi realizada no Centro Cultural do Cariri. A ação contou com seis artistas e mestras da tradição popular. A apresentação continham mestra Fanca, que transforma panos em memória viva, mestre Dora, do reisado, e outros.     

Serviço

Residência Artística: Que Cultura para qual futuro?
Data:
13 a 17 de outubro de 2025 | Horário: 18 horas às 21 horas | Local: Mercúrio Produções – Av. da Universidade, 2475, Benfica – Fortaleza

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